Orquestra Sinfônica de Santa Maria é reconhecida como Patrimônio Cultural do município

Fonte: Universidade Federal de Santa MariaClique aqui para abrir o original em nova janela ↗
08/10/2026 às 11:3035 visualizações

A Orquestra Sinfônica de Santa Maria (OSSM) foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Santa Maria. O registro ocorre no ano em que o grupo completa seis décadas de trajetória e reconhece a contribuição da Orquestra para a formação musical, a produção artística e a vida cultural do município.

O reconhecimento foi oficializado em 24 de setembro, durante a celebração dos 30 anos do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Santa Maria (COMPHIC). Na ocasião, foram abertos os quatro Livros de Registro do Patrimônio Imaterial do município. A Orquestra Sinfônica de Santa Maria foi a primeira manifestação cultural registrada no Livro das Formas de Expressão.

Regente da OSSM, Cláudio António Esteves conta que recebeu a notícia durante uma reunião sobre a programação da Orquestra. Segundo ele, a recente fase de reestruturação do grupo havia chamado a atenção do COMPHIC, que se preparava para celebrar 30 anos de atuação na preservação dos bens culturais de Santa Maria. Para o regente, o reconhecimento representa também a valorização do trabalho desenvolvido ao longo de seis décadas. “Minha alegria no momento é pelo trabalho desenvolvido em 60 anos, sabendo da qualidade dos trabalhos que foram desenvolvidos até chegar a esse marco”, afirma Cláudio.

Orquestra realizou concerto comemorativo aos 60 anos em abril, no Centro de Convenções
Orquestra realizou concerto comemorativo aos 60 anos em abril, no Centro de Convenções

Seis décadas de história

A Orquestra foi criada em 1966 como Orquestra de Câmara da UFSM, por iniciativa do violinista, compositor e regente Frederico Richter, então professor da UFSM. Em 1988, o grupo passou a adotar o nome de Orquestra Sinfônica de Santa Maria, em razão do papel que já desempenhava no desenvolvimento cultural do município.

Ao longo dos 60 anos, a Orquestra consolidou uma atuação que reúne formação acadêmica, produção cultural e apresentações abertas à comunidade. O grupo funciona como uma orquestra-escola vinculada aos cursos de Música da UFSM, proporcionando aos estudantes a experiência prática necessária para sua formação profissional. A OSSM também atua como grupo artístico da Universidade e como projeto de extensão, aproximando a instituição da sociedade.

A trajetória inclui mais de 700 eventos musicais, entre concertos, apresentações e shows. Para Cláudio, esse percurso demonstra a relevância da Orquestra dentro do cenário cultural de Santa Maria e a importância da convivência entre diferentes manifestações artísticas. “Nestes 60 anos e com mais de 700 eventos musicais, entre concertos, apresentações e shows, a Orquestra presta um trabalho inestimável para a cultura de nossa sociedade”, destaca.

Atualmente, a Orquestra realiza concertos em Santa Maria e também nos campi da UFSM. Em abril deste ano, no Centro de Convenções da UFSM, foi realizado o concerto especial comemorativo aos 60 anos. O memorial apresentado ao COMPHIC registra que o grupo realiza mais de dez concertos por ano e alcança um público estimado entre 5 mil e 10 mil pessoas anualmente.

Relação com a comunidade

Além da formação de músicos, a atuação da Orquestra envolve a produção de diferentes tipos de espetáculos e parcerias com outros segmentos artísticos. Entre as iniciativas estão concertos sinfônicos, apresentações de grupos menores, oficinas com artistas convidados e projetos que aproximam a música de concerto de outros gêneros e linguagens.

O grupo também já realizou apresentações em parceria com companhias de dança e outros conjuntos musicais. Entre os exemplos estão trabalhos com o Ballet Ivone Freire, a Banda de Música da Brigada Militar de Santa Maria e a banda Rocksane.

Para o regente, a relação construída com a comunidade também está presente no próprio sentimento de pertencimento em torno da Orquestra. O reconhecimento, segundo ele, não representa apenas quem integra o grupo atualmente, mas também todas as pessoas que contribuíram para sua trajetória. “Foi através da contribuição de cada uma que veio antes, que a Orquestra chega até aqui. Uma vez tendo contribuído em qualquer capacidade, a pessoa faz parte de nossa história”, explica.

Cláudio destaca ainda a participação de bolsistas, profissionais terceirizados, servidores técnico-administrativos, docentes e músicos na manutenção das atividades da Orquestra. Para ele, cada contribuição realizada ao longo dos anos está representada, de forma afetiva, pelo reconhecimento recebido.

Memória e continuidade

A preservação da trajetória da Orquestra também integra as ações desenvolvidas pela instituição. Entre 2017 e 2022, o Departamento de Arquivo Geral (DAG) da UFSM participou do projeto “Orquestrando Arquivos Musicais na UFSM: Memória da Orquestra Sinfônica de Santa Maria”, responsável pela organização e catalogação do acervo histórico do grupo.

O acervo reúne documentos, partituras, fotografias e registros audiovisuais. São mais de mil partituras digitalizadas, mais de 70 registros em áudio e audiovisual e um conjunto de mais de 6,3 mil fotografias disponibilizadas para acesso público por meio do repositório institucional da UFSM.

A preservação dessa memória ganha novo significado com o reconhecimento como patrimônio cultural. Para Cláudio, o registro municipal representa a formalização de uma trajetória iniciada em 1966 e reforça a ligação entre a Orquestra e a comunidade santa-mariense. “O registro surge como o reconhecimento municipal de um sonho iniciado em 1966”, afirma.

Segundo o regente, o reconhecimento também pode contribuir para a longevidade do grupo e para a valorização da música de concerto em Santa Maria. A expectativa é que a Orquestra continue ocupando espaço na vida cultural da cidade e fortalecendo o papel do município como polo de produção artística.

A relação entre a Orquestra e a comunidade também já havia sido evidenciada em abril deste ano, quando a Câmara de Vereadores de Santa Maria realizou uma homenagem oficial pelos 60 anos de atuação do grupo. A solenidade reuniu representantes da Orquestra, da UFSM e da Associação Cultural Orquestra Sinfônica de Santa Maria, além da viúva do maestro fundador, Ivone Richter.

Com o novo reconhecimento, a trajetória construída desde 1966 passa a integrar oficialmente a memória cultural do município. Para Cláudio, o título representa o reconhecimento do trabalho de diferentes gerações e reforça a responsabilidade de preservar e manter viva a Orquestra para as próximas décadas.

Texto: Gabriela Menezes, acadêmica de Jornalismo, estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Adrieny Rosa/Arquivo
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

Fonte
Universidade Federal de Santa Maria
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