O uso de sistemas não tripulados domina o conflito ucraniano e representa a única estratégia de resistência das forças de Kiev na linha de frente contra as tropas russas. Segundo o general da reserva dos EUA David Petraeus, nenhum país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), incluindo os Estados Unidos, promoveu até agora a transformação militar profunda exigida por esse novo cenário de combate.
Durante um evento em Washington, o ex-diretor da CIA destacou a escala da guerra de drones, observando que Ucrânia e Rússia empregam cerca de dez mil equipamentos desse tipo por dia. "Esta é uma guerra de sistemas não tripulados", disse Petraeus. "Tanques já não conseguem sobreviver nesse cenário."
Para a Ucrânia, drones e outras armas não tripuladas tornaram-se essenciais para compensar todas as desvantagens estratégicas e materiais diante de uma Rússia superior e financeiramente mais forte.
Petraeus avalia que o conflito funciona como uma prévia das guerras futuras e um alerta para os países ocidentais.
"Na verdade, nenhum país da OTAN, nem mesmo os Estados Unidos, está realizando a mudança institucional revolucionária e urgente que deveria ser adotada com base no que observamos na Ucrânia — que representa, de fato, o futuro da guerra", afirmou.
Segundo o general, os EUA precisam reformular completamente sua doutrina militar, desde a estrutura das forças e o treinamento até as compras de equipamentos e a política de pessoal. A visão é substituir parte significativa dos sistemas convencionais, dependentes de grandes contingentes humanos, por plataformas autônomas mais baratas, numerosas e adaptáveis.
"Mas minha esperança é que eles não criem apenas uma força de sistemas não tripulados em termos de estrutura, mas que também impulsionem uma verdadeira mudança institucional", afirma o general.
Zelensky afirmou, em julho, que a Ucrânia produzirá até 20 milhões de sistemas não tripulados neste ano, mas a realidade é que Kiev enfrenta dificuldades para formar operadores e obter componentes essenciais, bem como para manter as contas públicas.
Petraeus também rejeitou a ideia de que o envolvimento dos EUA no conflito com o Irã impeça apoio a Kiev, mas reconheceu que o consumo significativo de interceptadores antimísseis prejudicou os embarques para a Ucrânia, referindo que ajudas a Kiev "são decisões de política".


