‘Antipedagógico’: educador critica bônus por meritocracia de Ricardo Nunes na educação de São Paulo

به قلم Larissa Bohrer28/08/2026 às 00:043 بازدید
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Brasil de Fato

Para 20% do eleitorado brasileiro, a educação deve ser prioridade do próximo presidente eleito, segundo um levantamento do PoderData/Aya. As políticas educacionais operam em uma lógica de estrutura tripartite, ou seja, dependem do esforço conjunto da União, dos estados e municípios.

Em sua coluna no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), observa que o plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o único que menciona explicitamente o Plano Nacional de Educação (PNE). “Os demais apenas tangenciam. É preciso que candidatos assumam o compromisso com a sociedade brasileira de que têm um Plano Nacional, e é preciso que esse plano seja o organizador da gestão pública, não só no âmbito federal, mas também nas gestões estaduais e municipais. E o plano estadual não pode ser cópia do nacional, porque ele tem que ser contextualizado em cada realidade”, afirma.

Nesse sentido, Cara pondera que a situação da cidade de São Paulo acaba por demonstrar uma dissonância entre uma política educacional adequada em todas as esferas de poder. Isso porque o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou mudanças nas regras do Prêmio de Desempenho Educacional (PDE) de 2026, com foco em meritocracia e desempenho, e definiu um valor de até R$ 10 mil por servidor.

Pela nova regra, 58% do bônus dependerá do desempenho da unidade escolar da qual o professor faz parte, e 42% da assiduidade do servidor. Nas creches, 20% dependerá do desempenho da unidade e 80% da presença do profissional. Daniel Cara define a política como problemática. “Nós, educadores, divergimos dessa política. E os governantes estão atrasados nessa discussão”, resume.

A premiação considera o Ideb, o que cria distorções, pois, segundo Cara, desconsidera as desigualdades entre as instituições de ensino, por implicações territoriais e sociais que formam áreas de vulnerabilidade.

“É antipedagógico, gera até mesmo uma competição interna, de professor contra professor. É uma lógica completamente contrária ao direito à educação”, reforça, ao lembrar que, nesse momento de eleição, deveria estar em pauta o acesso amplo, irrestrito e universal à educação.

O professor considera importante a preocupação do brasileiro médio com educação, mas observa que o debate qualificado do tema tem sido difícil. E a prova disso é exatamente o tipo de bonificação ofertado pela gestão Nunes, que não melhora em nada os parâmetros reais do ensino-aprendizagem.

“Educação é um processo de longo prazo. Não é uma corrida de 100 metros. É uma maratona. E o processo de escolarização é uma maratona. Eu, por exemplo, estava fazendo as contas e tenho 32 anos de escolarização. Mas, claro, sou um profissional da área. Mas uma pessoa comum tem que ter garantido os 14 anos de escolarização, que é um tempo longo”, reflete.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

منبع
Brasil de Fato
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