Júnia Marise abriu caminho para possível feito inédito de duas senadoras em MG

به قلم Jean Silva21/09/2026 às 19:2326 بازدید
Junia
Junia
Brasil de Fato

Quando Júnia Marise foi eleita senadora por Minas Gerais, em 1990, a presença de mulheres no Senado ainda era uma exceção. Natural de Belo Horizonte, a jornalista e advogada já havia construído uma trajetória política que passava pela Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e pelo cargo de vice-governadora. Naquele ano, tornou-se, ao lado de Marluce Pinto, de Roraima, uma das primeiras mulheres eleitas diretamente para o Senado Federal.

Mais de três décadas depois, o nome de Júnia Marise permanece associado ao pioneirismo feminino na política mineira. Ela foi a primeira mulher a ocupar a vice-governadoria de Minas Gerais e chegou a assumir interinamente o governo estadual. No Senado, ocupou a terceira-secretaria e a segunda-vice presidência da Casa. Encerrou o mandato em 1999, depois de oito anos de atuação parlamentar.

Senadora Júnia Marise foi a única senadora eleita por MG • Senado Federal
Senadora Júnia Marise foi a única senadora eleita por MG • Senado Federal
Senadora Júnia Marise foi a única senadora eleita por MG • Senado Federal

História 

A trajetória de Júnia também esteve ligada a pautas de participação política das mulheres e desenvolvimento regional. Ela foi eleita pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN) e, ao longo de sua trajetória política, também teve passagens expressivas por outros partidos, como o PDT, pelo qual atuou como líder no Senado, além de filiações ao MDB, PMDB e PPSE.

Em pronunciamentos no Senado, ela reivindicou a ampliação da presença feminina nas candidaturas e destacou a aprovação de uma regra que reservava 20% das vagas disputadas nas eleições municipais para mulheres. Entre suas iniciativas de maior destaque no Congresso está a inclusão de municípios do Vale do Jequitinhonha na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

A eleição de 2026 coloca Minas Gerais diante de uma possibilidade que, até hoje, não ocorreu: ter duas mulheres eleitas simultaneamente para representar o estado no Senado. As candidatas Áurea Carolina (Psol), Marília Campos (PT) e Ana Luiza (UP) disputam as duas cadeiras que serão renovadas neste ano. A terceira vaga de Minas pode permanecer ocupada por Cleitinho Azevedo (Republicanos), cujo mandato vai até 2030. O senador é candidato ao governo de Minas, portanto, se eleito, seu suplente Alex Diniz assume a vaga até o final do mandato. 

Nas campanhas de Áurea e Marília, uma dobradinha é apresentada como uma estratégia para aproveitar o fato de que, neste ano, cada eleitor poderá escolher dois nomes para o Senado. As duas integram o campo político que apoia a candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas e participaram, juntas, de atividades de campanha, incluindo o ato Mulheres com Lula, realizado em Belo Horizonte, em agosto deste ano. 

Uma disputa ainda aberta

Apesar do simbolismo da candidatura de três mulheres, o caminho até o Senado está longe de ser simples. Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro mostra Marília Campos com 12% das intenções de voto, enquanto Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB) aparecem com 10% cada. Domingos Sávio (PL) registra 8%, Marcelo Aro (PP), 6%, e Áurea Carolina, 3%.

O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre os dias 8 e 10 de setembro, em Minas Gerais, e tem margem de erro de três pontos percentuais. Por isso, Marília, Viana e Aécio aparecem em empate técnico dentro da margem de erro. O cenário também mostra um percentual expressivo de eleitores que ainda não definiram o voto: 20% se declararam indecisos e 18% disseram votar em branco, nulo ou em nenhum candidato.

A pesquisa, portanto, retrata uma disputa fragmentada e com duas vagas em jogo, sem que os números permitam antecipar o resultado das urnas. Para Áurea e Marília, a estratégia conjunta passa justamente pela tentativa de transformar os dois votos destinados ao Senado em uma escolha combinada.

“Quando mulheres ocupam espaços de poder, suas experiências, perspectivas e pautas também passam a fazer parte das decisões que definem os rumos do nosso estado e do nosso país”, afirmou Áurea Carolina nas redes sociais. 

