Dia do Paisagista no Colégio Politécnico destaca o papel do ensino na transformação de ambientes

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02/10/2026 às 21:26115 visualizações

Na manhã desta sexta-feira (2), os jardins da Floricultura Escola Floresce, no Colégio Politécnico da UFSM, foram palco de um encontro de celebração e reconexão em homenagem ao Dia do Paisagista. A atividade reuniu alunos de diferentes semestres, egressos, professores ativos e docentes aposentados para vivenciar a prática da profissão ao ar livre e partilhar trajetórias ligadas à área.

Alunos, egressos e professores presentes no evento
Alunos, egressos e professores presentes no evento
Alunos, egressos e professores presentes no evento

Oficialmente comemorado em 4 de outubro, o Dia do Paisagista reconhece os profissionais que articulam técnica, arte e sensibilidade para planejar, cultivar e transformar ambientes verdes. Muito além da estética, a profissão cumpre uma função essencial na promoção do bem-estar social, no conforto térmico e no equilíbrio ambiental urbano, convertendo praças, jardins e áreas de convivência em espaços mais humanos, vivos e cheios de significado.

O evento foi idealizado para expandir as dinâmicas de sala de aula e ocupar os jardins do Laboratório de Floricultura e Paisagismo, espaço onde é desenvolvida a produção vegetal que abastece o campus sede da UFSM. Anteriormente restritas a dinâmicas em sala de aula entre as próprias turmas, as atividades ganharam nova proporção ao ocupar a área externa do laboratório e integrar diferentes gerações ligadas à formação técnica. O encontro proporcionou um momento de reconexão, convivência ao ar livre e partilha de trajetórias acadêmicas e profissionais.

Segundo o coordenador do laboratório, professor Marcelo Antonio Zanoni, a intenção da organização é consolidar o encontro e realizar novas edições nos próximos anos. A proposta da coordenação é convidar gradualmente mais egressos que já estão empreendendo ou atuando no mercado de trabalho para apresentarem seus projetos e compartilharem suas vivências práticas com os atuais estudantes.

Além de celebrar a data festiva, a iniciativa colocou em evidência o papel do Curso Técnico em Paisagismo da UFSM e sua contribuição para a formação de profissionais qualificados e para a qualificação estética dos espaços do campus. A integração entre cultivo vegetal, arte floral e gestão comercial serviu como vitrine do aprendizado prático desenvolvido no Politécnico

Da estufa ao balcão: a Floricultura Escola Floresce como laboratório de gestão

Exemplo de vasos para plantas (feitos por alunos) que estão à venda na Floresce
Exemplo de vasos para plantas (feitos por alunos) que estão à venda na Floresce
Exemplo de vasos para plantas (feitos por alunos) que estão à venda na Floresce

Um dos grandes diferenciais do curso é a oportunidade de vivenciar todas as etapas da cadeia produtiva e comercial do setor. O coordenador do laboratório, professor Marcelo Antonio Zanoni, explica que a Floricultura Escola Floresce funciona como a “cereja do bolo” da estrutura pedagógica do curso. Enquanto o laboratório é responsável pelo cultivo de plantas envasadas, mudas, árvores, arbustos e flores de corte, a Floresce permite que o estudante vá além do cultivo e transforme a matéria-prima em produtos finais elaborados, preparando desde a confecção e montagem dos próprios vasos e arranjos florais até decorações completas para ambientes.

Para além da técnica de cultivo, a Floresce opera como um ambiente real de negócios, onde os alunos aprendem a gestão completa de um estabelecimento comercial. Sob supervisão docente, os estudantes praticam o levantamento de preços, a contabilidade, o planejamento de vendas e o atendimento direto ao público. “Lá fora, o mundo do trabalho não te dá a chance de praticar ou te dá a chance de errar; lá você já tem que sair pronto”, enfatizou Zanoni, destacando que a vivência prática na escola prepara os futuros técnicos para empreenderem com segurança ou atuarem em empresas da área.

O coordenador ressaltou ainda a dimensão econômica e humana da atividade. Segundo o professor, a floricultura é um dos campos das ciências agrárias de maior rentabilidade por área cultivada, cumprindo também uma função essencial no bem-estar comunitário. “Alimentamos o corpo com hortaliças e frutas, mas quem alimenta a alma são as flores, o bem-estar e o paisagismo”, observou Zanoni.

Trajetórias no mercado e o contato com a terra

O encontro proporcionou a troca de experiências entre quem está ingressando na formação e profissionais já consolidados no mercado. Formado em 2022, o egresso Guilherme Bortoluzzi Pereira retornou ao campus para compartilhar sua trajetória profissional. Desde 2021, antes mesmo de concluir o técnico, Guilherme atua na Fundação Antônio Meneghetti, no Recanto Maestro, onde administra áreas ajardinadas e lidera equipes na formação de jovens em jardinagem e paisagismo.

Estufa foi aberta para visitação durante o evento
Estufa foi aberta para visitação durante o evento
Estufa foi aberta para visitação durante o evento

Para o profissional, a estrutura prática vivenciada na Floresce e as viagens técnicas do curso foram determinantes para sua atuação no mercado. “O curso oferece uma base técnica muito sólida e possibilita testar na prática o que se aprende na teoria, nos dando confiança para encarar o mercado de trabalho”, destaca Guilherme. Ele também reforça a dimensão humana da profissão: “o contato com a terra e o ritmo da natureza trazem um olhar diferenciado para a vida e contribuem diretamente para a formação humana”.

Ensino público e novas oportunidades em qualquer etapa da vida

A diversidade de trajetórias entre os discentes é uma das marcas do curso. Entre os alunos do primeiro semestre está Gilberto Nogueira da Silva, de 62 anos. Com quase quatro décadas de atuação na medicina e planejando a aposentadoria, Gilberto decidiu voltar às salas de aula universitárias após mais de 40 anos para aprender a cultivar plantas e qualificar o espaço da chácara onde reside.

Para o estudante, a formação técnica se diferencia pela possibilidade de aplicar rapidamente os conhecimentos adquiridos. Após mais de quatro décadas desde sua primeira experiência universitária, Gilberto se surpreendeu com a velocidade com que os conteúdos aprendidos em sala passaram a fazer parte de sua rotina. “Nesses dois meses já deu para aprender um monte de coisa que eu imaginava que talvez nunca fosse aprender ou que ia aprender demorando mais tempo. E, como eu tenho a oportunidade de colocar em prática aquilo que aprendo aqui, o que eu já aprendi eu já estou colocando em prática na minha casa”, relata.

Texto e fotos: Gabriele Mendes, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Lucas Casali

Fonte
Universidade Federal de Santa Maria
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