
Conhecer o andamento dos projetos, identificar desafios e acompanhar os resultados das iniciativas desenvolvidas pela Embrapa Agroenergia foram os principais objetivos da visita técnica realizada pela Embrapii à Unidade, nos dias 29 e 30 de setembro. A programação incluiu apresentação de projetos, análise de indicadores e discussão de estratégias para o próximo ciclo de atuação.
Participaram da reunião Patrícia Abdelnur, coordenadora da Unidade Embrapii (UE) da Embrapa Agroenergia; Clelma Linhares, assessora de planejamento e qualidade da UE; e as chefes de P&D, Mônica Damaso, e de Transferência de Tecnologia, Juliana Evangelista. Pela Embrapii, estiveram presentes Flávia Santos, especialista em química industrial e responsável pelo acompanhamento da Unidade Embrapii Embrapa Agroenergia, e Daniel Freitas, da Gerência de Redes de Inovação.
Durante o encontro, Flávia Santos explicou que o propósito da visita foi criar um espaço de diálogo para conhecer as iniciativas, acompanhar o andamento dos trabalhos e compreender eventuais dificuldades e gargalos operacionais.
Daniel Freitas apresentou o balanço de desempenho da Embrapa Agroenergia e detalhou as metas previstas para o novo ciclo de avaliação.
Ao comentar a importância das ações estratégicas da rede e o engajamento necessário das unidades, Freitas destacou os Planos de Desenvolvimento de Competências (PDC) como uma ferramenta importante para a expansão das linhas temáticas. “Eu vejo muito valor em todas as ações que temos aqui, mas o PDC é o que eu vejo mais valor, principalmente por conta das oportunidades que ele pode oferecer”, afirmou.
O PDC permite que as unidades executem projetos estratégicos focados em uma nova linha temática, possibilitando a ampliação do portfólio de competências credenciadas junto à Embrapii. A iniciativa é destinada a unidades classificadas nas categorias Ouro, que é o caso da Embrapa Agroenergia, e Diamante.
Neste ano, a Embrapa Agroenergia aprovou seu primeiro PDC, referente ao projeto “Escalonamento e otimização de processos fermentativos para produção de ácido kójico e etanol amiláceo via modelagem matemática”, coordenado pela pesquisadora Silvia Belém.
Projetos
Durante o encontro, foram apresentados quatro projetos em desenvolvimento na Unidade Embrapii da Embrapa Agroenergia.
A pesquisadora Simone Fávaro mostrou o andamento do projeto “Soluções tecnológicas para produção e processamento da macaúba”, em parceria com a empresa Acelen Renováveis. A ideia é o desenvolvimento tecnológico das espécies da palmeira para a produção de combustível renovável de aviação, diesel verde, energia térmica e outros coprodutos de alto valor agregado.
Segundo Simone, um dos principais desafios está relacionado às limitações e aos riscos associados à macaúba, uma vez que a espécie ainda não é domesticada. A parceria visa, então, não somente a domesticação da palmeira, mas também, a implantação de lavouras comerciais e o melhor aproveitamento dos frutos (casca, polpa, endocarpo e amêndoa) via processos mais eficazes para extração de óleo de alta qualidade e geração de bioprodutos.
O projeto, coordenado pela pesquisadora, é o primeiro da Embrapa contemplado pelo convênio Embrapii-BNDES, na temática de combustíveis avançados, ou seja, envolve também recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O projeto foi bem avaliado e prorrogado para agosto de 2028.
Os pesquisadores João Ricardo Almeida e Félix Siqueira também apresentaram seus projetos. O de João Ricardo, “Bioinsumo de vinhaça de milho para cana e milho”, é desenvolvido em parceria com a Cargill Bioenergia (antiga SJC Bioenergia). A iniciativa busca aproveitar a vinhaça de milho, subproduto da produção de etanol de milho, combinada com leveduras para formular um bioinsumo destinado às culturas de cana-de-açúcar e milho.
O estudo está em fase de validação final e aplicação das leveduras selecionadas em condições reais de campo, utilizando a estrutura da biofábrica da Cargill.
Já o projeto de Félix, “Valorização de resíduos agroindustriais”, foi desenvolvido em parceria com a empresa Vita Amazon. A iniciativa teve como objetivo transformar resíduos agroindustriais — especificamente caroços de açaí e penas de aves da avicultura — em bioinsumos e biofertilizantes ricos em aminoácidos e ácidos orgânicos para a nutrição de plantas.
Com o término da primeira fase, a Vita Amazon aprovou o escopo para um segundo projeto. A nova etapa terá como foco a extração de aminoácidos das penas por meio de um processo de menor custo de investimento e a formação de parceria com uma indústria consumidora B2B (aquela cujo cliente final e principal comprador não é a pessoa física,o consumidor comum, mas sim outra empresa) para garantir a compra da produção.
O último projeto a ser avaliado foi “Produção de insumos microbiológicos com ação bioestimulante para aumento da produtividade em lavoura de soja”, coordenado pela pesquisadora e chefe de Pesquisa e Desenvolvimento Mônica Damaso.Trata-se de uma parceria com a empresa Satis, de nutrição vegetal e estimulantes agrícolas.
O projeto está na fase 2 e em processo de conclusão. De acordo com a pesquisadora, nessa segunda fase, o objetivo foi avançar no nível de maturidade tecnológica de ativos promissores obtidos na fase 1 do projeto. “Os resultados obtidos são muito positivos e há nítida intenção dos parceiros em viabilizar comercialmente um ou mais produtos oriundos do projeto”, afirmou Mônica. A analista da Embrapii, Flávia Santos, elogiou o projeto e os resultados alcançados.
Metas do ciclo
Entre os indicadores acompanhados pela Embrapii estão critérios relacionados à confiabilidade técnica e financeira, mentorias, e-coins e contratação de projetos. O conjunto desses indicadores compõe a avaliação das unidades no programa.
Segundo Freitas, a meta de acumulação de 9.000 e-coins, moeda virtual do programa, é considerada plenamente alcançável. A realização das mentorias individuais já agendadas, combinada ao registro de vídeos de mentorias coletivas assistidas, também deverá garantir a pontuação necessária.
Na parte de confiabilidade técnica e financeira, a Unidade apresentou nível “alto” nas duas medições do ciclo anterior. Atualmente, o indicador técnico (QIMin parcial) está em 83%, e não há registros de notificações graves, mantendo a Embrapa Agroenergia na faixa exigida, entre média e alta.
Em relação à contratação de projetos, a meta é firmar cinco projetos neste ano. Para manter a classificação Ouro, a Embrapa Agroenergia precisa fechar e registrar mais três projetos até o encerramento do ciclo.
Para Patrícia Abdelnur, “o saldo da visita foi muito positivo, impulsionado pelo cumprimento da maioria das metas da Unidade Embrapii Embrapa Agroenergia”. Segundo ela, a equipe segue empenhada para manter a Unidade na categoria Ouro.
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/
