Projeto “Celebração Coletiva do Amor”: Parceria entre TJCE e UFC promove 27 casamentos em cerimônia cheia de emoção e afeto

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著者 CAROLINA DO VALE UCHOA24/09/2026 às 20:007 閲覧
Em parceria inédita, TJCE e UFC promoveram casamento comunitário que oficializou a união de 27 casais na Reitoria da universidade.
Em parceria inédita, TJCE e UFC promoveram casamento comunitário que oficializou a união de 27 casais na Reitoria da universidade.
Foto: Sara Parente / Tribunal de Justica do Ceara

Após décadas testemunhando o entusiasmo de estudantes dando novos passos na vida profissional, a Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi palco para outra seara de emoções entre o fim da tarde e a noite da última quarta-feira (23/09). Pela primeira vez, o local sediou um casamento comunitário, selando juridicamente a união de 27 casais em uma parceria entre a universidade e o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).

A empregada doméstica Ana Paula de Oliveira e o motorista José Humberto Lima viram na iniciativa a oportunidade de oficializar, perante a Justiça, aquilo que o sentimento já atestou faz tempo: eles querem cuidar um do outro pelo resto da vida. E, em um ato de cuidado, revela Ana Paula, José Humberto considerou que a formalização seria o melhor a se fazer, pois assim ela “não ficaria desamparada” caso algo aconteça com ele. “Ele ficou preocupado e pensamos que isso seria uma segurança para mim”, diz a esposa.

O supervisor do Nupemec, desembargador Francisco Lucídio Queiroz Júnior, reforçou que o casamento civil garante direitos e representa, portanto, um ato de cuidado entre as partes. “A formalização da união garante uma série de direitos que decorrem do casamento civil, inclusive em uma situação em que infelizmente um dos cônjuges fica viúvo. Com a certidão de casamento, não será preciso comprovar, por exemplo, que aquele parceiro convivia com a pessoa falecida”, destacou.

Em parceria inédita, TJCE e UFC promoveram casamento comunitário que oficializou a união de 27 casais na Reitoria da universidade.
Em parceria inédita, TJCE e UFC promoveram casamento comunitário que oficializou a união de 27 casais na Reitoria da universidade.
Em parceria inédita, TJCE e UFC promoveram casamento comunitário que oficializou a união de 27 casais na Reitoria da universidade.

O casamento coletivo realizado na Reitoria da UFC foi uma iniciativa desenvolvida a partir de parceria entre o Nupemec, por meio de seu eixo de promoção da cidadania, e os projetos de extensão universitária Dialogar e Cuidado Itinerante, vinculados ao Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade Federal do Ceará e coordenados pelas professoras Nélida Cervantes e Márcia Correia Chagas.

Os 27 casais foram reunidos em uma sala preparada especialmente para a ocasião, onde a juíza coordenadora do Nupemec, Jovina d’Avila Bordoni, conduziu cada formalização. A iniciativa contou ainda com o apoio da Associação Cearense de Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-CE), e os casamentos foram realizados pelos cartórios de Messejana, Botelho, João de Deus, Jereissati e Norões Milfont.

A juíza destacou a experiência como emocionante e gratificante. “A felicidade e a emoção dessas pessoas fizeram muito bem a todos nós que estamos aqui. Foi um momento de grande significado e energia positiva que consolida essa iniciativa como uma ação permanente do Nupemec, afinal o casamento civil é fundamental para resguardar os direitos e a proteção da família perante a sociedade”, frisou.

SERENIDADE, MATURIDADE E LONGEVIDADE

O autônomo Valmir Custódio da Silva e a dona de casa Maria Suely Oliveira se conhecem há 27 anos e estão juntos há 26. Diante da tradicional pergunta da juíza sobre ser de livre e espontânea vontade o casamento, ele foi enfático: “Sim! Já são 26 anos juntos. É uma vida!”, exclamou. Para um casamento longevo, eles afirmam que o diálogo é melhor estratégia. “Conheça bem o parceiro ou parceira. Tudo no nosso relacionamento a gente conversa, ela me entende e eu entendo ela”, afirmou.

Sentados, aguardando calmamente serem chamados para assinar a documentação logo em seguida, a dona de casa Cláudia Lima e o aposentado Rogério Lima exalavam uma serenidade que contrastava com a euforia que as festas de casamento podem transmitir. Naquele momento, eles selavam, afinal, o que já tinham decidido há muito tempo: o desejo de seguir vivendo um amor tranquilo, que já atravessou muitos obstáculos e que se manteve, apesar deles.

A juíza Jovina d’Avila Bordoni, coordenadora do Nupemec, conduziu a formalização das uniões durante a cerimônia.
A juíza Jovina d’Avila Bordoni, coordenadora do Nupemec, conduziu a formalização das uniões durante a cerimônia.
A juíza Jovina d’Avila Bordoni, coordenadora do Nupemec, conduziu a formalização das uniões durante a cerimônia.

“Após 31 anos juntos e com duas filhas, uma delas já casada, resolvemos legitimar a nossa relação. Hoje, já maduros, sabemos o que queremos e graças a essa iniciativa do TJCE e da UFC eu consegui realizar esse sonho, porque nunca sobrava um dinheirinho”, revelou Cláudia. Questionado sobre qual seria o segredo para uma união tão longeva, Rogério, o esposo, não titubeia: “Ela sempre tem razão”, diz, com um sorriso tímido.

Além da imponente arquitetura eclética e modernista da Reitoria como cenário, a cerimônia contou com a trilha sonora da Camerata de Cordas da UFC, que entoou clássicos das festas de casamento para embalar a noite. No jardim em frente à Avenida da Universidade, mesas e cadeiras foram disponibilizadas para a celebração, que contou com decoração, jantar, bolo e espumante para o primeiro brinde dos recém-casados.

Para o reitor da UFC, professor Custódio Almeida, a iniciativa mostra que os projetos de extensão da universidade atuam em prol da sociedade de várias maneiras. “Essa parceria com o TJCE por meio dos projetos de extensão contribui para estabelecer a justiça, retira a barreira da burocracia e permite que casais, alguns juntos há anos, mas sem a união pelo casamento civil, possam concretizar isso. E o fato desse evento ser na Reitoria é simbólico e especial, reforçando que a universidade é um lugar aberto, plural e que nela cabe tudo aquilo que está em suas pesquisas e projetos de extensão”, destacou.

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Tribunal de Justica do Ceara
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