Logo após chegada de Xi Jinping, EUA anuncia prorrogação da trégua comercial até janeiro de 2027

Por Mauro Ramos24/09/2026 às 11:2525 visualizações
Presidente chinês Xi Jinping chega à Base Aérea Conjunta Andrews em 23 de setembro de 2026 para uma visita de Estado aos Estados Unidos a convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Li Xiang / Xinhua via AFP
Presidente chinês Xi Jinping chega à Base Aérea Conjunta Andrews em 23 de setembro de 2026 para uma visita de Estado aos Estados Unidos a convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Li Xiang / Xinhua via AFP
Brasil de Fato

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou que, em negociações com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, os dois países decidiram estender por mais dois meses a chamada “trégua comercial” acordada na reunião de Busan, na Coreia do Sul, em outubro do ano passado. A suspensão temporária de medidas e contramedidas comerciais, anunciada em entrevista dada pelo secretário à Fox News, vencia em 10 de novembro e passou para 10 de janeiro.

O anúncio foi feito logo após a chegada do presidente chinês Xi Jinping na quarta-feira (23) a Washington para uma visita de Estado, a primeira de Xi em mais de uma década.

A última viagem do presidente chinês aos EUA foi em 2023, quando participou da 30ª Reunião de Líderes Econômicos da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês) e se encontrou com o presidente Joe Biden, sem ser considerada formalmente uma visita de Estado.

Bessent e He se reuniram na sede do Banco Mundial em Washington na quarta-feira. No domingo, ambos se reuniram com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, durante 12 horas em Nova York.

“Ficamos com algum trabalho inacabado. Nos reunimos hoje para ver se poderíamos chegar a um acordo maior em vez de uma série de coisas menores”, disse Bessent à emissora estadunidense.

O acordo ’30 por 30′

Bessent mencionou ainda o mecanismo que chamou de “30 por 30”: a eliminação de tarifas sobre bens no valor de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 165 bilhões) de cada lado. Cada país escolhe ou sugere produtos para reduzir tarifas ou zerá-las. O acordo exclui os chamados produtos sensíveis para a segurança nacional. Ambos os países têm aplicado restrições de exportação a esse tipo de produtos, embora a China tenha tomado essas medidas mais como resposta a imposições do governo estadunidense.

A proposta surgiu da reunião que Xi e Trump realizaram em Pequim em maio deste ano. Bessent disse esperar anúncios sobre serviços financeiros e compras agrícolas. Em relação aos compromissos feitos sobre importações do setor agropecuário, o secretário disse que a China tem cumprido a maior parte, mas está atrasada em alguns: comprou 25 milhões de toneladas de soja, mas ainda teria que adquirir cerca de US$ 17 bilhões (cerca de R$ 93 bilhões) em outros produtos agrícolas.

Reunião de mandatários

Xi e Trump se reúnem na manhã desta quinta-feira (24) na Casa Branca. A agenda inclui um jantar de Estado, do qual devem participar Sam Altman, da empresa de inteligência artificial OpenAI, Jensen Huang, da fabricante de chips Nvidia, e Elon Musk, da Tesla. Estes dois últimos viajaram com Trump para Pequim em maio deste ano.

Bessent destacou que é possível que os dois mandatários cheguem a se reunir presencialmente quatro vezes este ano. Trump viajará novamente para a China para participar da 33ª Reunião de Líderes Econômicos da Apec em Shenzhen, no sul do país, de 18 a 19 de novembro de 2026; e Xi deve ir a Miami para a reunião do G20.

O acordo de Busan

A suspensão de parte das tarifas e contramedidas entre as duas maiores economias do mundo havia sido acordada em 30 de outubro de 2025, quando Xi e Trump se reuniram em Busan, na Coreia do Sul. O acordo eliminou a tarifa adicional de 10% imposta pelos EUA sob alegação de combate ao fentanil e suspendeu por 12 meses a tarifa recíproca de 24% sobre mercadorias da China, Hong Kong e Macau.

Pequim, por sua vez, suspendeu contramedidas equivalentes, entre elas controles de exportação no setor de terras raras. O acordo também suspendeu por um ano as investigações dos EUA sobre os setores marítimo, logístico e de construção naval chineses.

Fonte
Brasil de Fato
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