‘Terrorismo é único mal que assola Burkina Faso’, afirma ativista

Автор Tatiana Carlotti13/10/2026 às 23:570 просмотры
Traoré
Traoré
Brasil de Fato

O presidente de Burkina Faso, capitão Ibrahim Traoré, completou seus quatro anos no comando do país inaugurando a Raffinor-BF, primeira refinaria nacional de ouro do país. “O ouro de Burkina Faso não deve mais ser apenas extraído em Burkina Faso. Deve ser transformado, controlado, valorizado e certificado em Burkina Faso”, declarou o capitão Traoré.

A iniciativa é financiada pelo Estado em parceria com o setor privado nacional e tem capacidade anunciada de processar 164 toneladas de ouro por ano. O país vem reorganizando seu setor mineral: em 2024, Burkina Faso aprovou um novo código de mineração que amplia a participação do Estado nas empresas do setor, estabelece contribuições para fundos de desenvolvimento nacional e introduz novas obrigações fiscais.

Esse movimento é acompanhado por uma verdadeira guerra contra grupos jihadistas, principalmente organizações vinculadas à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, que aterrorizam extensas áreas do país, levando deslocamentos por todo o país e intensificando as dificuldades de abastecimento.

Tibin, aldeia situada a 75 km da capital Ouagadougou, vem sofrendo com esse processo. Segundo Salfo Sawadogo, morador da aldeia e fundador da Associação Tibin Mebo (ATB), antes dos ataques, a população da aldeia era de cerca de 1.500 moradores. Agora, são mais de dois mil.

“Muitos já voltaram para suas casas de origem, mas a natureza sofreu um impacto. Contabilizando algumas pessoas deslocadas que não puderam retornar, somos mais de 2.000 habitantes”, aponta. Tibin, detalha Sawadogo, possui apenas dois poços, uma escola de três séries e não tem posto de saúde. “O mais próximo fica a 6 km”, afirma.

Sua entidade surgiu há cerca de quatro ou cinco anos para combater as dificuldades criadas pela seca na região. “A distribuição irregular das chuvas no espaço e no tempo provoca períodos de seca e as consequências são safras ruins, morte de animais domésticos, aceleração da erosão”, relata Sawadogo.

Frente a isso, ele organiza campanhas de formação nas áreas de saúde, saneamento, proteção ambiental e, também, atividades voltadas à geração de renda. A organização atua “em estreita colaboração com as aspirações do atual governo” e há uma colaboração com as autoridades.

“Minha aldeia, assim como muitas outras, encontra-se nessa situação. Mas o governo central vem envidando esforços para impulsionar o desenvolvimento, embora tenhamos muito a fazer”, explica.

Terrorismo

“Atualmente, o terrorismo é o único mal que assola o Burkina Faso. Se conseguirmos, e acredito firmemente que sim, derrotar esse flagelo, o desenvolvimento em todos os níveis de atividades que o camarada presidente prometeu será uma realidade”, avalia.

Sawadogo relata que a luta se intensificou consideravelmente com a ampliação do efetivo da Defesa da Pátria (VDP), o fornecimento de armamento de última geração, a mobilização das tropas de combate e da população burquinense em geral.

Dados oficiais apontam que mais de 1,3 milhão de pessoas deslocadas pela violência conseguiram retornar às suas cidades; e mais de 74% do território foi recuperado pelo governo.

“Nós temos avanços muito significativos. Muitas localidades sob o domínio dos terroristas foram libertadas. Populações deslocadas retornaram e a administração pública, que estava ausente, foi restabelecida”, confirma o ativista.

“Atualmente, a situação está sob controle. O desenvolvimento anda de mãos dadas com a defesa do território, e muitas obras estão em andamento”, apontou. Sobre Traoré, em particular: “ele detém apoio da população local e é aclamado por todos os lados, implementando uma política de respeito mútuo, de igual para igual”.

