EUA e China ajustam trégua tarifária antes do encontro entre Trump e Xi em Washington, diz mídia

20/09/2026 às 10:522 Aufrufe
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Segundo a mídia norte-americana, as conversas entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice‑primeiro‑ministro da China, He Lifeng, em Nova York, buscam preparar o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, marcado para a próxima quinta-feira (24) em Washington.
A reunião ocorre após meses de negociações em países neutros e em um momento em que ambos tentam preservar a trégua tarifária que expira em novembro, ainda pressionados por tensões comerciais, e outros temas, como os avanços da inteligência artificial (IA) e riscos energéticos ligados ao conflito iniciado por EUA e Israel contra o Irã.

Mas a urgência na reunião também pode ser interpretada em razão da proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA. Neste sentido, evitar choques econômicos, especialmente porque a inflação segue como preocupação dos eleitores, está na pauta do secretário norte-americano.

Analistas consultados pela apuração apontam que Washington já não prioriza transformar a relação com Pequim, mas sim evitar escaladas e manter a estabilidade alcançada durante negociações realizadas na cidade sul-coreana de Busan. De acordo com a apuração, o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, integra a delegação norte-americana e defende equilíbrio comercial, melhor acesso ao mercado e monitoramento de compromissos recentes.
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Enquanto isso, possíveis novas tarifas foram adiadas até depois da reunião, enquanto EUA e China trabalham para reduzir barreiras sobre produtos agrícolas e energéticos, em um pacote estimado em US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 168,9 bilhões). As exportações chinesas aos EUA cresceram neste ano, impulsionadas pela demanda por eletrônicos ligados à IA, evidenciando limites das tarifas norte-americanas.

A escolha de Nova York como sede, no entanto, sugere conveniência pela Assembleia Geral da ONU (AGNU) e indica que a próxima rodada pode ocorrer na China, em gesto de reciprocidade.

Ainda segundo a mídia, Pequim cogita tratar de tarifas e agricultura, enquanto IA, automóveis, tecnologia e comércio eletrônico devem dominar a pauta. Em razão disso, deve incluir a BYD na delegação empresarial de Xi, movimento sensível diante das tarifas norte-americanas sobre veículos elétricos. Entretanto, este está longe de ser o tema mais sensível para o gigante asiático, que certamente deve abordar a planejada venda de armas dos EUA para Taiwan.
Mas a restrição de Washington a chips avançados à China fez com que a IA se tornasse o novo ponto de atrito entre eles. Enquanto Washington acusa empresas chinesas de extrair capacidades de tecnologia norte-americana, Pequim classifica as preocupações dos EUA como alarmismo. Neste setor, apenas a necessidade de salvaguardas e comunicação para evitar riscos compartilhados continua sendo um ponto comum entre eles.
Em paralelo, a ampliação das sanções dos EUA contra o Irã e a China (já que Pequim é a maior compradora de petróleo iraniano), que pode ser afetada por restrições financeiras e pelo bloqueio naval norte-americano, deve ser outro ponto de tensão no encontro.
Para Washington, manter o fluxo de terras raras e conter o avanço tecnológico chinês são prioridades estratégicas, enquanto Pequim tenta equilibrar suas necessidades energéticas e sua posição geopolítica em meio a tensões crescentes.
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