Rima com militarismo, lembra milicianismo
No coração, palpitam as batidas do autoritarismo
Nas veias, viajam os micróbios do fascismo, nas artérias, os vírus do nazismo
Nas entranhas, repousa, inquieta, a serpente do golpismo
E o fanatismo ao torturador, expondo a genética da violência
A visão turva, sem enxergar injustiças sociais
O racismo desinibido, insensível à história de martírios
A homofobia desenfreada, estimulando preconceitos ultrapassados
E a sofreguidão machista, humilhando a dignidade da mulher
A boiada, mesmo que nunca machista, nem racista, nem homofóbica, seguiu tangida pelo vaqueiro em busca do curral. E o tilintar dos chocalhos atiçou a esperança de que a serpente despertasse de seu repouso e destruísse com as garras do golpismo as pilastras da nossa jovem democracia.
*Sebastião Costa é médico pneumologista e amigo da democracia.
**A opinião contida neste texto não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.
