Escola Família Agrícola Agroecológica do Pantanal busca fortalecer a Educação no Campo e reduzir êxodo rural

26/10/2026 às 01:220 visualizações
26/10/26 |   Agricultura familiar  Agroecologia e produção orgânica
Escola Família Agrícola Agroecológica do Pantanal busca fortalecer a Educação no Campo e reduzir êxodo rural

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A Embrapa Pantanal apoia a consolidação da EFAAP desenvolvendo ações junto aos residentes e alunos contribuindo para um efeito multiplicador de formação técnica para produção agroecológica

Está sendo implementada, no Município de Corumbá e Ladário (MS) a Escola Família Agrícola Agroecológica do Pantanal (EFAAP) - uma proposta que visa ampliar o acesso à educação no campo e criar oportunidades para que jovens rurais permaneçam em seus territórios. A escola irá oferecer ensino médio profissionalizante voltado à realidade da agricultura familiar, com formação teórica e atividades práticas nas propriedades rurais. Criada em 2024, a Associação
da Escola Família Agrícola Agroecológica do Pantanal surgiu em resposta aos desafios sociais, econômicos e ambientais enfrentados pelas comunidades rurais. A organização tem como objetivo fortalecer a educação do campo, sob o tripé pedagógico da produção agroecológica, da agroindustrialização sustentável e a comercialização solidária, fortalecendo e ampliando a articulação entre associações, sindicatos, movimentos sociais, entidades governamentais,
empresas de pesquisas e universidades.

Segundo o presidente da Associação da Escola Família Agrícola Agroecológica do Pantanal (AEFAAP), Sérgio da Silva Pereira, a proposta pedagógica será estruturada em três eixos principais: produção agroecológica, transformação dos produtos por meio da agroindústria e comercialização solidária. “A intenção é aproximar o conteúdo escolar das atividades desenvolvidas pelas famílias agricultoras, contribuindo para a diversificação da produção e a geração de renda. A iniciativa busca enfrentar a falta de oportunidades educacionais para jovens dos assentamentos e contribuir para a redução do êxodo rural, oferecendo conhecimentos técnicos que permitam aos estudantes aprimorar a produção agrícola, desenvolver atividades de agroindustrialização e ampliar as possibilidades de comercialização dos produtos”, explicou Sérgio. A expectativa é que a formação profissional contribua para que os jovens encontrem novas possibilidades de trabalho e empreendedorismo no meio rural, sem que precisem deixar suas comunidades para continuar os estudos ou buscar qualificação.

O professor licenciado em educação do campo - habilitação em ciências da natureza (CN), Dervile Ricieri Tenutti, explica que o modelo educacional adotado será o da pedagogia da alternância. “Este modelo pedagógico é uma metodologia consolidada que promove a integração entre teoria e prática ao intercalar períodos de formação escolar com atividades desenvolvidas nas comunidades rurais. A abordagem busca fortalecer o vínculo entre o conhecimento científico e a realidade cotidiana dos estudantes, valorizando o saber local e estimulando a aplicação imediata do aprendizado”, explica Dervile.
“A dinâmica do programa prevê ciclos de 15 dias em que os estudantes permanecem na escola, participando de aulas teóricas, práticas e oficinas voltadas para o desenvolvimento de competências técnicas e sociais. Nos 15 dias seguintes, retornam às suas casas e comunidades, onde, junto às famílias, têm a oportunidade de aplicar os conteúdos assimilados em sala de aula no contexto real da produção agrícola e da vida rural. Todo esse processo é acompanhado
de perto pelos professores, nos Centros de Referência, que orientam e monitoram a aplicação prática do conhecimento, garantindo a coerência entre formação escolar e experiência vivencial”, detalha o professor.

Ele explica, ainda, que ao promover essa alternância, busca-se não apenas a formação técnica, mas também o fortalecimento da identidade cultural e comunitária dos jovens, estimulando o protagonismo no desenvolvimento sustentável das regiões rurais. Trata-se de uma metodologia que alia educação de qualidade, valorização da agricultura familiar e compromisso com a transformação social, em consonância com os princípios que norteiam a
educação do campo. “Assim, ao concluírem o ensino médio, esses jovens estarão preparados para empreender em seus próprios negócios ou para aprimorar as atividades já desenvolvidas pelas famílias, fortalecendo a agricultura familiar como base da produção de alimentos e da sustentabilidade rural. A proposta valoriza práticas de gestão coletiva, cooperação entre comunidades e o protagonismo dos agricultores, estimulando a organização em redes solidárias e o
compartilhamento de saberes. A nossa meta é iniciar com 80 alunos já em março de 2027”, concluiu Dervile. 

