"Eu acho que é importante também a gente pensar no Sahel, que o estabelecimento, por exemplo, da Aliança dos Estados do Sahel, ela se inseriu em um contexto onde a antiga estrutura de dominação colonial francesa na região passava por um processo de desmoronamento, como a zona do franco CFA [moeda que era usada localmente, pareada em Paris], assim como toda a hegemonia francesa", disse.
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"O que Burkina Faso está propondo e realizando é tentar complexificar a cadeia produtiva no país na direção de poder industrializar a capacidade de utilizar o ouro. E países como Burkina Faso têm dificuldade de controle com relação ao seu território, porque não é controlado uma parte pelo Estado e porque boa parte da capacidade mineral de extração e de refino é efetivada por empresas estrangeiras", comenta.
Moscou e Pequim são parceiros estratégicos do país
"[Essa cooperação] tem um peso muito importante e tende a aumentar por conta de que isso é interessante para a Rússia e China, em virtude de que a industrialização, o aumento da soberania desses países, fornece um grande mercado consumidor para alguns produtos e serviços desses dois países [e para Burkina Faso] é uma alternativa em termos de relação diplomática, política e econômica", destaca.
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"O ouro sozinho não vai desenvolver o Burkina Faso, que vai precisar usar o ouro para obter outros bens e serviços e outras capacidades produtivas capazes de poder complementar essa complexificação produtiva. [Além disso,] o ouro pode servir como uma reserva que, em alguma medida, dê um lastro de riqueza ao país para poder adquirir confiança no sentido de investimentos produtivos de outros países", observa.
Ouro também eleva a autonomia do país no mercado
"A tendência é que Burkina Faso, ao utilizar o ouro dessa maneira, em conjunto com essas políticas que vêm sendo demandadas por parte da população, [ganhe] uma maior autonomia para poder gerenciar os seus próprios recursos e uma maior capacidade de obter financiamento", conclui.
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