Com desinteresse dos EUA e Europa em crise: a OTAN pode deixar de existir? Analista explica (VÍDEOS)

13/10/2026 às 14:413 Aufrufe
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Nesse sentido, o pesquisador e professor de Relações Internacionais Ricardo Leães afirmou em entrevista à Sputnik Brasil que, no âmbito militar, Washington vem buscando se afastar da Europa, porque os custos despendidos na aliança atlântica já não fazem parte dos interesses norte-americanos atuais.

"Eu bato na tecla de que faz sentido para os Estados Unidos se desengajar da Europa, que eles não têm mais tanto a ganhar com a proteção dos países europeus. Porque [essa era] a grande preocupação dos EUA, no início da Guerra Fria. Só que, depois que acabou a União Soviética, não tem por que os Estados Unidos estarem protegendo esses países [europeus]", disse.

Para assistir a este vídeo, por favor ative o JavaScript e use um navegador que suporte recursos do HTML5

Embora potências europeias como Paris e Londres não façam parte do Grupo de Bergen, assim como as nações bálticas da Estônia, Letônia e Lituânia, o não convite para participar da reunião na Polônia, em meio ao conflito na Ucrânia, indica, segundo o analista internacional, que os EUA tentam um rearranjo estratégico para tentar desescalar o conflito ucraniano.

"A melhor alternativa é a defendida por Donald Trump. Façam um acordo com a Rússia, façam a paz, achem uma forma de se entender e assumam a responsabilidade pela sua defesa. Não tem como a OTAN existir sem os EUA e, por isso, faz sentido a intenção de Trump em terminar a guerra na Ucrânia. Só que os europeus não querem e vão descobrir na dificuldade que precisam de uma solução e que ela não é militar", comenta.

Imagem do artigo
Panorama internacional
Europa se sente insegura com os EUA e está em uma situação complexa, afirma analista (VÍDEOS)

EUA veem a Polônia como um 'hub' no Leste Europeu

Para Leães, a proximidade de Washington com Varsóvia deve-se ao fato de o governo polonês seguir as diretrizes da Casa Branca, podendo servir como exemplo para os outros Estados europeus que integram a OTAN.

"A Polônia é talvez o país que esteja mais atendendo aos interesses dos Estados Unidos na região e aumentou muito o seu orçamento de defesa ao longo dos últimos anos. Talvez Trump tenha o interesse de se aproximar dos poloneses porque estão dispostos a cumprir com o papel que ele quer para a Europa. [Por isso] a Polônia seja vista pelo Trump como um país modelo nesse sentido", destaca.

Para assistir a este vídeo, por favor ative o JavaScript e use um navegador que suporte recursos do HTML5

Outro ponto levantado pelo especialista é que, no cenário pós-conflito, a Polônia, uma das principais aliadas de Washington na região, poderia expandir sua influência ou até integrar territórios e cidades de histórica origem polonesa na Ucrânia Ocidental, como parte de um amplo rearranjo geopolítico na Europa.

"E não nos esqueçamos que a Polônia pode ter também uma importância muito grande num pós-guerra da Ucrânia. Apesar de todos os pesares, a Rússia está vencendo. A Ucrânia pode se tornar um estado falimentar. Aqui a gente está indo num campo especulativo, mas há quem debata até mesmo a possibilidade de que a Ucrânia seja absorvida pela Polônia. Isso poderia vir a acontecer em determinado momento", observa.

Imagem do artigo
Panorama internacional
Racha no Ocidente: por que 'velhos' aliados estão se distanciando? Analista explica (VÍDEOS)

'OTAN no divã': impasses provocam crise existencial

Na análise de Ricardo Leães, os impasses internos e as discordâncias sobre a condução da crise ucraniana por parte do Ocidente acabam provocando um distanciamento entre os membros da OTAN, o que deixa o grupo em uma espécie de crise existencial.

"A OTAN está em crise, ou, para usar um linguajar psicanalítico, a OTAN está no divã. A OTAN tá tentando entender exatamente o que ela é e o que pretende. Ao invés de buscar uma solução estrutural para o equilíbrio de poder na Europa, envolvendo a Rússia, os europeus estão tentando, entre aspas, criar uma nova OTAN. Eu digo entre aspas mesmo, porque a gente não tem nenhum indicativo de que eles tenham condições de viabilizar esse cenário", conclui.

Para assistir a este vídeo, por favor ative o JavaScript e use um navegador que suporte recursos do HTML5

O avanço dos conflitos na Ucrânia e no estreito de Ormuz gerou graves crises econômicas que abalaram as potências da OTAN. Diante desse cenário de instabilidade global, tradicionais aliados começam a adotar lados opostos, impulsionando uma profunda e imprevisível reconfiguração geopolítica em curso.
Imagem do artigo
Imagem do artigo
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Quelle
Sputnik Brasil
Original öffnen ↗
War diese Nachricht nützlich?

Debatten 0

Seien Sie der Erste, der zur Debatte beiträgt.

Teilen Sie Ihre Informationen und fördern Sie Ihr Argument

Zögern Sie nicht, nützliche Informationen zu veröffentlichen.

Um an der Diskussion teilzunehmen, melden Sie sich an oder erstellen Sie ein kostenloses Konto.