No dia em memória às vítimas de feminicídio, mulheres de Curitiba vão às ruas pela reeleição de Lula

Por Franciele Petry Schramm17/10/2026 às 19:020 visualizações
Imagem mostra uma concentração de mulheres em frente ao prédio histórico da Praça Santos Andrade. No chão, algumas cruzes representam as vítimas de feminicídio
Imagem mostra uma concentração de mulheres em frente ao prédio histórico da Praça Santos Andrade. No chão, algumas cruzes representam as vítimas de feminicídio
Brasil de Fato

Mais de 2 mil pessoas saíram às ruas de Curitiba neste sábado (17) em uma mobilização nacional puxada por mulheres em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ato organizado por diferentes movimentos populares, coletivos e partidos se concentrou na Praça Santos Andrade, no centro da capital, e seguiu até a Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico. 

A mobilização marca o primeiro dia em que é celebrado o Dia Nacional de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio. A data foi estipulada pela Lei Federal nº 15.334/2026, sancionada este ano pelo presidente Lula. 

Advogada e professora, Regeane Quetes participou do ato não apenas por ela, mas pela filha, pela família e por todas as mulheres. “Se nós pensarmos o enfrentamento ao feminicídio, nós estamos pensando não só na democracia, nós estamos pensando na nossa sobrevivência”, analisa. Ela sabe o quanto o crime é destruidor. A filha Clara leva o nome em homenagem à sogra, Clarice, que foi assassinada. “Quando uma família é vítima de feminicídio, todos e todas são vítimas. Eu não quero que outras mulheres e outras famílias passem pelo o que a nossa passou”, lamenta.

No Paraná, 87 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, uma queda de 20,7% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o estado figurou em 6º lugar entre as maiores taxas de feminicídio do país. 

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública registraram 848 vítimas de feminicídio no Brasil nos primeiros sete meses de 2026, uma redução de pouco mais de 3% comparada ao mesmo período do ano anterior. 

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Desde a tipificação da lei do feminicídio em 2015, pela então presidente Dilma Rousseff (PT), 13.703 mulheres foram assassinadas nesta condição, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Quetes tem esperança da vitória de Lula no dia 25 de outubro. Ela lembra bem das violações de direitos promovidas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). “Eu não posso acreditar que o povo brasileiro coloque no poder um homem que fala abertamente que nós mulheres somos fraquejada, somos burras, ou que nós mulheres merecemos ser estupradas”, desabafa. 

Professora de arte educação na rede estadual, Andréia Vasconcelos também se mostra otimista, e conta que, além de apoiar Lula  – que segundo ela é um defensor da causa das mulheres  –, participa da mobilização como forma de defender seus direitos. “Mesmo que nosso presidente Lula ganhe e ele vai ganhar, nós teremos que estar em movimento por esses quatro anos. Nesses próximos anos nós mulheres precisamos estar efetivamente na rua, lutando pelos nossos direitos, porque a todo momento corremos o risco de perdemos, porque  o Senado é maioria [de homens conservadores]”.

Denuncie a violência contra a mulher

Casos de violência contra mulheres podem ser denunciados à Central de Atendimento à Mulher por meio do Ligue 180. O serviço é promovido pelo Governo Federal, é gratuito e funciona  durante 24h, em todos os dias da semana.

O Ligue 180 foi criado em 2005, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, durante o primeiro mandato de Lula. Na ligação, é possível obter orientações sobre direitos, serviços e localização da rede de atendimento especializado. 

Em caso de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.

Fonte
Brasil de Fato
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