
Temas estratégicos para o futuro do agronegócio estiveram no centro dos debates do Global Agribusiness Festival (Gaffff) 2026, realizado nos dias 1º e 2 de outubro, no Allianz Parque, em São Paulo (SP). Promovido pela Datagro, o evento reuniu representantes de diferentes segmentos do agronegócio, em uma programação que combinou debates, negócios, gastronomia e entretenimento. A Embrapa foi uma das instituições convidadas para discutir questões que impactam a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio, ao lado de representantes de entidades, lideranças empresariais, especialistas e autoridades.
Governança territorial, rastreabilidade e confiança nas cadeias agroalimentares foram os temas do painel que contou com a participação do chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti. O debate reuniu Giane Santos, coordenadora do Cluster AgroPolo Vale e do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (PIT); Lia Pullen Parente, diretora de Operações (COO) da SuperClient Solutions; e José Renato Alberto, diretor-científico da DatagroSat; sendo moderado por Willians Bini, consultor sênior e head de Novos Negócios da Metos.
Ao abordar a trajetória do Brasil como fornecedor de produtos agropecuários para o mercado internacional, Spadotti destacou a relação de confiança construída pelo País ao longo do tempo. O Brasil, segundo ele, consolidou sua posição ao honrar contratos e se adaptar a diferentes legislações, classificações e padrões exigidos pelos mercados compradores. “O Brasil sempre foi um parceiro muito seguro, porque ele sempre honrou contratos, se ajustou a legislações de outros países”, afirmou.
Na avaliação de Spadotti, a competitividade alcançada pelo agronegócio brasileiro também mudou a percepção internacional sobre o País. De fornecedor complementar, o Brasil passou a disputar espaço diretamente com produtores dos mercados de destino. “Em vez de simplesmente suprir as necessidades complementares dos países, a gente começou a competir com os produtores rurais de lá”, destacou. Essa mudança, segundo ele, também ampliou a atenção internacional sobre os aspectos ambientais da produção brasileira. “Todos os olhos vieram para o Brasil e dedos começaram a ser apontados para nós, dizendo: esses caras não têm sustentabilidade”, relatou.
Spadotti também chamou atenção para os custos envolvidos na adaptação às exigências internacionais de rastreabilidade, monitoramento e adequação a legislações estrangeiras. Na prática, segundo ele, parte significativa desse ônus recai sobre os produtores rurais. Para o chefe-geral da Embrapa Territorial, porém, a discussão não deve se limitar ao custo da adequação. É preciso considerar como os investimentos feitos para atender às exigências podem ser reconhecidos economicamente ao longo da cadeia produtiva.
“O atendimento a essas exigências deveria gerar um bônus ao produtor rural brasileiro, pois ele está indo muito além do atendimento à legislação brasileira”, afirmou.
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/
