
Visita ao farm lab, apresenta oportunidades de validação de soluções e aproxima empresas da pesquisa científica
Cerca de 60 representantes de startups do agronegócio visitaram, em 14 de outubro, o AgNest, em Jaguariúna, SP, para conhecer a infraestrutura e as oportunidades de validação de tecnologias agrícolas em condições reais de campo. A atividade integra a programação do Speed Agro, programa gratuito de aceleração de startups promovido pelo Sebrae-SP.
Durante a visita, os empreendedores conheceram as áreas experimentais, a infraestrutura disponível para testes e as possibilidades de interação com pesquisadores e empresas do setor agropecuário. A proposta é aproximar as startups de ambientes de pesquisa e experimentação, contribuindo para o aprimoramento de soluções tecnológicas antes de sua chegada ao mercado.
O AgNest é um farm lab mantido pela Embrapa Meio Ambiente, pela Embrapa Agricultura Digital e por parceiros. O espaço reúne infraestrutura agrícola, áreas de experimentação e conhecimento técnico-científico para apoiar o desenvolvimento e a validação de tecnologias voltadas ao agronegócio.
Para Allan Daher, coordenador de Inovação e Marketing do AgNest, a aproximação com o Speed Agro fortalece a conexão entre empreendedores, pesquisa e necessidades do setor produtivo.
“Receber o Speed Agro no AgNest é uma oportunidade de fortalecer ainda mais a conexão entre inovação e campo, junto ao Sebrae e ao ecossistema de Campinas e região. Já recebemos outras soluções participantes do programa e sabemos como essas iniciativas podem gerar oportunidades e aproximar as tecnologias das necessidades reais do agronegócio. Queremos contribuir para que as startups tenham a oportunidade de testar suas soluções em uma fazenda real, trocar experiências e desenvolver tecnologias que gerem valor para o produtor”, afirma.
A validação em ambientes próximos aos encontrados nas propriedades rurais permite avaliar o desempenho das soluções, identificar ajustes necessários e reunir dados técnicos para orientar seu desenvolvimento. Essa etapa pode contribuir para reduzir incertezas e preparar as empresas para ampliar a aplicação comercial de seus produtos e serviços.
Pesquisa científica e sustentabilidade
Após conhecerem o AgNest, os participantes visitaram a Embrapa Meio Ambiente, onde tiveram contato com pesquisas e tecnologias desenvolvidas pela Unidade. O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, Robson Barizon, apresentou as áreas de atuação da instituição e ressaltou a importância da aproximação com a iniciativa privada para ampliar as oportunidades de colaboração entre pesquisa e empresas.
Na sequência, a pesquisadora Nilza Patrícia Ramos apresentou estudos, ferramentas e metodologias utilizados para avaliar a pegada de carbono e apoiar a descarbonização da agricultura brasileira.
Ela explicou como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) permite contabilizar os impactos ambientais de um produto ao longo de sua cadeia, desde a obtenção das matérias-primas até sua destinação final. A metodologia considera diferentes etapas dos sistemas produtivos e permite identificar os principais pontos de geração de impactos ambientais.
Nilza destacou a importância da produção de dados nacionais para representar adequadamente as condições brasileiras de solo, clima e manejo agrícola. Segundo a pesquisadora, a utilização de parâmetros desenvolvidos em outros países nem sempre reflete as particularidades dos sistemas de produção tropicais, o que reforça a necessidade de estudos realizados no País.
A pesquisadora também apresentou estudos de ciclo de vida de diferentes culturas agrícolas e ferramentas para estimar mudanças de uso da terra, elaborar inventários ambientais e calcular emissões associadas aos sistemas produtivos.
Entre as soluções abordadas está a RenovaCalc, desenvolvida no âmbito do programa RenovaBio para calcular a intensidade de carbono dos biocombustíveis. Ela também destacou o desenvolvimento de novas ferramentas voltadas à avaliação ambiental e ao apoio a iniciativas de agricultura de baixo carbono.
Essas aplicações são sustentadas por pesquisas sobre estoques de carbono no solo e nas plantas, práticas de manejo, bioinsumos, sistemas integrados de produção e modelos de emissão adaptados às condições brasileiras.
Mais do que contabilizar emissões, esse conjunto de conhecimentos permite identificar oportunidades de redução da pegada de carbono e avaliar alternativas de manejo, considerando também a produtividade e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.
Microrganismos e soluções biológicas
A programação incluiu ainda uma visita ao Laboratório de Microbiologia Ambiental da Embrapa Meio Ambiente, onde os participantes conheceram pesquisas sobre microrganismos de interesse agrícola e ambiental.