Burkina Faso acusou, em junho de 2026, a França de prestar um apoio ativo a redes terroristas que operam no Sahel. Este foi um dos principais motivos do rompimento definitivo das relações diplomáticas do país com a França. Em 26 de junho de 2026, o governo burquinense acusou o Palácio do Eliseu de manter ambições neocoloniais.

“Diante desses planos imperialistas de dominar nosso país e subjugar nosso povo, escolhemos o caminho da responsabilidade e da soberania”, declarou o ministro das Comunicações de Burkina Faso, Gilbert Ouédraog.

Sawadogo sintetiza a relação entre os dois países: “a França não apenas apoia o terrorismo, ela é o próprio terrorismo no Sahel”. “É realmente uma boa iniciativa romper com essa França que está nos prejudicando”, avalia.

A ruptura escalada já no primeiro ano de governo, em janeiro de 2023, quando Traoré expulsou o embaixador francês Luc Hallade, acusado de interferir em assuntos internos do país. Ele exigiu a retirada das tropas francesas do país e outros três diplomatas foram expulsos no ano seguinte. Acordos militares bilaterais foram suspensos.

“Em vez de nos deixar viver nossa verdadeira independência, a França continua a nos impor muitas coisas. Ela se intromete até o mais alto escalão do Estado, a ponto de nos impor presidentes em detrimento de outros. Somos nós, burquinabês, que vivemos aqui, ou é a França, localizada a milhares de quilômetros de distância, que deve saber o que é bom ou ruim para nós?”, questionou o ativista.

A guinada diplomática também mexeu com os meios de comunicação franceses, que foram expulsos do país, abrindo um flanco para críticas em torno da liberdade de imprensa e dos direitos humanos.

Ao ser questionado sobre o tema, Sawadogo é categórico: “Nós, burquinenses, estamos atualmente trabalhando e nos empenhando, antes de tudo, para preservar nosso direito fundamental: o direito à vida. O resto não passa de palavras, pois é preciso viver antes de se pensar em qualquer outra coisa.”

Relações com outros países

Em dezembro de 2023, Moscou reabriu sua embaixada em Ouagadougou, depois de 31 anos de fechamento, marcando uma nova fase de cooperação militar e energética, incluindo a construção de uma usina nuclear de tecnologia russa.

Junto ao Mali e Niger, Burkina Faso formalizou, em julho de 2024, a Aliança dos Estados do Sahel, que prevê cooperação militar, livre circulação de pessoas e mercadorias, criação de mecanismos próprios de financiamento e desenvolvimento.

Os três países integravam a África Ocidental Francesa (AOF) até entrarem na guerra de independência em 1960: o Níger em 3 de agosto, Burkina dois dias depois, e Mali no mês seguinte. Em 1984, o governo revolucionário de Thomas Sankara renomeou o país de Haute Volta para Burkina Faso, que significa “terra dos homens íntegros”.

Para o ativista, a chegada de Traoré, que reivindica o legado de Sankara, representou uma mudança nas condições de segurança e nas perspectivas de desenvolvimento nacional. “Uma grande parte do Burkina Faso foi libertada com a chegada do camarada capitão Ibrahim Traoré. A situação era caótica antes de sua chegada, com deslocamentos em massa da população e perdas de vidas humanas”.

Sawadogo também fez questão de frisar que, embora a imprensa internacional foque nas guerras, a violência não é parte da cultura de Burkina Faso. “Nós somos um país de paz, de pessoas íntegras, dignas e trabalhadoras. Burkina Faso é um país hospitaleiro e que respeita o próximo como a si mesmo”, afirmou.

As atrações turísticas e culturais para o turismo brasileiro não faltam, afirmou ele, ao citar o Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou (FESPACO), o Salão Internacional de Artesanato de Ouagadougou (SIAO), a Semana Nacional da Cultura (SNC) e a mais conhecida: a volta ciclística de Burkina Faso. “São grandes eventos, estão todos convidados”, concluiu.

Источник
Brasil de Fato
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