Cultivos de soja e cana quintuplicam na Mata Atlântica em 41 anos e agropecuária chega a 63% do território

Di Luís Indriunas21/09/2026 às 18:3468 visualizzazioni
A agropecuária ocupa 68% da Mata Atlântica.
A agropecuária ocupa 68% da Mata Atlântica.
Brasil de Fato

Em 1985, a soja e seu modelo exportador já estavam presentes na Mata Atlântica, com 2,4 milhões de hectares, mas avançaram fortemente ao longo das décadas. Quarenta e um anos depois, em 2025, a monocultura do grão ocupava 11,11 milhões de hectares, uma área 4,6 vezes maior, respondendo por 25% da produção nacional. Já a cana-de-açúcar aumentou 5,3 vezes a área nesse período, chegando a 6,15 milhões de hectares e garantindo metade do plantio nacional. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (21), Dia da Árvores, pelo MapBiomas e SOS Mata Atlântica, que reúnem e apresentam anualmente informações sobre o bioma com a menor proporção de vegetação nativa do país.

A vegetação nativa ocupa 32% do território, enquanto a agropecuária responde por 63%. Nos últimos anos, esse crescimento não foi maior, porque grande parte da expansão da agricultura (79%) aconteceu pela conversão de pastagens, que perderam cerca de 11 milhões de hectares no período. Esse fenômeno contribuiu para o aumento da mata secundária.

“A expansão e a intensificação da agropecuária são decisivas tanto para determinar o desmatamento quanto a regeneração. Após duas décadas de avanço da agricultura sobre a vegetação nativa, nos últimos anos a agricultura passou a substituir as pastagens, que passaram a ceder áreas para a vegetação secundária. Esta é a trajetória para o necessário alcance do desmatamento zero e da restauração em grande escala”, comenta Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica.

Hoje, um em cada quatro hectares de vegetação nativa voltaram a crescer após os desmatamentos. A supressão da vegetação nativa na Mata Atlântica apresenta uma tendência de queda ao longo da série histórica. A partir dos anos 2000, a área de vegetação nativa suprimida ficou abaixo de 2 milhões de hectares em cada período de 5 anos.

Mesmo com resultados positivos, o avanço do agronegócio continua, atendendo aos mercados internacionais, como no caso da silvicultura, que quadruplicou a área com a produção de eucalipto voltada para as grandes empresas de celulose. Paraná e Santa Catarina concentravam 46% da área de silvicultura no bioma em 2025.

Área urbana cresce, inclusive nas ilhas

Com mais da metade (52%) da área urbanizada do Brasil, a Mata Atlântica viu as cidades avançarem 2,5 vezes nos últimos 41 anos, ocupando hoje 2,3 milhões de hectares. Os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais registraram os maiores aumentos absolutos de áreas urbanizadas entre 1985 e 2025.

O crescimento urbano avança também sobre a maioria das 195 ilhas costeiras. Em quatro das dez maiores, a área urbanizada mais que dobrou. Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, aumentou 14,5 vezes. Itaparica, a única ilha no Nordeste, viu a cidade crescer 6,4 vezes.

Por outro lado, outras quatro das dez maiores ilhas apresentaram aumento da área de vegetação nativa entre 1985 e 2025: Ilha das Peças (PR), Ilha do Cardoso (SP), Ilha do Superagui (PR) e Ilha Grande (RJ), somando um pequeno aumento de 1,7% das áreas de cobertura natural no período.

Fonte
Brasil de Fato
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