O desafio, porém, não se restringe à campanha de 2026. A baixa presença feminina nos espaços de poder continua sendo uma questão estrutural da política brasileira. A legislação eleitoral avançou desde a década de 1990: a primeira regra de cotas estabeleceu, em 1995, reserva de 20% das candidaturas femininas nas eleições municipais; em 1997, a legislação passou a estabelecer percentual mínimo de 30% e máximo de 70% para candidaturas de cada gênero.

A existência das cotas, contudo, não eliminou os obstáculos para que mulheres ocupem os espaços de decisão. O debate sobre participação feminina envolve também acesso a recursos, estrutura partidária, violência política e condições para que as candidaturas se convertam efetivamente em mandatos.

Nesse cenário, a história de Júnia Marise ajuda a dimensionar o tamanho da mudança que uma eventual eleição simultânea de duas mulheres representaria para Minas Gerais. Em 1990, ela foi a única mulher eleita pelo estado para o Senado. Desde então, Minas não voltou a eleger uma mulher para a Casa pelo voto direto. O histórico oficial das eleições para o Senado no estado registra Júnia como a única mulher eleita para a vaga mineira desde então.

O que defendem Áurea Carolina, Marília Campos, as candidatas mais bem posicionadas nas pesquisas

As duas candidatas apresentam plataformas com pontos de convergência, especialmente em políticas sociais, direitos das mulheres, saúde e desenvolvimento regional, mas também possuem trajetórias políticas distintas.

Marília Campos

Marília Campos apresenta como uma das principais bandeiras a defesa dos direitos das mulheres e a ampliação das políticas públicas voltadas à população feminina. Em entrevista à imprensa, afirmou que a legislação existente precisa ser efetivamente cumprida e citou a Lei Maria da Penha como exemplo.

A candidata também coloca a dívida de Minas Gerais com a União entre os temas centrais de sua atuação pretendida no Senado. Segundo ela, o parlamentar mineiro deveria atuar na construção de medidas para enfrentar a situação fiscal do estado e manter diálogo com diferentes setores políticos.

Durante a campanha, Marília também tem defendido maior participação dos municípios mineiros nas decisões federais, investimentos em infraestrutura, saúde, abastecimento de água e expansão dos institutos federais.

A candidatura ainda relaciona sua atuação à experiência acumulada na Prefeitura de Contagem, onde políticas de moradia e atendimento à população em situação de rua aparecem entre as ações destacadas por aliados.

Áurea Carolina

Em sua plataforma de campanha, Áurea Carolina coloca entre as prioridades o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, com fortalecimento da rede de proteção, prevenção ao feminicídio e combate à violência digital. A candidata também defende maior financiamento para a atenção básica e a saúde mental, especialmente nos municípios do interior.

Na área trabalhista, defende o fim da escala 6×1 e mudanças na legislação para ampliar a proteção de trabalhadores autônomos, diaristas, intermitentes e entregadores. Na mineração, defende maior controle sobre minerais estratégicos, como lítio e terras raras, além da responsabilização de empresas por danos causados pela atividade.

A candidata também inclui a cultura entre as prioridades e defende políticas de proteção social para trabalhadores do setor e mudanças na tributação de plataformas de streaming.

Resultado depende do eleitorado mineiro

A eventual eleição de duas mulheres para o Senado não apagaria os desafios históricos da participação feminina na política, mas marcaria uma mudança na composição da representação mineira na Casa. Para um estado que levou 200 anos de história institucional até eleger sua primeira senadora pelo voto direto, a disputa de 2026 recoloca no centro do debate a presença das mulheres nos espaços de poder.

Júnia Marise chegou ao Senado em 1990 depois de atravessar diferentes espaços da política mineira. Trinta e seis anos depois, Áurea Carolina, Marília Campos e Ana Luiza disputam duas cadeiras e podem ampliar, pela primeira vez, a presença feminina na bancada mineira da Casa.

منبع
Brasil de Fato
گشودن نسخه اصلی ↗
این خبر مفید بود؟

بحث‌ها 0

نخستین مشارکت‌کننده در بحث باشید.

اطلاعات خود را به اشتراک بگذارید و استدلال خود را مطرح کنید

در انتشار اطلاعات یا داده‌های مفید تردید نکنید.

برای شرکت در بحث، وارد شوید یا حساب رایگان بسازید.