O anúncio foi feito durante evento no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab). Os projetos integram a Iniciativa Valongo, desenvolvida pelo
BNDES, e garantem a primeira
requalificação urbana da área, além das parcerias para a
implementação de três novos equipamentos.
Do total, R$ 2 milhões serão aplicados pela prefeitura na
requalificação da praça dos Estivadores, a primeira
intervenção prevista. Os outros R$ 21 milhões dependem de captação pública e privada e serão destinados a três projetos:
Biblioteca Machado de Assis: R$ 8 milhões;
Conservatório da Música Preta Brasileira: R$ 8 milhões;
"Fábrica", espaço de capacitação e comercialização para empreendedores locais: R$ 5 milhões.
Para o
prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), a construção dos projetos são importantes para a preservação da memória.
"O Distrito Cultural Pequena África é memória, mas é, acima de tudo, futuro. Essa região é muito mais do que uma prioridade de governo: é absolutamente necessária para construir o futuro do Rio de Janeiro e do Brasil. Cada espaço desse projeto, do Conservatório de Música Preta à Biblioteca Machado de Assis, faz parte dessa construção", declarou.
A diretora
socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que o acordo assinado com a prefeitura permite iniciar a captação de recursos. As obras na praça dos Estivadores começarão imediatamente, enquanto os demais projetos dependem de doadores.
Segundo a dirigente, já existem investidores interessados no financiamento e na manutenção do distrito. "Não vou poder dizer quem, porque a gente pretende entregar esse pacote pronto a partir das captações."
Campello ressaltou ainda que os quatro equipamentos anunciados não representam todo o projeto. A diretora citou o Museu das Docas, em frente ao Cais do Valongo, como parte do conjunto de intervenções que seguem em andamento.
'Capítulo fundamental da história do Brasil'
Durante discurso no evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a dimensão histórica do território, que abrange os bairros da Saúde, da Gamboa e do Santo Cristo e reúne locais como o Cais do Valongo, o Cemitério dos Pretos Novos e a Pedra do Sal.
"A Pequena África é um dos territórios mais importantes da memória afro-brasileira da América Latina. A sua existência é um lembrete constante de que a escravidão, como um dos maiores crimes contra a humanidade, causou a diáspora africana no mundo", disse a ministra.
Já a
ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, afirmou que falar de reparação faz parte da construção dos
caminhos de liberdade da população negra. "Nós precisamos dessa história e falar de reparação, porque é assim que nós construímos os nossos caminhos de liberdade."
Rachel Barros acrescentou que homenagear essa memória vai além de reconhecer a violência do passado. "É falar de toda a potência que nós construímos para esse Brasil, da nossa intelectualidade, da nossa história, da nossa memória, e deixar esses equipamentos, esses símbolos visíveis para as próximas gerações", concluiu.
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