A Escola Superior da Magistratura do Maranhão (Esmam) promoveu o curso Práticas Anticapacitistas no Serviço Público, com o objetivo de ampliar a conscientização sobre o capacitismo e incentivar práticas de acessibilidade e inclusão no Poder Judiciário maranhense. Realizada na sede da Escola, a formação foi direcionada a magistrados e servidores do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e ministrada por Joseana Costa Lemos, bibliotecária da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Durante a atividade, foram discutidas as diferentes formas de manifestação do capacitismo nas relações sociais e no ambiente de trabalho, incluindo barreiras arquitetônicas e digitais, atitudes discriminatórias, expressões cotidianas e práticas inadequadas de atendimento. A programação também abordou vieses inconscientes e a responsabilidade individual e institucional na construção de ambientes acessíveis e inclusivos.
Acessibilidade e mudança
A formadora destacou a importância da acessibilidade atitudinal para a efetivação das demais dimensões da acessibilidade, como a arquitetônica, a metodológica e a instrumental. “A acessibilidade possui diferentes dimensões e, durante as discussões, sempre destacamos a acessibilidade atitudinal, pois tudo parte da atitude de cada um de nós. Sem essa mudança de atitude, não conseguiremos garantir as demais dimensões da acessibilidade”, explicou Joseana Costa.
Segundo a docente, a convivência e a participação ativa das pessoas com deficiência são fundamentais para desconstruir preconceitos e transformar práticas institucionais. Ela ressaltou, ainda, a importância de ampliar o alcance das ações de conscientização, especialmente entre pessoas que não convivem diretamente com esse público.
Para Joseana, a formação contribui para o enfrentamento ao capacitismo, mas precisa ser acompanhada pela revisão contínua de comportamentos e pelo reconhecimento de vieses inconscientes que podem levar à invisibilização das pessoas com deficiência. “A formação é uma das alternativas que traz essa contribuição fundamental para a desconstrução do capacitismo. Porém, precisamos alcançar principalmente aquelas pessoas que não têm essa convivência direta com as pessoas com deficiência”, destacou.
Aprendizados
A auxiliar judiciária Liana Amorim ressaltou que a formação contribui para identificar preconceitos que podem passar despercebidos nas relações cotidianas, além de apresentar orientações práticas para o atendimento ao público e a convivência profissional. “Durante o curso, estamos aprendendo a desconstruir preconceitos que, muitas vezes, nem sabíamos que tínhamos, os chamados vieses inconscientes. Também estamos desmistificando ideias preconcebidas e aprendendo orientações práticas para oferecer um atendimento e nos comunicar de forma livre de preconceitos, contribuindo para a inclusão das pessoas com deficiência e para que sejam tratadas com naturalidade e respeito”, relatou.
A participante também destacou a importância de aplicar os conhecimentos adquiridos nos setores de trabalho, identificando barreiras e propondo melhorias nas condições de acessibilidade. Entre as orientações abordadas, estão evitar expressões discriminatórias, adotar formas adequadas de comunicação e promover uma convivência respeitosa com as pessoas com deficiência. A disseminação desses conhecimentos entre colegas também foi apontada como uma medida para ampliar a conscientização e favorecer ambientes profissionais mais inclusivos.
A iniciativa reforça a importância da formação continuada para o desenvolvimento de práticas institucionais comprometidas com a acessibilidade, o respeito à diversidade e a garantia dos direitos das pessoas com deficiência no Poder Judiciário do Maranhão.


