‘Quando um governo não é reconhecido, abre-se a porta para romper qualquer tipo de acordo’, diz internacionalista

Eftir José Bernardes25/09/2026 às 00:2324 skoðanir
Trump afirma que ataques foram suspensos a pedido do Teerã, mas Irã nega
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Brasil de Fato

A ingerência do governo Donald Trump no processo eleitoral brasileiro, que antes era encarada como uma possibilidade por analistas internacionais, tem se materializado em evidência concreta, com destaque para o teor do discurso do presidente estadunidense nas Nações Unidas e o acordo com 14 países latino-americanos que formam o Escudo das Américas de classificar de terroristas organizações criminosas, entre elas o PCC e o CV.

Um grupo de parlamentares democratas dos EUA enviou uma carta ao Departamento de Estado do país manifestando preocupação com as possíveis interferências nas eleições de outubro.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), destaca que a interferência de Trump no Brasil começou precisamente no ano passado, quando houve a imposição do tarifaço, depois revogado pela Suprema Corte estadunidense. Na ocasião, o presidente dos EUA ameaçava aleatoriamente o mundo todo, mas, mesmo assim, já era o prenúncio do que está sendo realizado agora.

“Em determinado momento, o Brasil, junto com a China, estava tarifado em 50%. Eram os dois países mais tarifados. Era uma clara pressão sobre o governo Lula”, avalia, ponderando que, ainda assim, Lula sempre buscou mecanismos diplomáticos de negociação.

Maringoni considera grave a manobra de Trump usando o Escudo das Américas, especialmente porque o conceito de nacorterrorismo, como lembra o professor, é algo novo e criado pela extrema direita. Esse processo é perigoso porque abre precedente para ações militares na América Latina em um momento de isolamento do Brasil.

“O que implica é que, além de ser um grupo que age à margem da lei, você tem um projeto político de mudança de governo ou de regime e é capaz de cometer atos violentos contra a população civil. Essa denominação de ataque terrorista abre uma situação em que Trump vai lançar mão de mecanismos que estão adormecidos na gaveta, que é o Tratado Interamericano de Auxílio Recíproco, que foi firmado ainda na Guerra Fria. É uma espécie de Otan latino-americana”, alerta.

No documento dos parlamentares democratas, há menção expressa ao encontro de Trump com o candidato Flávio Bolsonaro (PL). O grupo signatário pede que a Casa Branca respeite e reconheça o resultado das eleições no Brasil.

Maringoni aponta a gravidade do cenário e lembra o processo de deslegitimação das eleições na Venezuela, iniciado em 2024, e que culmina no ataque de 3 de janeiro com o sequestro do presidente Nicolás Maduro. “Quando você não reconhece um governo, abre-se a porta para romper acordos, sejam acordos de cooperação, comerciais, militares, de todo o tipo. Porque se considera que a força incumbente é ilegítima”, alerta.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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