
A 3ª edição da Campanha Desperdício Zero, promovida pelo Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), já apresenta resultados expressivos nos primeiros dias de intervenção. O grande destaque até o momento é o RU Campus II (RU2), que atingiu o nível de excelência nos índices de desperdício, demonstrando que a meta institucional é plenamente possível.
Nos três primeiros dias da campanha, os dados preliminares apontam que o RU2 registrou uma média de apenas 26 g de sobra por usuário. A meta institucional estabelecida é de 45 g, o que coloca a unidade na faixa verde de excelência segundo os parâmetros técnicos adotados. Além disso, o percentual de alimento desperdiçado em relação ao total produzido caiu para 4,00% neste recorte inicial, superando a meta de 5,00%.
Crucialmente, o consumo per capita (0,645 kg na semana da campanha) se manteve estável nesta unidade do RU (0,647 kg na semana controle). Isso prova que a redução do lixo orgânico não decorre da diminuição da oferta ou do consumo, mas sim porque os usuários mudaram de hábito. Eles se serviram de forma consciente e deixaram o prato muito mais limpo ao final da refeição.

Mudanças de hábitos nas duas unidades do RU no campus sede
O bom desempenho não se restringe ao Campus II. Na média geral (somando o RU I e o RU II), o desperdício médio por usuário caiu de 52 g (semana controle) para 38 g durante a campanha, uma queda de 27%. Na prática, a média geral também superou a meta institucional de 45 g.

Dados apontam avanço em relação à campanha anterior
Quando comparados os resultados iniciais da atual edição com a 2ª edição da campanha, realizada em maio de 2026) a evolução é notória: houve uma melhora de 15,5% no desperdício médio por usuário e uma redução de 13,4% no percentual geral de alimento desperdiçado – queda de 6,64% para 5,75%. Apesar do avanço, o índice geral entre os dois RUs de 5,75% ainda não atingiu o limite de excelência – abaixo de 5% -, o que indica que ainda há desafios a serem superados na logística e no porcionamento do sistema como um todo.

O desafio da conscientização
A avaliação crítica da organização é que a campanha atua como um importante “choque” de conscientização, mas o desafio é evitar o “efeito sanfona”. Os dados mostram que, no período que antecedeu esta 3ª edição (semana controle), os índices de desperdício haviam subido em relação à média do semestre anterior (de 45g em maio para 52g em outubro).
Para o coordenador do RU, Joeder Soares, o legado da campanha deve ir além dos dias de ação. “O RU2 é a prova viva de que a meta do Desperdício Zero é totalmente possível. Nós batemos a meta de 5% e chegamos aos 4%. É um resultado de excelência que nos enche de orgulho e que vamos usar como modelo para as próximas edições em todas as unidades. No entanto, precisamos que a consciência do prato limpo dure o ano inteiro. O desperdício zero precisa ser um hábito, e não apenas um evento com brindes”, destaca o gestor.

Sobre a campanha Desperdício Zero
A iniciativa tem como objetivo sensibilizar a comunidade universitária sobre o desperdício de alimentos e construir um movimento participativo e permanente de reflexão e mudança de hábitos. Quem entrega o prato limpo na copa do RU participa de uma dinâmica que pode render brindes especiais dos parceiros da ação (Planalto, Banrisul, Cotrel Imóveis e ISM Alimentação e Serviços).
Descartar alimentos significa também desperdiçar recursos como água, energia, solo e trabalho empregados em toda a cadeia produtiva. Cada prato devolvido sem sobras representa um gesto concreto de respeito à comida, às pessoas e ao dinheiro público.
Nota técnica: Como são calculados os índices de desperdício?
Os parâmetros utilizados no painel do Desperdício Zero são baseados na literatura especializada de avaliação de Unidades de Alimentação e Nutrição, que classifica o desperdício da seguinte forma:
Desperdício Médio por Usuário (Resto-Ingesta): Obtido pela pesagem total dos restos dos pratos dividida pelo número de usuários que realizaram as refeições no período. A literatura define como excelência sobras de até 15 g; bom entre 15 g e 45 g.
Percentual de Alimento Desperdiçado: Obtido pela pesagem total dos restos dividida pela pesagem total do alimento distribuído. A classificação é: excelente (0 a 5%), bom (5,01% a 10%), regular/ruim (10,01% a 15%) e péssimo (acima de 15%).
Texto: Assessoria de Comunicação do Restaurante Universitário
Foto: Joeder Soares/UFSM
Gráficos: Painel do Desperdício/RU-UFSM
