"Quando a [Angela] Merkel sai, a UE não consegue colocar um líder à altura para conseguir fazer esse tipo de coordenação política. A crise econômica também acaba dificultando. E o Macron tenta assumir essa coisa de liderança europeia e não consegue porque a Europa está dividida, internamente a Europa, e não está conseguindo mais se entender e nem mais coordenar posições", disse.
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"A negociação, a política, deixa de ser qual é o projeto melhor para a França e passa a ser: manter a estabilidade de um determinado regime político na França. Então, ele [Macron] tenta usar o sucesso exterior para criar uma imagem de força internamente, só que ele está em um contexto regional muito complicado e tenta jogar em dois cenários ao mesmo tempo, só que cada um dos cenários vai se enfraquecendo", comenta.
Crise social e econômica europeia passa pela energia
"Durante muito tempo, a UE viveu um equilíbrio entre dois polos. Havia o compromisso de segurança com os EUA e uma interdependência econômica muito grande com a Rússia, que permitia que esses países conseguissem manter os Estados de bem-estar social porque se tinha acesso à energia barata, como petróleo e gás. Com isso, se conseguia controlar a inflação, baratear e exportar seus produtos, inclusive para a Rússia, de novo, a interdependência econômica", destaca.
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"A energia elétrica da França é nuclear, mas o combustível, que é usado no frete, no transporte marítimo, nos caminhões, enfim, no dia a dia dos franceses, é o petróleo, e se o seu preço sobe, o preço do combustível sobe muito. E isso gera um efeito inflacionário na cadeia. Enquanto a situação do preço do petróleo internacional continuar muito alta, vai haver esse tipo de problema", observa.
G7 libera reservas de petróleo e liga o sinal de alerta
"Quando o G7 solta o petróleo, está tentando forçar uma queda no preço do petróleo para manter a inflação sob controle. Então, isso é uma forma de tentar manter a estabilidade econômica. O problema é que a reserva um dia acaba. Eles não podem ficar liberando reserva porque uma hora isso vai acabar. Isso é um problema econômico, ecológico e político e pode se transformar num problema político social", conclui.
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