Na ONU, Trump ameaça aniquilar Irã ‘para o inferno’, exalta IA desregulamentada e critica ordem multilateral

Von André Lucena22/09/2026 às 15:5831 Aufrufe
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em discurso na Assembleia Geral da ONU.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em discurso na Assembleia Geral da ONU.
Brasil de Fato

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou de lado a moderação no discurso feito nesta terça-feira (22) durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O republicano foi a segunda liderança internacional a discursar no evento, logo após o presidente Lula (PT), e dedicou a maior parte do tempo na tribuna para falar do próprio governo, tecendo críticas às principais instituições do multilateralismo. O aspecto geral da fala, como de hábito, foi de desalinhamento dos argumentos de Trump com a realidade concreta do mundo.

O discurso foi marcado por ameaças ao Irã, ao que Trump disse que poderia “aniquilar para o inferno”; negação da crise climática, afirmando que o mundo “está mais frio e ninguém morreu”; e rechaço às tentativas de regulamentação sobre a inteligência artificial, dizendo que “os Estados Unidos abraçam o mundo da superinteligência”. 

Críticas ao Irã

Trump voltou a dizer que o Irã “nunca terá uma arma nuclear”, afirmando que seu governo teria “uma grande decisão pela frente”, mas não anunciou o que exatamente seria decidido. “Um acordo será feito com o Irã para que eles consigam reconstruir um grande país, como já foi antes, talvez um dos maiores países no Oriente Médio, ou será que eu tenho que aniquilar a República Islâmica para o inferno rapidamente? Vamos tentar fazer um acordo logo após as eleições”, falando do pleito de meio de mandato nos EUA, marcado para o dia 3 de novembro.

O discurso serviu para conformar a política externa estadunidense, marcada pela pressão constante a aliados históricos, tentativas de contenção da expansão econômica e geopolítica da China e farto uso de tarifas alfandegárias. Segundo Trump, a prática é baseada em ação direta. “Enquanto outros falavam, eu agi. Enquanto outros falavam de paz, eu fiz a paz”, disse o republicano. Os EUA, entretanto, continuam em guerra com o Irã. 

Apesar de citar uma hipotética calmaria na relação entre os países, o discurso de Trump foi marcado pelo tom bélico. O mandatário não hesitou ao celebrar o uso do poderio militar estadunidense no hemisfério ocidental. “Nossas ações na Venezuela são uma prova de que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças contra a América criem uma base de apoio em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger nossos interesses nacionais vitais”, mencionou. Ao falar sobre o país latino-americano, Trump lançou mão de uma frase de efeito: “Aos vencedores, os despojos”. No discurso, o republicano negou que a guerra no Oriente Médio tenha esgotado as reservas de munições estratégicas dos EUA

“Lançamos o poder das Forças Armadas dos EUA para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos. Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”, afirmou. Lula, por sua vez, disse que o governo brasileiro tem agido para combater o crime organizado e rechaçou qualquer tentativa de interferência estrangeira nesse sentido. 

Apesar da abordagem conflituosa, Trump, desta vez, não fez tantas críticas à Europa, como vinha fazendo nos últimos meses. Entretanto, o estadunidense falou sobre uma “fronteira norte”, criando uma nova expressão para se referir à Groenlândia. Sem apresentar qualquer detalhe, o mandatário disse que os EUA chegaram a um “acordo sem precedentes” com a Dinamarca, e que assinaria o acerto em breve. Nas palavras de Trump, o acordo “dá aos EUA controle permanente sobre a segurança e todas as necessidades naquele território”. 

Inteligência artificial

Trump, que chegou a abrir uma enquete nas redes sociais para mudar o nome da inteligência artificial, aproveitou o tempo na Assembleia da ONU para dizer que haveria um temor desnecessário sobre a tecnologia. Ele comparou, sem apresentar fundamentos, com o debate sobre meio ambiente.

“As mesmas pessoas que disseram que todos morreríamos em 12 anos por causa do aquecimento global, um nome que renasceu para mudança climática porque o planeta estava esfriando, não aquecendo, e ninguém havia morrido”, afirmou. “Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior do que a revolução industrial, muitos dizem que maior do que a revolução industrial ou a própria internet”, explicou. Nesta semana, o republicano recebe o presidente da China, Xi Jinping, em Washington, e a IA deve estar no centro da pauta

Quelle
Brasil de Fato
Original öffnen ↗
War diese Nachricht nützlich?

Debatten 0

Seien Sie der Erste, der zur Debatte beiträgt.

Teilen Sie Ihre Informationen und fördern Sie Ihr Argument

Zögern Sie nicht, nützliche Informationen zu veröffentlichen.

Um an der Diskussion teilzunehmen, melden Sie sich an oder erstellen Sie ein kostenloses Konto.