A Orquestra Sinfônica de Santa Maria (OSSM) foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Santa Maria. O registro ocorre no ano em que o grupo completa seis décadas de trajetória e reconhece a contribuição da Orquestra para a formação musical, a produção artística e a vida cultural do município.
O reconhecimento foi oficializado em 24 de setembro, durante a celebração dos 30 anos do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Santa Maria (COMPHIC). Na ocasião, foram abertos os quatro Livros de Registro do Patrimônio Imaterial do município. A Orquestra Sinfônica de Santa Maria foi a primeira manifestação cultural registrada no Livro das Formas de Expressão.
Regente da OSSM, Cláudio António Esteves conta que recebeu a notícia durante uma reunião sobre a programação da Orquestra. Segundo ele, a recente fase de reestruturação do grupo havia chamado a atenção do COMPHIC, que se preparava para celebrar 30 anos de atuação na preservação dos bens culturais de Santa Maria. Para o regente, o reconhecimento representa também a valorização do trabalho desenvolvido ao longo de seis décadas. “Minha alegria no momento é pelo trabalho desenvolvido em 60 anos, sabendo da qualidade dos trabalhos que foram desenvolvidos até chegar a esse marco”, afirma Cláudio.

Seis décadas de história
A Orquestra foi criada em 1966 como Orquestra de Câmara da UFSM, por iniciativa do violinista, compositor e regente Frederico Richter, então professor da UFSM. Em 1988, o grupo passou a adotar o nome de Orquestra Sinfônica de Santa Maria, em razão do papel que já desempenhava no desenvolvimento cultural do município.
Ao longo dos 60 anos, a Orquestra consolidou uma atuação que reúne formação acadêmica, produção cultural e apresentações abertas à comunidade. O grupo funciona como uma orquestra-escola vinculada aos cursos de Música da UFSM, proporcionando aos estudantes a experiência prática necessária para sua formação profissional. A OSSM também atua como grupo artístico da Universidade e como projeto de extensão, aproximando a instituição da sociedade.
A trajetória inclui mais de 700 eventos musicais, entre concertos, apresentações e shows. Para Cláudio, esse percurso demonstra a relevância da Orquestra dentro do cenário cultural de Santa Maria e a importância da convivência entre diferentes manifestações artísticas. “Nestes 60 anos e com mais de 700 eventos musicais, entre concertos, apresentações e shows, a Orquestra presta um trabalho inestimável para a cultura de nossa sociedade”, destaca.
Atualmente, a Orquestra realiza concertos em Santa Maria e também nos campi da UFSM. Em abril deste ano, no Centro de Convenções da UFSM, foi realizado o concerto especial comemorativo aos 60 anos. O memorial apresentado ao COMPHIC registra que o grupo realiza mais de dez concertos por ano e alcança um público estimado entre 5 mil e 10 mil pessoas anualmente.
Relação com a comunidade
Além da formação de músicos, a atuação da Orquestra envolve a produção de diferentes tipos de espetáculos e parcerias com outros segmentos artísticos. Entre as iniciativas estão concertos sinfônicos, apresentações de grupos menores, oficinas com artistas convidados e projetos que aproximam a música de concerto de outros gêneros e linguagens.
O grupo também já realizou apresentações em parceria com companhias de dança e outros conjuntos musicais. Entre os exemplos estão trabalhos com o Ballet Ivone Freire, a Banda de Música da Brigada Militar de Santa Maria e a banda Rocksane.
Para o regente, a relação construída com a comunidade também está presente no próprio sentimento de pertencimento em torno da Orquestra. O reconhecimento, segundo ele, não representa apenas quem integra o grupo atualmente, mas também todas as pessoas que contribuíram para sua trajetória. “Foi através da contribuição de cada uma que veio antes, que a Orquestra chega até aqui. Uma vez tendo contribuído em qualquer capacidade, a pessoa faz parte de nossa história”, explica.
Cláudio destaca ainda a participação de bolsistas, profissionais terceirizados, servidores técnico-administrativos, docentes e músicos na manutenção das atividades da Orquestra. Para ele, cada contribuição realizada ao longo dos anos está representada, de forma afetiva, pelo reconhecimento recebido.
Memória e continuidade
A preservação da trajetória da Orquestra também integra as ações desenvolvidas pela instituição. Entre 2017 e 2022, o Departamento de Arquivo Geral (DAG) da UFSM participou do projeto “Orquestrando Arquivos Musicais na UFSM: Memória da Orquestra Sinfônica de Santa Maria”, responsável pela organização e catalogação do acervo histórico do grupo.
O acervo reúne documentos, partituras, fotografias e registros audiovisuais. São mais de mil partituras digitalizadas, mais de 70 registros em áudio e audiovisual e um conjunto de mais de 6,3 mil fotografias disponibilizadas para acesso público por meio do repositório institucional da UFSM.
A preservação dessa memória ganha novo significado com o reconhecimento como patrimônio cultural. Para Cláudio, o registro municipal representa a formalização de uma trajetória iniciada em 1966 e reforça a ligação entre a Orquestra e a comunidade santa-mariense. “O registro surge como o reconhecimento municipal de um sonho iniciado em 1966”, afirma.
Segundo o regente, o reconhecimento também pode contribuir para a longevidade do grupo e para a valorização da música de concerto em Santa Maria. A expectativa é que a Orquestra continue ocupando espaço na vida cultural da cidade e fortalecendo o papel do município como polo de produção artística.
A relação entre a Orquestra e a comunidade também já havia sido evidenciada em abril deste ano, quando a Câmara de Vereadores de Santa Maria realizou uma homenagem oficial pelos 60 anos de atuação do grupo. A solenidade reuniu representantes da Orquestra, da UFSM e da Associação Cultural Orquestra Sinfônica de Santa Maria, além da viúva do maestro fundador, Ivone Richter.
Com o novo reconhecimento, a trajetória construída desde 1966 passa a integrar oficialmente a memória cultural do município. Para Cláudio, o título representa o reconhecimento do trabalho de diferentes gerações e reforça a responsabilidade de preservar e manter viva a Orquestra para as próximas décadas.
Texto: Gabriela Menezes, acadêmica de Jornalismo, estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Adrieny Rosa/Arquivo
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista