Vitória de Lula seria símbolo na América Latina de resistência à ingerência dos EUA, analisa especialista

Por José Bernardes16/10/2026 às 23:384 visualizações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 7 de maio de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 7 de maio de 2026
Brasil de Fato

O parlamentares estadunidenses que questionaram formalmente a Casa Branca sobre a tentativa de interferir nas eleições brasileiras receberam um retorno que, contudo, não responde à pergunta. O governo Donald Trump simplesmente disse que apoia o direito dos brasileiros a escolher seu presidente e que vai reconhecer os resultados das eleições.

No entanto, na carta, o governo Trump defende as sanções aplicadas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A analista internacional Amanda Harumy avalia que a resposta da Casa Branca aos questionamentos dos parlamentares demonstra que a interferência tem se dado de forma silenciosa e não de ataques diretos, como Trump já fez. “Há indícios de que eles fizeram uma pesquisa no Brasil sobre o impacto de ingerência direta e que isso poderia fazer surgir um sentimento nacionalista que renderia pontos ao Lula”, aponta em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Harumy, no entanto, reforça que, embora discreta, não faltam indícios dessa interferência, e uma delas foi a da Meta, já que funcionários admitiram em mensagens internas prejuízos à campanha de Lula e favorecimento de Flávio. A empresa, contudo, oficialmente falou em “falhas”, mas negou intencionalidade. “A interferência está acontecendo de forma explícita pela comunicação política, pelos algoritmos e pela capacidade de influência da Meta em uma disputa política”, aponta.

A analista reforça que Flávio “é um fantoche dos EUA”, então, para Trump, seria muito mais vantajosa a vitória dele. “Flávio já falou mais de uma vez que as terras raras podem ser a solução para a disputa tecnológica e energética dos EUA [contra a China]. É isso que está em disputa nas eleições brasileiras”, avalia.

Amanda Harumy considera que o Brasil tem mais condições do que outros países da América Latina para conseguir se defender da ingerência dos EUA nas eleições. “Em Honduras, bastou um tuíte do Trump para desestabilizar o país”, lembra. “A vitória do Brasil significaria a capacidade de resistir a essa ingerência. É um sinal para todo o continente”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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