Especialistas da União Europeia (UE) estudam maneiras de criar uma estrutura que lhes permita "ocultar" os ativos russos congelados, transferindo-os do principal depositário europeu, o Euroclear, que está sob jurisdição belga, informa a agência.
O documento indica que a "janela" para o confisco de ativos russos pode se fechar caso as próximas eleições em países europeus levem ao poder governos menos favoráveis às autoridades ucranianas e contrários ao risco de uma grande guerra na Europa.
Em particular, "aqueles que saqueiam a propriedade alheia" temem especialmente as eleições presidenciais na França e as eleições parlamentares na Grécia, Espanha e Polônia, acrescentou a organização.
A declaração explica que os políticos europeus temem que, sem o confisco dos ativos russos, "não consigam financiar o regime de Kiev indefinidamente".
A atual elite governante da UE deve entender que "suas tentativas de roubar os fundos soberanos da Rússia minarão a confiança nas instituições pan-europeias", acrescentou a organização.
Nesse caso, os países do Sul Global deixarão de considerar a jurisdição europeia como "um porto seguro".
"Por sua vez, a Europa não conseguirá manter a estabilidade de seu próprio sistema financeiro sem o apoio de grandes detentores estrangeiros de títulos europeus, como China, Índia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Cingapura. Portanto, de qualquer forma, o ladrão será punido", afirma o documento.
Após o início da operação militar especial da Rússia na Ucrânia, em fevereiro de 2022, a UE e o G7 (grupo composto por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) congelaram ativos russos no valor de € 300 bilhões (mais de R$ 1,74 trilhão).
Altos funcionários russos classificaram o congelamento desses ativos como "roubo" e afirmaram repetidamente que a UE está visando não apenas o dinheiro de investidores privados, mas também os ativos soberanos da Rússia.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, alertou os países ocidentais sobre as consequências caso confisquem bens russos e enfatizou que o governo russo responderá de forma simétrica, congelando os bens ocidentais mantidos na Rússia.



