‘Empresas-filhas’: novo método avalia impacto socioeconômico de emprendimentos de ex-alunos universitários

מאת UFSCar18/09/2026 às 11:2230 צפיות
Estudo pesquisou 43.735 pessoas que fizeram graduação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, entre 1970 e 2024, e encontrou 13.720 empresas com egressos da instituição no quadro societário. A análise desses dados permitiu fazer uma avaliação mais precisa dos benefícios da educação superior na qualidade de vida da região.
Estudo pesquisou 43.735 pessoas que fizeram graduação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, entre 1970 e 2024, e encontrou 13.720 empresas com egressos da instituição no quadro societário. A análise desses dados permitiu fazer uma avaliação mais precisa dos benefícios da educação superior na qualidade de vida da região.
Foto: CC BY-ND / The Conversation Brasil

Até hoje as universidades brasileiras possuem poucas maneiras eficazes de medir com precisão o impacto criado por seus ex-alunos quando criam empresas, geram empregos e movimentam a economia.

Durante décadas, a forma mais comum de medição das chamadas “empresas filhas” era a utilização de formulários. O exemplo mais conhecido de pesquisa neste campo foi conduzida pelo professor Edward Roberts, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Roberts também fundou o centro de empreendedorismo do MIT, que publicou um relatório chamado “Entrepreneurial Impact: The Role of MIT, atualizado em 2019.

O estudo de Roberts indicou que empresas fundadas por ex-alunos do MIT geravam trilhões de dólares em receita anual no mundo. Também foram realizados estudos pela agência Inova Unicamp, sendo a única universidade brasileira, que mantém constância anual na geração desses indicadores, desde 2013.

O método utilizado pelo MIT e Unicamp tem um limite conhecido: dependem das respostas voluntárias dos questionários enviados aos alunos e ex-alunos. Isso significa que quem não responde, simplesmente não entra na conta, dificultando a precisão dos resultados dos indicadores e, consequentemente, a mensuração do impacto da universidade. O número real de empresas criadas por egressos do MIT e da Unicamp provavelmente é maior do que o estimado nas pesquisas atuais.

Um novo caminho para mensurar o impacto socioeconômico de universidades

Com o objetivo de resolver esse problema que desenvolvemos um piloto na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Em vez de perguntar aos ex-alunos se eles abriram empresas, cruzamos automaticamente os dados dos egressos dos ex-alunos da universidade com os registros públicos de empresas no Brasil, da Receita Federal.

Na pesquisa, foram consideradas “empresas filhas”, as empresas em que um egresso de graduação da universidade pertence ao quadro societário.

O estudo piloto foi feito no curso de Engenharia de Computação da UFSCar em 2022, cruzando a base de dados dos egressos com a base de CNPJs da Receita Federal, identificando as possíveis “empresas filhas”.

Após esse primeiro levantamento, solicitamos que a universidade verificasse os CPFs, para eliminar casos de homonímia, e geramos os indicadores de avaliação da instituição de ensino a partir das “empresas filhas”. Posteriormente, em 2025, esse modelo foi aplicado em escala institucional.

Chamamos esse o método de “Cross-Match”, responsável pela criação dessa base de dados sem a necessidade do uso de formulários e dependência de participação ativa para preenchimento dos questionários.

Há outras duas pesquisas, uma realizada pela Universidade de Pádova e outra pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que também realizaram o cruzamento dos nomes ou CPFs para encontrarem as “empresas filhas”. Mas os indicadores gerados por ambas não foram focados no impacto socioeconômico da universidade.

Resultados da aplicação do método Cross Match

A aplicação do Cross Match utilizou os 43.735 egressos de graduação da UFSCar de 1970 e 2024. A pesquisa encontrou 13.720 empresas com egressos no quadro societário, e 6.857 egressos (15,7%) desses estão no quadro societário de uma ou mais empresas. O número de empresas que estavam ativas até o momento da pesquisa foi de 8.607 (62,7%).

Somadas, essas empresas faturam anualmente pelo menos R$ 14,1 bilhões, cálculo realizado através das faixas de faturamento. O porte dessas empresas são de 52,9% microempresas, 14,1% de pequeno porte e 33,1% de médio e grande porte. O método não incluiu as empresas consideradas Micro Empreendedor Individual (MEI).

O campus principal da UFSCar localiza-se na cidade de São Carlos, interior do estado de São Paulo, e consequentemente, a pesquisa mapeou que a maior localização da sede dessas empresas é no estado de São Paulo (82,5%), detalhadas nas cidades com maior quantidade de empresas: São Paulo (3.215), São Carlos (1.512), Campinas (525), indicando assim, uma concentração regional do impacto econômico dessas empresas.

Foram encontradas empresas em 922 municípios brasileiros, ou seja, 16,6% de todas as cidades do país. Além disso, a atuação dessas empresas classificadas pelos CNAES correspondem em 740 áreas diferentes, da tecnologia da informação à agricultura, passando por saúde e engenharia.

A importância da geração de indicadores escaláveis e comparáveis

Com a criação dessa base de dados e dos indicadores, passamos a mapear, com precisão, o universo real de empresas criadas por ex-alunos de graduação. Com isso, é possível tomar decisões mais assertivas para o desenvolvimento econômico regional da uma universidade.

Dessa forma, almeja-se a aplicação da metodologia do Cross Match em escala nacional das universidade brasileiras, com objetivo de criar políticas públicas que favoreçam ainda mais o transbordamento tecnológico da academia para a sociedade.

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Fernando Guerreiro Cunha não recebeu financiamento para realização da pesquisa.

מקור
The Conversation Brasil
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