Empate técnico entre Lula e Flávio reflete divisão profunda e estrutural do país, analisa cientista política

از José Bernardes13/10/2026 às 23:501 مشاہدات
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Brasil de Fato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua aparecendo atrás de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais, mas conseguiu reduzir a distância. Segundo o PoderData, Flávio aparece com 51% e Lula, 49%. Em 8 de outubro, levantamento do mesmo instituto indicava Flávio com 53% e Lula, 47%.

A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observa que o resultado do primeiro turno e as pesquisas nessa segunda semana de campanha do segundo turno evidenciam uma sociedade profundamente dividida. Além disso, considera que houve um equívoco, de certa forma, em prestar atenção “em oscilações nas pesquisas e questões conjunturais”, como a polêmica com Nossa Senhora Aparecida e os escândalos do banqueiro Daniel Vorcaro.

“O que prevalece nessa eleição é uma questão mais estrutural e menos conjuntural. É uma sociedade dividida em dois campos: um hegemonizado pela família Bolsonaro e um outro campo, democrático, mais hegemonizado por Lula e pelo PT. A sociedade se divide entre esses dois campos. Nenhum desses dois polos tem maioria absoluta. A situação de empate técnico é profunda, porque é como se a gente estivesse numa sociedade de empate técnico com a direita levemente à frente, porque ela tem tido a tração do espírito do tempo”, afirma ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Segundo Goulart, a extrema direita conseguiu surfar na narrativa de que representa a novidade na política e conseguiu mobilizar com mais sucesso o discurso da mudança. “O que as manifestações fizeram foi lembrar que a esquerda é quem tem a identificação com o discurso da mudança. O nosso DNA é a luta pela transformação da sociedade, pela equalização das relações sociais, e as manifestações foram úteis para lembrar a população desse DNA”, defende.

A cientista política avalia que eleitores de candidatos mais à direita que saíram derrotados, como Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), em sua maioria, já depositaram o “voto útil” em Flávio no primeiro turno. “Os que sobraram têm uma taxa de conversão menor. Isso não significa uma tarefa fácil, porque a mudança de voto é muito difícil. O caminho mais promissor é consolidar um eleitorado já disposto a votar no presidente Lula”, avalia. E dá dicas de como fazer isso: mobilização e facilitação de levar esse eleitor ao local de votação. “Tudo isso tende a ter um resultado melhor do que tentar tirar voto de outro candidato.”

Para Goulart, o segundo turno tem mostrado a importância das mobilizações das ruas e também das pautas que ofertam mudanças concretas, como é o fim da escala 6×1. “Concordo com quem diz que a maioria dos que estavam lá [nas manifestações] já tem voto em Lula. Mas há uma energia de revolução nesse governo. A gente precisa se reconectar com essa energia de transformação. Precisamos nos conectar com pautas concretas da vida cotidiana”, ressalta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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