Bolsonaristas ameaçam invasão a terra indígena no Pará se Flávio Bolsonaro for eleito, diz site

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12/10/2026 às 14:523 maoni
A ação de desintrusão no território indígena Apyterewa, é realizada de forma integrada, com participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Abin, Ibama, Força Nacional, polícias Civil e Militar do Pará e da Agência de Defesa Agropecuária do estado
A ação de desintrusão no território indígena Apyterewa, é realizada de forma integrada, com participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Abin, Ibama, Força Nacional, polícias Civil e Militar do Pará e da Agência de Defesa Agropecuária do estado
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Pecuaristas e fazendeiros do sudeste do Pará articulam a invasão da Terra Indígena (TI) Apyterewa caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das Eleições 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A articulação foi revelada por reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (12), com base em um conjunto de oito áudios enviados por aplicativo de mensagens e relatos de moradores dos arredores da reserva protegida.

As gravações obtidas pelo jornal paulista indicam que invasores planejam ingressar na área demarcada a partir de 25 de outubro, data da votação do segundo turno, para reabrir fazendas e pastagens ilegais.

As mensagens expressam a expectativa dos pecuaristas de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na Presidência da República e a posse do governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), resultem na desregulamentação da área e na retirada da posse permanente dos indígenas da etnia Parakanã.

Homologada em 2007, a TI Apyterewa está localizada no município de São Félix do Xingu (PA), possui 773 mil hectares e abriga mais de mil indígenas parakanãs. Por se tratar de um povo de recente contato com a sociedade não-indígena, a comunidade possui alta vulnerabilidade sociocultural e epidemiológica frente a invasões predatórias de seu território.

Segundo as lideranças locais, os recados recomendam que os indígenas abandonem o território ou evitem transitar em setores onde pecuaristas já preparam o solo para plantio e pastagem. Relatos colhidos na região também apontam movimentação atípica de motocicletas e caminhonetes e a aquisição de lonas e ferramentas agrícolas por invasores para dar início à ocupação territorial logo após as eleições.

Governo federal monitora ameaças

O teor das mensagens e o risco de novas invasões chegaram aos órgãos de inteligência do governo federal e integraram a pauta da reunião do Comitê de Desintrusão na última quinta-feira (8).

Em nota à Folha de S.Paulo, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou que acompanha o aumento da pressão para a ocupação ilegal e deliberou pelo envio de reforço policial.

“Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais”, disse a pasta à reportagem, acrescentando que a investigação sobre os áudios que citam as eleições cabe às autoridades policiais.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou que acompanha o cenário e alertou para mobilizações semelhantes no restante da Amazônia.

Autoridades federais também investigam se a explosão recente de queimadas na reserva foi provocada de forma deliberada por grileiros. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) compilados pelo Programa Xingu mostram que os focos de calor na Apyterewa saltaram de 41 em julho para 626 em agosto e alcançaram 1.007 em setembro.

Histórico de destruição

A TI Apyterewa sofreu intenso avanço da grilagem e do garimpo durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), período em que se consolidou como uma das terras indígenas mais desmatadas do país.

Números do Inpe mostram que o desmatamento no território saltou de 18,9 quilômetros quadrados em 2018 para 85,3 quilômetros quadrados em 2019, atingindo o pico histórico de 102,2 quilômetros quadrados devastados em 2022. Na época, invasores chegaram a erguer uma vila clandestina dentro da área demarcada, denominada Vila Renascer.

Em 2020, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709 que o governo federal expulsasse os invasores do território, ordem que não foi cumprida na administração bolsonarista.

A operação integrada de desintrusão teve início no final de 2023, sob a gestão Lula, reduzindo a taxa anual de desmatamento para 20,6 quilômetros quadrados. O processo de retomada foi marcado por forte resistência armada de pecuaristas, que executaram emboscadas contra agentes de fiscalização e destruíram pontes de acesso.

No histórico recente de confrontos, um servidor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foi baleado no final de 2023 e um colaborador terceirizado do Ibama foi assassinado em emboscada em 2025.

O Brasil de Fato entrou em contato com a campanha de Flávio Bolsonaro e com o Governo do Estado do Pará para solicitar posicionamento sobre os áudios e as ameaças de invasão da Terra Indígena Apyterewa. Até a publicação desta reportagem, nenhuma das partes havia se manifestado.

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