Greve na Caixa: trabalhadores votam nova proposta do banco na segunda-feira (21)

17/09/2026 às 14:2833 Aufrufe
Mesa de negociação com a Caixa iniciou na quarta (16) e se prolongou pela madrugada de quinta 17
Mesa de negociação com a Caixa iniciou na quarta (16) e se prolongou pela madrugada de quinta 17
Brasil de Fato

Os trabalhadores da Caixa Econômica Federal vão decidir na próxima segunda-feira (21) se aceitam a nova proposta apresentada pelo banco para o Saúde Caixa e outros pontos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Até a realização das assembleias, a greve nacional por tempo indeterminado, iniciada no último dia 10, continua.

A nova oferta foi apresentada pela Caixa na madrugada desta quinta-feira (17), após uma rodada de negociação iniciada na quarta (16), em São Paulo. O principal avanço apontado pela representação dos trabalhadores é o aumento do limite da participação financeira do banco no custeio do Saúde Caixa, de 6,5% para 9% da folha de pagamento a partir de 2027.

A proposta também mantém o pacto intergeracional, sem cobrança diferenciada de acordo com a faixa etária, preserva o modelo solidário do plano e mantém o Saúde Caixa no Acordo Coletivo de Trabalho. Em 2026, não haverá reajuste das mensalidades e a Caixa assumirá o déficit do plano.

“A ampliação da participação da Caixa de 6,5% para 9% é um avanço importante, pois representa um aumento recorrente da participação da Caixa”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. Segundo ela, a mudança foi resultado da mobilização da categoria durante as negociações.

As assembleias serão realizadas eletronicamente das 11h às 18h de segunda-feira. Caso os trabalhadores aprovem a proposta, o dia de paralisação realizado em 20 de agosto será abonado, enquanto os dias úteis da atual greve terão de ser compensados em até 180 dias.

O que muda no Saúde Caixa

A partir de 2027, a contribuição dos titulares será de 3,7% da remuneração-base. A mensalidade dos dependentes diretos ficará em R$ 560. Para dependentes indiretos filhos de 21 a 24 anos, o valor será de R$ 660, enquanto filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes pagarão R$ 900. O limite de contribuição do grupo familiar, considerando titular e dependentes diretos, será de 9%.

Em relação à oferta anterior, o banco reduziu de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consulta em pronto atendimento e manteve a isenção de coparticipação para telemedicina. A Caixa também aceitou destinar pelo menos um empregado de cada Gerência de Pessoas (Gipes) e Representação Regional de Pessoas (Repes) exclusivamente ao Saúde Caixa.
A proposta prevê ainda a criação, em até 60 dias, de um grupo de trabalho para discutir um novo modelo de gestão do plano, incluindo governança, estrutura, prestação de contas e outras fontes de receita. Também estão previstas negociações mensais sobre o Saúde Caixa, além de debates sobre isonomia de direitos, carreira e remuneração.

Remuneração e atendimento híbrido

A negociação também trouxe mudanças no Super Caixa, programa de remuneração variável dos empregados. Para o segundo semestre de 2026, a premiação inicial pela habilitação passará de 25% para 50%, e haverá alterações nos critérios de avaliação para evitar, por exemplo, que toda uma agência seja penalizada por ocorrências relacionadas a apenas um empregado.

Em relação aos programas Figital e Genesys, ligados ao atendimento híbrido, a Caixa informou que não haverá penalização em 2026. Os projetos continuarão em fase piloto e o modelo deverá ser discutido com representantes dos trabalhadores antes da definição das regras para 2027.

O banco manteve ainda a proposta de pagamento de um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado em razão da superação do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026. Segundo a Contraf-CUT, o pagamento já está garantido porque a meta foi atingida em junho. Se a nova proposta for aprovada até segunda-feira, o prêmio, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o Super Caixa e o bônus serão pagos em 30 de setembro.

Greve começou após rejeição de proposta

Os empregados da Caixa estão em greve nacional por tempo indeterminado desde 10 de setembro, após a rejeição da proposta anterior apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. O Saúde Caixa está entre os principais pontos que levaram ao impasse entre a empresa e os trabalhadores.

A paralisação ocorre após a categoria bancária ter fechado a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Os empregados da Caixa, porém, mantiveram a mobilização em torno das reivindicações específicas do banco.

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