Eleição de 2026: a disputa entre ser Colônia ou ter Independência

Por Gladstone Leonel Júnior23/09/2026 às 19:4037 visualizações
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Brasil de Fato

Enganam-se aqueles que pensam que, nesta eleição presidencial, a disputa será feita entre meras figuras tradicionais da política brasileira, Lula X Família Bolsonaro. As entrelinhas dessa disputa apresentam muito mais coisas em jogo do que a gestão do governo brasileiro. 

Há uma intencionalidade, não velada, de interferência nas eleições brasileiras por parte dos Estados Unidos e uma campanha aberta da Família Bolsonaro para que isso aconteça. O que causaria estranheza ou vergonha anos atrás, em um discurso que falava de pátria e família, hoje se mostra abertamente antipatriótico e neocolonial. 

O Brasil é, na atualidade, um dos poucos países da América Latina a não aceitarem ingerências externas que comprometem a soberania do país. Vide o caso do Paraguai, em tratado ratificado em 2026, no qual cidadãos estadunidenses em solo paraguaio, se cometerem crimes, não respondem pelas leis nem perante a Justiça paraguaia. Além de terem disponibilizado em seu território a livre circulação de equipamentos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos sem qualquer inspeção. 

A família Bolsonaro, por meio das manifestações de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, clama por uma intervenção externa no Brasil. Os efeitos desse tipo de iniciativa seriam imprevisíveis para as instituições e para a população.    

As medidas tomadas por parte do governo estadunidense não deixam dúvidas em relação à intencionalidade dessa interferência, o que constitui uma afronta direta ao direito internacional, solenemente ignorado pela gestão Trump. Vejamos algumas das medidas:

  • Pressão econômica: por meio do tarifaço, com a ampliação das sanções financeiras para estrangular a economia brasileira e influenciar o debate político interno;
  • Ações diplomáticas e sanções individuais: que apontam ativismo político direto na aplicação da Lei Magnitsky (sem validade em território brasileiro) e o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras; 
  • Designação de facções criminosas regionais: como organizações narcoterroristas (mesmo que os objetivos destes sejam diversos), viabilizando pretextos para eventuais intervenções sob justificativas de segurança transnacional;
  • Alinhamento político-ideológico: com a família Bolsonaro, na tentativa de ampliação do poder político na região e avanço sobre os recursos naturais brasileiros.

As últimas ações apontam que os Estados Unidos enviaram drones MQ-9 para a América do Sul, projetados para vigilância e ataque de precisão, além de Trump ter exigido que países latino-americanos também reconhecessem o PCC e o CV como terroristas, o que foi acatado por 14 países numa coalizão chamada “Escudo das Américas”, e garantissem condições políticas para que impusesse medidas. 

Em eventual vitória de Lula, não será de se espantar caso o governo dos Estados Unidos não reconheça a vitória e questione as urnas eletrônicas para amplificar o ruído político e desestabilizador na região. 

Internamente, as movimentações seletivas de processos explosivos no STF, próximo ao dia da independência, 07 de setembro, deixaram claro que o jogo político também está sendo jogado na Corte Suprema com potenciais efeitos eleitorais. 

A história não mente e muito ensina. Hoje vemos a Alemanha dar a vitória eleitoral, em dois estados, para governos de extrema-direita pela primeira vez, depois da derrota do nazismo nos anos 1940. O que liga novamente o sinal de alerta mundial. Hitler também chegou ao poder por vias legais, antes de destruir a democracia por dentro.  

O voto em Lula é mais uma tentativa de frear o fascismo. A palavra não possui mais apenas força retórica. É a possibilidade de se ganhar mais tempo para organizar o povo e disputar um projeto mais popular, que resista às investidas de golpes, sejam eles internos ou internacionais, e melhore a vida dos brasileiros e brasileiras.

Eduardo Galeano, em uma síntese de seu “Livro dos Abraços” diria que o colonialismo mental pode ser mais difícil de erradicar do que o colonialismo econômico ou político. Os Estados Unidos, e parte da classe política brasileira, insiste em nos confundir e dividir. Chegou a hora do povo brasileiro mostrar nas urnas e nas ruas que dá para ser diferente. 

A lição de San Martín, um dos Libertadores da América, não deve ser esquecida na atual conjuntura de 2026: “Divididos seremos sempre escravos; unidos seremos os donos do nosso destino.” Soberania e Independência não se negociam.

*Gladstone Leonel Júnior é Professor Adjunto da Faculdade de Direito e do Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense. Doutor e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Brasília. Realizou o estágio doutoral na Facultat de Dret, Universitat de Valencia, Espanha. Membro da Secretaria Nacional do IPDMS – Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais. Leia outros textos.

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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