Nova fase da Carbono Oculto mira Banco Genial e empresa usada por Vorcaro para bancar ‘Dark Horse’

24/09/2026 às 11:500 visualizações
Nova fase da Operação Carbono Oculto, a Crédito Oculto
Nova fase da Operação Carbono Oculto, a Crédito Oculto
Brasil de Fato

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira (24), a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto. Segundo a Receita, são cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas e 19 empresas em sete estados, 26 deles em São Paulo.

Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá. As buscas também atingem o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos, que fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) nas investigações sobre o Banco Master.

A Entre é a empresa usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, para enviar ao menos US$ 12,3 milhões ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas (EUA) que financiou “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Freixo relatou à PGR que fez os pagamentos a pedido de Vorcaro. Os aportes foram pedidos ao banqueiro pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito sobre o financiamento do filme.

Na investigação desta fase, a Entre aparece no fluxo de dinheiro. De acordo com o Estadão, a usina sucroalcooleira usada no esquema recebeu R$ 20 milhões da empresa de Freixo.

Os mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva (SP). Participam da ação a Secretaria da Fazenda e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, as polícias Civil e Militar e os Gaecos de Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Compra da Terrana

A investigação apura como o grupo liderado pelos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, teria ocultado sua participação na compra da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana. Os dois não estão entre os alvos desta fase. Segundo o Estadão, estão foragidos desde a primeira fase da Carbono Oculto, em agosto de 2025, e são acusados de manter ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Terrana, que chegou a figurar entre as dez maiores distribuidoras do país, foi adquirida em 2024. Os investigadores estimam que o negócio tenha custado até R$ 153 milhões.

De acordo com o Gaeco, R$ 100 milhões do grupo passaram em poucos minutos por contas de empresas usadas apenas como passagem até chegar à Usina Itajobi, em Marapoama (SP). O dinheiro foi aplicado no fundo Radford, criado para o negócio, que comprou um certificado de depósito bancário vinculado no Banco Genial. O banco, por sua vez, emprestou o mesmo valor a duas holdings, Berna e Branson, constituídas pouco antes da compra, que adquiriram a distribuidora. Para a Receita, a estrutura criou um fluxo circular que dava aparência legal à operação e escondia os verdadeiros beneficiários.

Ainda segundo os investigadores, o executivo Paulo Narcélio Simões do Amaral teria emprestado seu nome às holdings em troca de comissão. O advogado Rogério Garcia Peres, sócio da administradora Altinvest, é apontado como operador do esquema. A Receita informou que a empresa financeira usada na ocultação da usina movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

Papel do Genial

Para os promotores, o banco não atuou apenas como intermediário financeiro. Mensagens extraídas do celular de Narcélio, apreendido em fase anterior, indicariam a participação dos três irmãos Tupinambá na montagem da estrutura e contatos diretos com Primo sobre os planos para a distribuidora. “Torna-se nítido que o papel do Banco Genial não se restringiu à operação financeira”, escreveram, segundo o Estadão.

Ao Gaeco, o Genial afirmou que aprovou o crédito às holdings com base na reputação de Narcélio no mercado. Disse ainda que, após a primeira fase da Carbono Oculto, renunciou à administração do fundo Radford e liquidou o certificado.

Elo com a Reag

Segundo as investigações, Beto Louco e Primo teriam dado continuidade a um esquema que já mantinham com a Reag Investimentos, gestora que foi alvo da primeira fase da operação e acabou liquidada pelo Banco Central. O dono da Reag, João Carlos Mansur, também fechou acordo de colaboração com a PGR, o segundo ligado ao caso Master, depois do de Freixo.

Fonte
Brasil de Fato
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