A princípio, o projeto prevê a utilização de uma área com aproximadamente 3 hectares no Assentamento Taquaral, pertencente à Prefeitura de Corumbá-MS, onde existe uma edificação anteriormente utilizada pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer).
Para viabilizar a metodologia, o projeto prevê uma estrutura com alojamentos, áreas de convivência e lazer, além de laboratórios. A formação deverá integrar conhecimentos técnicos, experiências locais e práticas agroecológicas, nos territórios e Centros de referências, que servirão de vitrine para as tecnologias sociais e espaços para aulas coletivas e acompanhamentos de professores e pesquisadores, considerando as necessidades e potencialidades da região pantaneira.

Transferência de tecnologia da Embrapa
A pesquisadora da Embrapa Pantanal, coordenadora das atividades desenvolvidas pela empresa de pesquisa no projeto, Raquel Soares Juliano, explica que a equipe da Unidade contribuirá para um efeito multiplicador de formação técnica para produção agroecológica: “Vamos realizar oficinas participativas sobre as tecnologias mais aplicáveis à realidade local, além da implantação de experimentos no Centro de Referência no Assentamento Taquaral e apoio logístico para a realização da feira semanal”, detalha.

“A ideia é que, a partir de 2027, sejam abordadas tecnologias e temas como: Dessalinizadores solares, Biodigestores, Apicultura e Meliponicultura, Uma Só Saúde, Biosseguridade e Biossegurança na produção animal, com a finalidade de trazer desenvolvimento ao contexto rural, com soluções simples, de baixo custo e sustentáveis. Tecnologias essas, que incentivam a diversificação da produção alimentar e que possam ser replicadas e adaptadas em outras comunidades, fomentando a agroecologia e as tecnologias sociais”, explicou Raquel “As atividades propostas pela Embrapa visa contribuir para o desenvolvimento de uma economia solidária que se sustente, garantindo a conservação do meio ambiente e as relações humanas, trazendo para o projeto a perspectiva de intervir positivamente na realidade ambiental e social das comunidades”, conclui a pesquisadora.

Produtos comercializados na Feira de Corumbá
As famílias de agricultores já contam com um espaço na feira realizada às sextas feiras localizada na Av. Joaquim Venceslau de Barros esquina com a Av. Sete de Setembro, no município de Corumbá-MS. Os produtos comercializados são vinculados à rede da Associação da Escola Família Agrícola Agroecológica do Pantanal (AEFAAP) e todos os produtores vinculados à rede podem comercializar seus produtos nesta barraca. “O projeto conta atualmente com quatro residentes do Programa Residência Agrária (SEMADESC/UFGD) responsáveis por articular os produtores locais e organizar a oferta de produtos disponíveis para comercialização. Em cada feira, dois agricultores familiares participam da exposição acompanhados por um residente, que atua como facilitador no processo de integração entre produção e mercado. Essa dinâmica fortalece a cooperação comunitária, estimula a diversificação da produção e garante que os alimentos cultivados pelas famílias cheguem diretamente aos consumidores, valorizando o trabalho coletivo e a sustentabilidade da agricultura familiar. A cada edição, buscamos ampliar a participação e a divulgação, consolidando a feira como espaço de troca, aprendizado e fortalecimento das
comunidades rurais”, explica Dervile.

Essa forma de comercializar segue os princípios da comercialização solidária, que busca valorizar o trabalho dos agricultores familiares e promover a justa distribuição dos resultados. “É uma chamada a todos os agricultores que desejam colocar seus produtos à disposição da comunidade. Do total das vendas, 70% permanece com o produtor, 20% é destinado a AEFAAP para apoiar a estrutura da feira e 10% para a coordenação responsável pela comercialização”, explica o professor. A iniciativa tem como objetivo organizar de maneira eficiente a feira, criando um espaço de cooperação e fortalecimento da economia local. A longo prazo, a proposta é implantar um mercado permanente da agricultura familiar, consolidando um canal direto entre produtores e consumidores. “Esta barraca representa uma semente, o embrião do mercado da agricultura familiar, o início de um processo que valoriza a produção coletiva e abre caminho para o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais, garantindo qualidade, diversidade e soberania alimentar”, complementa.

Parcerias e articulação comunitária
A AEFAAP conta com o apoio de organizações sociais, movimentos populares e instituições de ensino. Entre os parceiros estão a Embrapa Pantanal, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEMADESC), Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (AGRAER), Secretaria Executiva da Agricultura Familiar de Corumbá (SEAF), Secretaria Municipal da Educação (SEMED)Paróquia Dom Bosco da Diocese de Santa Cruz de Corumbá, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), além do apoio de emendas parlamentares.

Raquel Brunelli Davila (DRT 113/MS)
Embrapa Pantanal
Contatos para a imprensa: raquel.avila@embrapa.br
Telefone: 67 3234–5955

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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Fonte
Embrapa
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