O laboratório está relacionado à formação da Coleção de Microrganismos de Importância Agrícola e Ambiental (CMAA), acervo científico que reúne recursos biológicos utilizados em pesquisas e no desenvolvimento de tecnologias para a agricultura e o meio ambiente.
O pesquisador Gabriel Mascarin apresentou atividades de bioprospecção de microrganismos, processo que envolve a busca e a avaliação de organismos com características de interesse para diferentes aplicações. Ele também abordou o desenvolvimento de soluções biológicas, incluindo o Auras, e mostrou aos visitantes a coleção de microrganismos.
O contato com essas pesquisas permitiu às startups conhecer possibilidades de aplicação do conhecimento científico no desenvolvimento de tecnologias voltadas ao setor agropecuário. A área de bioinsumos é um dos campos de atuação do AgNest, ao lado de agricultura digital, automação, sensoriamento e soluções para a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Speed Agro busca ampliar negócios e parcerias
A visita ao AgNest faz parte das atividades do Speed Agro 2026/2027, programa do Sebrae-SP que combina capacitação empresarial e experiências práticas para apoiar o crescimento de startups do agronegócio.
A iniciativa oferece atividades como rodadas de negócios, visitas técnicas e encontros com empresas, instituições e potenciais investidores. O objetivo é contribuir para o aprimoramento de produtos, modelos de negócios e estratégias comerciais, além de facilitar o acesso a novos mercados.
A edição 2026/2027 ocorre entre outubro e abril, com atividades em Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, São José dos Campos e São Carlos, municípios que integram o chamado Corredor do Agronegócio. A programação também prevê encontros para troca de experiências e formação de parcerias entre empreendedores e representantes do setor.
Para Helmo Basso, consultor de Inovação do Sebrae-SP, com atuação na gestão de programas de pré-aceleração e aceleração de startups, a visita marca o início de um novo ciclo do Speed Agro e apresenta às empresas oportunidades de aproximação com ambientes de pesquisa e validação tecnológica.
Segundo ele, o AgNest oferece condições para que as startups testem e avaliem suas soluções com apoio de infraestrutura, equipe técnica qualificada e parceiros do farm lab.
A aproximação com a Embrapa também busca identificar oportunidades de colaboração entre as empresas e os pesquisadores. “A ideia é que as startups conheçam o trabalho realizado pela Embrapa e identifiquem possibilidades de colaboração. Ao mesmo tempo, queremos mostrar como a Embrapa pode apoiar o desenvolvimento dessas empresas”, afirma Basso.
Para o consultor, a interação pode favorecer a criação de novas conexões, fortalecer os empreendimentos e contribuir para o desenvolvimento do ecossistema de inovação no agronegócio.
Tainan Lamas, da Mastera, explicou que a empresa foi convidada pelo Sebrae a participar do Speed Agro, que inclui uma série de visitas, entre elas, à Embrapa Meio Ambiente. Segundo ele, a iniciativa representa uma oportunidade de apresentar o potencial das plataformas desenvolvidas pela empresa, que já contam com três anos de atuação no mercado. “Vejo um grande potencial de contribuição para os pesquisadores, a partir das soluções que desenvolvemos”, destacou.
Pedro Morello, da empresa Aurica, que atua com sustentabilidade e gestão de riscos socioambientais, destacou a importância da visita à Embrapa Meio Ambiente para conhecer novas possibilidades de parceria e desenvolvimento tecnológico. A empresa tem como foco a pecuária leiteira e trabalha em conjunto com laticínios e produtores rurais para aprimorar o desempenho socioambiental da atividade, com ações voltadas ao bem-estar animal, às condições de trabalho, à gestão da produção, à redução de perdas e ao gerenciamento de resíduos. Para isso, oferece projetos de consultoria e desenvolve softwares específicos para apoiar a gestão dessas questões.
Foi a primeira vez que Morello visitou uma unidade da Embrapa. Segundo ele, a experiência foi positiva e ampliou sua visão sobre as possibilidades de colaboração com a pesquisa agropecuária. “Além daquilo que a gente já sabe que a Embrapa faz, estar aqui e conversar com os pesquisadores sobre o trabalho que desenvolvem no dia a dia nos faz pensar em outras possibilidades dentro desse universo, seja por meio de conexões tecnológicas ou de novas oportunidades”, avaliou.
A parceria entre o Sebrae-SP e o AgNest integra um esforço para aproximar startups de ambientes que combinam infraestrutura experimental e conhecimento científico. A iniciativa oferece às empresas oportunidades de amadurecer suas tecnologias, avaliar seu desempenho e aprimorar suas soluções antes de ampliar a oferta ao mercado, contribuindo para conectar inovação, pesquisa e demandas do setor produtivo.
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
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