Lua despedaçada por colisão pode preservar oceano subterrâneo, revelam simulações (IMAGEM)

28/09/2026 às 15:3933 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Uma colisão capaz de despedaçar completamente uma grande lua gelada não é, necessariamente, o fim de um oceano subterrâneo potencialmente habitável, é o que demonstra um novo estudo colaborativo conduzido pela Universidade de Maryland.

Segundo as simulações, mesmo após impactos extremos, luas de grande porte podem se recompor pela própria gravidade e preservar vastos reservatórios de água líquida sob a superfície.

O Sistema Solar externo abriga diversas luas geladas que podem esconder oceanos internos. Ao longo de 4,5 bilhões de anos, esses corpos sofreram inúmeros bombardeios, alguns violentos o suficiente para destruí-los temporariamente. Exemplos como Jápeto, em Saturno, e Miranda, em Urano, sugerem que algumas luas podem ter sido fragmentadas e depois reconstruídas pela atração gravitacional de seus próprios destroços.
© Foto / Marc Neveu/ Universidade de MarylandA ilustração mostra o impacto entre duas luas geladas, capaz de fragmentá-las completamente em uma nuvem de destroços compostos por gelo, rocha e água
Imagem do artigo
A ilustração mostra o impacto entre duas luas geladas, capaz de fragmentá-las completamente em uma nuvem de destroços compostos por gelo, rocha e água
Para avaliar os efeitos desses eventos sobre a habitabilidade das luas, a equipe liderada por Marc Neveu realizou dois conjuntos de simulações. Um deles reproduziu o processo de fragmentação, derretimento e recomposição após colisões gigantescas. O outro acompanhou a evolução térmica do interior das luas ao longo da história do Sistema Solar, analisando como o calor é retido ou perdido com o passar do tempo.
Os resultados mostram que luas maiores, com cerca de 2.000 quilômetros de diâmetro, conseguem manter oceanos subsuperficiais mesmo depois de impactos catastróficos. Segundo os pesquisadores, se um oceano existia antes da colisão, é provável que continue existindo depois dela. Em alguns casos, a energia liberada pelo impacto ainda acrescenta calor ao interior da lua, ampliando a espessura da camada líquida por bilhões de anos.
Imagem do artigo
Ciência e sociedade
JWST encontra sinais de metais no Universo 500 milhões de anos após Big Bang (IMAGEM)
No entanto, o cenário é diferente para luas menores, com aproximadamente 1.000 quilômetros de diâmetro ou menos. Nessas estruturas, a colisão favorece a diferenciação interna, permitindo que materiais mais densos afundem para o núcleo. Com isso, a camada externa perde parte de sua capacidade isolante, o calor escapa para o espaço e o oceano tende a congelar.
Ainda segundo a pesquisa, impactos gigantescos não criam oceanos onde eles não existiam anteriormente. Para os cientistas, as colisões funcionam mais como um fator de modificação de oceanos já presentes. Ainda assim, outros mecanismos podem alterar esse quadro, como o aquecimento por maré provocado pela gravidade de planetas gigantes, capaz de manter água líquida até mesmo em luas pequenas, como Encélado.
Como um possível exemplo real desse processo, o líder do estudo destaca Reia, a segunda maior lua de Saturno, com 1.528 quilômetros de diâmetro, que apresenta crateras de aparência suavizada, ou seja, um sinal que pode indicar calor vindo do interior. Os pesquisadores sugerem que uma antiga colisão pode ter favorecido a formação de um oceano subterrâneo e contribuído para moldar a superfície observada atualmente.
Imagem do artigo
Imagem do artigo
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Fonte
Sputnik Brasil
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.