Antes do Balcão Virtual e dos canais digitais de atendimento, uma ligação telefônica inaugurou uma nova etapa na história do Judiciário cearense. Criado em 10 de dezembro de 1996, o TeleJustiça nasceu com a missão de aproximar a população dos serviços do Poder Judiciário e realizou seu primeiro atendimento ainda no dia da inauguração, quando um cidadão buscou orientações sobre uma ação de usucapião. O que começou como um meio de informação tornou-se a base de um modelo de atendimento que hoje é referência em acolhimento, acessibilidade e humanização no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
Essa trajetória foi celebrada nessa segunda-feira (21/09), durante programação especial realizada no átrio da sede do TJCE. O evento reuniu magistradas(os), servidoras(es), colaboradoras(es) e representantes de instituições parceiras para relembrar os 30 anos do serviço e destacar avanços relacionados à inovação, acessibilidade e qualificação do atendimento prestado à população.
O presidente do TJCE, desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, destacou o contexto em que o TeleJustiça foi criado e a mudança promovida pelo serviço no período em que o atendimento ainda dependia do deslocamento até as unidades. “O TeleJustiça surgiu como uma novidade. Não havia o acesso que há hoje ao Judiciário. É uma estrutura que evoluiu e beneficia principalmente o cidadão e a cidadã. Por isso, este momento é uma celebração e também um reconhecimento do trabalho realizado em prol da sociedade. Parabéns a todos e a todas.”
INOVAÇÃO A SERVIÇO DA PROTEÇÃO À MULHER
Uma das principais ações da programação foi o lançamento de uma nova funcionalidade do aplicativo TJCE Mobile voltada ao pedido de medidas protetivas de urgência. A ferramenta permitirá que mulheres em situação de violência doméstica solicitem proteção de forma mais rápida, segura e acessível, diretamente pelo celular.
Ao apresentar a novidade, a presidente da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, desembargadora Vanja Fontenele Pontes, informou que a ferramenta representa mais um avanço na ampliação do acesso à Justiça para mulheres em situação de vulnerabilidade. “Hoje, as mulheres que tiverem problemas de violência poderão, através do seu celular, acionar a medida protetiva. E de uma forma rápida. É uma alegria muito grande ver o quanto o acesso à Justiça está facilitado.”

A nova funcionalidade permite o preenchimento de informações sobre a vítima, o agressor e o tipo de vínculo existente entre eles. Além disso, para facilitar o acesso e ampliar a inclusão, a usuária poderá gravar um áudio em vez de digitar o relato da situação, que será encaminhado diretamente ao Poder Judiciário, garantindo mais agilidade na análise da demanda. A medida protetiva poderá ser solicitada de forma imediata, e o requerimento será distribuído às(aos) magistradas(os) responsáveis, que terão prazo de até 48 horas para analisar a concessão da proteção.
TECNOLOGIA E ACOLHIMENTO
Durante o evento, o diretor estadual de Atendimento do TJCE, Nelson Ricardo de Moraes Nogueira, relembrou os marcos que contribuíram para a evolução do atendimento à(ao) cidadã(o). Em um resgate histórico da trajetória iniciada com o TeleJustiça, ele citou os investimentos em tecnologia, a expansão dos canais de atendimento e a construção de um modelo centrado na inovação, na acessibilidade e na humanização dos serviços prestados à população. Confira AQUI a trajetória do TeleJustiça.
Um dos idealizadores da atual estrutura de atendimento do TJCE, ele reforçou ainda a importância de manter o equilíbrio entre inovação tecnológica e atendimento humanizado. “Para que essa inovação alcance o cidadão, existe um recurso valiosíssimo, que é o ser humano. O atendimento, hoje, é acolhimento. Quando conseguimos unir estratégia, tecnologia e atendimento, percebemos que estamos no caminho certo. O nosso objetivo é fazer com que a população tenha cada vez mais acesso à Justiça de forma simples, acolhedora e eficiente”, salientou.

