Ele também admitiu a possibilidade de um
encontro entre Putin e Trump durante a cúpula e afirmou que
Washington está aberto ao diálogo com a Rússia.
Putin não participa presencialmente de uma
cúpula do G20 desde 2019, quando o encontro ocorreu no Japão. A cúpula seguinte, em Riad, Arábia Saudita, se deu de maneira virtual por conta da pandemia de covid-19 e, desde então, o presidente russo se mantém afastado dos encontros.
Em entrevista à Rádio Sputnik, o analista geopolítico Raphael Machado e a doutora e mestre em Ciência Política pela Universidade do Estado do Rio (UERJ) e Clarisse Gurgel, professora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) avaliaram o simbolismo e os impactos do convite e possível ida de Putin aos EUA.
"O significado político primário é do fracasso da tentativa de isolar a Rússia da tentativa de excluir a Rússia do sistema mundo. Desde antes da operação militar especial, mas especialmente a partir dela existe um esforço por tentar apagar a Rússia do mapa, cancelar a Rússia", ressaltou Machado.
O analista destacou algumas sanções e boicotes por parte de países europeus e dos Estados Unidos, bem como tentativas de incitar a população russa contra o governo Putin:
"Uma das expectativas iniciais do ocidente era de que repentinamente haveria grandes protestos, protestos em massa contra o Vladimir Putin, contra o Rússia Unida, porque aí o cidadão russo não ia ter mais, enfim, acesso a uma série de outros aplicativos, mas nada disso aconteceu", afirmou.
Para a professora da Unirio, Trump tem consciência da força da Rússia e do próprio Putin e de como o isolamento de Moscou é prejudicial para os EUA. "O próprio Trump não sustenta essa dicotomia com a Rússia, até porque essa dicotomia com a Rússia já não tem mais o feitio de uma dicotomia de guerra fria."
Ela lembrou, inclusive, que não há inimizade por parte de Trump ao seu homólogo russo, nem à Rússia.
"A gente precisa lembrar que existe até uma certa reverência do presidente Trump em relação ao Putin, principalmente porque o Trump não ignora a força da Rússia e do próprio Putin e o fracasso que está se evidenciando aí na Ucrânia."
Machado considerou que
há pressão interna nos Estados Unidos para que haja uma
retomada das relações econômicas com a Rússia e sua participação em fóruns internacionais, após tensionamento na época do governo do Joe Biden.
O retorno da Federação da Rússia ao G20, acrescentou o analista geopolítico, aponta para uma mudança de rumo da geopolítica externa em relação ao governo Putin, pese o
apoio estadunidense à Ucrânia e o regime de sanções vigente.
Em face da instabilidade internacional no setor do petróleo, essa reaproximação também pode favorecer a Rússia na redução de sanções no setor energético, em que o país é "extremamente estratégico pela matriz econômica em que essas commodities desempenham uma função bastante importante".
"É, sim, vantajoso para a Federação da Rússia se engajar nesse diálogo com os EUA para também colocar para escanteio certas lideranças europeias, mais vocalmente beligerantes em relação à Rússia", avaliou Machado.
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