
Edimilson Pereira construiu trajetória institucional de grande relevância na UFJF, com atuação destacada na formação de diferentes gerações de discentes na graduação e na pós-graduação, onde ainda atua como pesquisador colaborador do Programa de Pós-graduação em Letras (Foto: Fernando Priamo)
Edimilson de Almeida Pereira é poeta, ensaísta e uma das figuras mais proeminentes da literatura brasileira contemporânea. Ele é professor e pesquisador aposentado da Faculdade de Letras (Fale) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e logo menos será também “Professor Emérito” da instituição. A solenidade para a entrega da honraria acontece às 19h desta quinta-feira, 29, no Anfiteatro das Pró-reitorias.
A outorga do título de professor emérito é mais um reconhecimento que as mais de 40 obras do autor já lhe renderam ao longo da carreira. Obras de poesia, romance, ensaio e literatura infantojuvenil que tecem memória, oralidade e culturas afro-brasileiras que ecoam marcas identitárias perenes em quem as lê. Marcas que não se esvaem muito fácil e perduram pelo tempo da existência.
Após 1985, quando da publicação do seu primeiro livro aos 22 anos, nomeado “Dormundo”, os escritos de Pereira se tornaram inerentes à sua pessoa. De lá para cá, o autor se consolidou, nas palavras de Valter Hugo Mãe, como “um dos poetas mais impressionantes do mundo”, acumulando títulos, prêmios e prestígio.
Títulos
Dentre os títulos mais impactantes, destacam-se não os graus acadêmicos que sustentaram Pereira como professor titular (cargo mais alto da hierarquia docente do ensino superior), e sim obras como Ô Lapassi & outros ritmos de ouvido (1990); Corpo vivido (1991); Zeosório blues: obra poética (2002); Lugares ares: obra poética (2003); Casa da palavra: obra poética (2003); As coisas arcas: obra poética 4 (2003); Os tambores estão frios (2005); Front, O ausente e Um corpo à deriva, que compõem uma trilogia publicada em 2020; A morte também aprecia o jazz (2023) e Poesia & Agora (2025), edição que reúne 28 livros publicados entre 1985 e 2017.
Quanto aos títulos acadêmicos, Pereira é graduado em Letras Vernáculas pela UFJF; mestre em Literatura Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); novamente mestre, desta vez em Ciência da Religião, pela federal juiz-forana; e doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ. Depois de tudo, o professor ainda pós doutorou-se em Literatura Comparada pela Universidade de Zurique, na Suíça.
Seus estudos são da área da Antropologia, com ênfase em Cultura e Identidade, e sua atuação permeia os temas literatura brasileira, poesia, cultura afro-brasileira, imagens/identidades, cultura popular, tradição, modernidade e literatura juvenil e infantojuvenil.

Em 2025, Pereira foi agraciado com a Medalha Juscelino Kubitschek. A concessão do Título de Professor Emérito será mais uma homenagem que a UFJF presta ao intelectual, que historicamente deu várias contribuições para a vida acadêmica e cultural do país (Foto: Carolina de Paula/UFJF)
Prêmios
Tamanha relevância produtiva tem sido reconhecida, ao longo dos anos, em diferentes premiações literárias, a exemplo do Concurso Nacional de Folclore Silvio Romero, de 1987; do Concurso Nacional de Literatura da Editora UFMG, de 1988; do Concurso Nacional de Poesia Carlos Drummond de Andrade, de 1989; do Prêmio São Paulo de Literatura, recebido em 2020; e do segundo lugar entre os dez finalistas do Prêmio Oceanos de 2021, que considerou as produções de todos os países de língua portuguesa.
Prestígio
Quanto ao prestígio conferido, vê-se que parte de alunos e aprendizes dos ensinos do professor. Parte também de pesquisadores que tiveram seus estudos observados pelo olhar crítico do ensaísta e de leitores que perceberam o curso de seus pensamentos mudar por conta dos escritos do autor. Além de grandes mestres e colegas de profissão, nacionais e internacionais, cujo respeito e admiração parecem mútuos.
Uma dessas pessoas que conferem prestígio a Pereira é a prefeita de Juiz de Fora, ex-reitora da UFJF e também professora emérita da instituição, a professora e linguista Margarida Salomão, que estará na sessão solene do Conselho Superior desta quinta-feira.
A honraria
De acordo com o artigo 39 do Estatuto da UFJF, a outorga do Título de Professor Emérito é uma honraria concedida a professores aposentados que tenham alcançado posição eminente no ensino, na pesquisa ou na extensão. Os homenageados geralmente deixam legados não apenas institucionais, mas também contribuições que transcendem a própria universidade, com impactos significativos na sociedade.
A indicação do docente foi encaminhada à Secretaria Geral da Universidade em 2025 pela vice-diretora da Faculdade de Letras, professora Fernanda Cunha Sousa, e apreciada pelo Conselho Superior por meio do parecerista Fernando Perlatto, diretor do Instituto de Ciências Humanas (ICH).
Desde a sua fundação, em 1960, a UFJF conferiu o título a 34 docentes excepcionais, sendo os mais recentes os professores Emanoel de Castro Antunes Felicio, cuja outorga foi em 2021, e Renê Gonçalves de Matos, em 2022.
Na cerimônia aberta ao público desta quinta-feira, 29, Edimilson de Almeida Pereira será o 35º nome a compor a lista de homenageados.