Outro destaque da programação foi o painel “Tradição e Inovação: A Trajetória de Transformação nos 30 Anos”, que reuniu as juízas Dayana Cláudia Tavares Barros de Castro e Ana Carolina Montenegro Cavalcante, com mediação do diretor estadual, Nelson Nogueira. Durante o encontro, as magistradas discutiram os desafios de conciliar inovação tecnológica e atendimento humanizado na prestação jurisdicional.
A juíza idealizadora do novo fluxo do Depoimento Especial no Ceará e titular da 2ª Vara da Comarca de Boa Viagem, Dayana Cláudia Tavares Barros de Castro, destacou iniciativas voltadas à proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência, especialmente os protocolos que buscam evitar a revitimização durante o depoimento especial. “A primeira vez que a pessoa é recebida faz toda a diferença. Ela não precisa entender a estrutura do Judiciário; precisa sentir que está sendo ouvida e que alguém vai ajudá-la.”
Já a cogestora dos projetos de IA e Robotização do TJCE, juíza Ana Carolina Montenegro Cavalcante, disse que a inovação no Judiciário deve estar sempre acompanhada de sensibilidade e cuidado com as pessoas mais vulneráveis. “A tecnologia nunca vai funcionar se do outro lado não houver humanidade. As pessoas só querem ser ouvidas e ninguém vai conseguir substituir isso.”
HISTÓRIA CONSTRUÍDA POR PESSOAS
A programação também contou com o momento cultural “Protocolo em Verso”, apresentado pela cordelista Julie Oliveira e pelo sanfoneiro Carlos Freitas, que traduziram para a linguagem popular os protocolos de atendimento utilizados pelo Tribunal, reforçando a importância da comunicação acessível como instrumento de aproximação entre a instituição e a sociedade.
A celebração foi encerrada com a palestra magna “A Arte de Encantar e Fidelizar o Usuário”, ministrada pela jornalista e palestrante Mariana Sasso, que abordou temas como empatia, comunicação e excelência no atendimento. “Atender não é apenas ouvir. Atendimento é acolhimento. Não é apenas informar ou orientar, mas fazer com que o cidadão viva uma experiência.”

Durante a palestra, Mariana Sasso lembrou o trabalho desenvolvido pelas equipes de atendimento do TJCE e enalteceu o compromisso das(os) profissionais com o acolhimento das(os) usuárias(os). “Cada pessoa que trabalha no TeleJustiça é uma representante da instituição. Quando fazemos o usuário viver uma experiência extraordinária, fazemos com que ele também confie na Justiça”, observou.
CIRCUITO INTERATIVO
A programação do evento também contou com o Circuito da Jornada dos 30 Anos do TeleJustiça, uma iniciativa interativa de resgate da história do serviço e apresentação das iniciativas atualmente disponíveis para o público interno e externo.
A atividade contou com nove estandes, quiz interativo, espaços para fotos e vídeos e uma exposição que recupera momentos da trajetória do TeleJustiça até a atual Central de Atendimento Judicial (CAJ). Ao longo do percurso, as participantes e os participantes conheceram a linha do tempo do serviço, os protocolos de atendimento humanizado, a atuação da Central Interna de Atendimento (CIAT), as funções do TeleJustiça e iniciativas relacionadas à inovação e à tecnologia de governança.
Também foram apresentados a CAJ Mulher, a atuação da Central no PopRuaJUD e as ações do Programa de Modernização do Judiciário do Ceará (Promojud). Ao completar o percurso pelos estandes, as participantes e os participantes receberam um brinde especial.
Para Maria de Jesus Pontes de Queiroz, diretora de secretaria da 2ª Vara da Comarca de Beberibe, a iniciativa facilita o acesso às informações, especialmente para quem atua no interior. “É uma iniciativa excelente porque aproxima a servidora e o servidor, principalmente quem trabalha no Interior, que tem a oportunidade de ter acesso às informações de maneira mais prática e mais rápida, sobre os serviços que são ofertados pelo Tribunal. Por conta da demanda de atividades do nosso dia a dia, gente acaba não participando de maneira mais efetiva de todos esses programas que o Tribunal disponibiliza para o público interno e o público externo.”
O TELEJUSTIÇA
As celebrações pelos 30 anos do TeleJustiça resgatam o legado construído desde a sua criação, em 10 de dezembro de 1996, e a contribuição para a ampliação do acesso à Justiça no Ceará. Considerado a célula inicial do atual modelo de atendimento humanizado do Judiciário cearense, o canal permanece entre os mais procurados pela população em busca de informações processuais, orientações sobre serviços judiciais e encaminhamentos para outras instituições, de acordo com as necessidades apresentadas. Confira AQUI a trajetória do TeleJustiça.

Ao longo dessas quase três décadas, o serviço acompanhou as transformações tecnológicas e sociais, ampliou os canais de comunicação com o público e ajudou a construir uma cultura de atendimento centrada nas necessidades da cidadã(o). Hoje, o legado do TeleJustiça está presente nas Centrais de Atendimento Judicial (CAJs), que já somam 54 distribuídas pelo Estado, nos Pontos de Inclusão Digital (PIDs), no Balcão Virtual e em diversas outras iniciativas que aproximam a Justiça da população cearense.
Como resultado da política de atendimento humanizado desenvolvida pelo TJCE, somente no primeiro semestre de 2026 foram realizados mais de 540 mil atendimentos e recepcionadas cerca de 378 mil pessoas, com índice de satisfação de 98,95% registrado em quase 40 mil pesquisas respondidas pelas(os) usuárias(os).

