
A Embrapa Roraima participou com uma comitiva multidisciplinar do Caju Conecta 2026, realizado em Picos, no Piauí, um dos principais espaços de integração entre pesquisa, inovação, transferência de tecnologia e setor produtivo da cajucultura brasileira. A missão reuniu pesquisadores das áreas de Fruticultura, Fitopatologia, Pós-colheita e Ciência de Alimentos, equipe de Transferência de Tecnologia e do Núcleo de Comunicação Organizacional, além de três produtoras da Associação de Mulheres Rurais de Roraima (ASMURR), de Normandia (RR).
O intercâmbio teve o objetivo de conhecer tecnologias, experiências e estratégias de processamento e mercado que possam ser adaptadas às condições de Roraima, para fortalecer a cadeia produtiva do caju e a agricultura familiar no estado. “Nossa intenção é principalmente a de inspirar e fomentar uma visão em nossos pesquisadores, agricultores familiares e equipe de apoio, mostrando as possibilidades de exploração de uma cadeia tão rica e com forte potencial de desenvolvimento no nosso estado.”, diz Hyana Lima, pesquisadora da Embrapa Roraima.
A programação incluiu visitas de campo a propriedades rurais com cajucultura no entorno de Picos, para o acompanhamento de áreas de produção, viveiros e polos tecnológicos, além de visitas a agroindústrias de produção de cajuína, de polpas de frutas e de doces e cristalizados. A comitiva também acompanhou painéis e palestras técnicas, exposição de tecnologias, estandes de agricultores familiares e uma Cozinha Show, com receitas à base do fruto.
Tecnologias do campo para o campo
Em sua quarta edição, o Caju Conecta é um ambiente de prospecção e intercâmbio para que tecnologias desenvolvidas pela Embrapa sejam validadas e adaptadas à
Saavedra ressalta a participação no evento como via de mão dupla, a fim de alinhar pesquisa com sociedade: “A partir do momento que o produtores se conscientizaram da importância de incluir a tecnologia, eles começaram a fazer novas perguntas para a pesquisa. Hoje, várias delas que surgiram aqui no evento eu já discuti com diferentes pesquisadores para levarmos para a Embrapa, e são coisas geralmente de baixo custo para a Unidade. Isso é bom, porque são eles se alimentando do que nós produzimos e nós com perguntas mais assertivas, em cima de coisas que não estávamos observando ou dando tanta atenção.”
Integração entre Unidades e vivência para agricultura familiar
A comitiva da Embrapa Roraima participou do evento com sete empregados (quatro pesquisadores) e três agricultoras convidadas. A programação técnica incluiu intercâmbio com a Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza. A equipe conheceu as instalações e os laboratórios de Microbiologia do Solo, Solos, Análise de Plantas, Cultura de Tecidos Vegetais, Biomassa e Bioprocessos, Biodegradabilidade, Pós-Colheita e Processamento de Alimentos.
Para o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Roraima, Lourenço de Souza Cruz, a vivência foi estratégica: “Nós visitamos lavouras onde chove 500 milímetros por ano e as pessoas vivem bem lá, tendo o caju como principal atividade. Em Normandia/RR, onde desenvolvemos trabalhos com as três mulheres que nos acompanharam na Missão, chove 1.100 milímetros/ano. Isso amplia os horizontes, além do contato com a indústria de processamento do caju, que vislumbra maior aproveitamento, não só da castanha, mas para cajuína e refresco.”
O evento também trouxe casos de sucesso de agricultores que já adotaram tecnologias da Embrapa. A engenheira agrônoma e cajucultora do Rio Grande do Norte, Najara Melo, compartilhou sua trajetória em um dos painéis: “Atualmente só produzimos e vendemos o produto in natura. Foi uma satisfação ter sido convidada para partilhar nosso trabalho como caso de sucesso, embora não tenhamos ainda a parte de industrialização, que foi o que eu vim buscar no evento: conhecer as experiências das indústrias para agregarmos valor a nossa produção.”
Comitiva
Na comitiva da Embrapa Roraima, estavam: as pesquisadoras Hyana Lima (Fitopatologia), Caroline Coelho (Pós-colheita), Mariana Fensterseifer (Ciência de Alimentos) e Jorge Atílio Benati (Fruticultura), além da equipe de Transferência de Tecnologia: Lourenço de Souza Cruz, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia, Liliane Barbosa, supervisora do SIPIT, e Aliny Melo, supervisora do Núcleo de Comunicação Organizacional. Completaram a comitiva as produtoras da ASMURR Elexsandra Cavalcante Barbalho, Diliana Frederico de Souza e Ivaneide Peixoto Habert, de Normandia (RR).
A partir do intercâmbio, a Embrapa Roraima planeja adaptar tecnologias de manejo, melhoramento e processamento observadas no Piauí para as condições de solo e clima de Roraima, com foco na geração de renda e no aproveitamento integral do caju pela agricultura familiar.
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
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