AgNest recebe empresas europeias de tecnologia agroalimentar

23/10/2026 às 01:223 visualizações
Foto: M.Vicente- Embrapa
							

							
								Allan Daher do AgNest, durante a apresentação aos integrantes da delegação internacional
Foto: M.Vicente- Embrapa Allan Daher do AgNest, durante a apresentação aos integrantes da delegação internacional
Embrapa
23/10/26 |   Estudos socioeconômicos e ambientais  Mecanização e Automação  Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
AgNest recebe empresas europeias de tecnologia agroalimentar

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O AgNest, farm lab da Embrapa e empresas parceiras em Jaguariúna (SP), recebeu, dia 23 de outubro, representantes de oito empresas europeias que desenvolvem tecnologias para a cadeia agroalimentar. A visita integrou a Missão de Imersão Foodtech Brasil 2026, promovida pelo programa EIT Food GO Brazil, cofinanciado pela União Europeia, para aproximar empresas estrangeiras de instituições brasileiras de pesquisa e identificar oportunidades de cooperação tecnológica.

As empresas atuam em biotecnologia, controle biológico, fermentação de precisão, proteínas alternativas, inteligência artificial e aproveitamento de resíduos agroindustriais. Durante o encontro, apresentaram seus projetos a pesquisadores e profissionais da Embrapa, conheceram a estrutura do AgNest e discutiram possibilidades de colaboração e de acesso ao mercado brasileiro.

Entre as participantes esteve a Nanomik Biotechnology, da Turquia, especializada em biocontrole e encapsulamento de compostos ativos, técnica que protege substâncias e controla sua liberação. Do Reino Unido vieram a FLOX, que utiliza inteligência artificial para monitorar aves em sistemas de produção, e a Scindo.bio, que combina enzimas e inteligência artificial para transformar resíduos agrícolas e subprodutos florestais em ingredientes de maior valor agregado.

Também participaram a Arborea, que trabalha com microalgas e proteínas alternativas; a PFx Biotech, especializada em fermentação de precisão; a Pacifico Biolabs, que desenvolve substitutos para frutos do mar; a New Era Food, dedicada à produção de alimentos à base de cogumelos; e a Shelfion, que desenvolve tecnologias para prolongar a vida útil dos alimentos e reduzir perdas na cadeia produtiva.

Escala brasileira como diferencial

A passagem pelo AgNest fez parte de uma programação realizada entre 18 e 23 de outubro, com atividades em São Paulo, Piracicaba, Jaguariúna e Campinas. O roteiro incluiu encontros com investidores, universidades e centros de pesquisa, além da participação no Agtech Meeting 2026.

Segundo Raquel Kribt, CEO da Sterna International Business, responsável pela execução da missão no Brasil, a dimensão da produção agropecuária brasileira foi um dos aspectos que mais chamaram a atenção dos visitantes. “O Brasil trabalha com escalas muito diferentes das encontradas nos países europeus. As empresas precisam compreender essa realidade, adaptar suas soluções e identificar como suas tecnologias podem contribuir para atender às necessidades do mercado brasileiro”, afirmou.

Raquel também destacou o caráter recíproco da cooperação. Enquanto as empresas europeias buscam conhecer as condições de produção e as oportunidades do mercado brasileiro, instituições nacionais entram em contato com tecnologias e abordagens ainda pouco difundidas no país.

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Tecnologias em condições tropicais

A chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Meio Ambiente, Janaína Tanure, explicou que muitas soluções desenvolvidas na Europa ainda não foram avaliadas em climas tropicais ou em sistemas de produção semelhantes aos brasileiros. O contato com essas empresas permite conhecer novas abordagens tecnológicas e identificar possíveis aplicações em pesquisas conduzidas pela Embrapa.

“Conhecer o que está sendo desenvolvido em outros países ajuda a identificar oportunidades de complementaridade e a estabelecer parcerias capazes de fortalecer as pesquisas em andamento”, disse.

Para Janaína, o AgNest oferece condições para avaliar o desempenho dessas soluções no Brasil e identificar eventuais necessidades de adaptação. A aproximação também pode ampliar as conexões internacionais da Embrapa e favorecer o desenvolvimento conjunto de tecnologias.

Allan Daher, coordenador de Inovação e Marketing do AgNest, afirmou que o interesse de empresas estrangeiras em adaptar suas tecnologias às condições tropicais de produção tem crescido. Nesse processo, o farm lab oferece infraestrutura para testes em campo, permitindo avaliar o funcionamento das soluções e sua adequação às demandas da agricultura brasileira.

“Conhecer essas startups e suas tecnologias é um primeiro passo para estabelecer novas conexões e avaliar futuras parcerias, incluindo a possibilidade de receber empresas internacionais interessadas em desenvolver e testar suas soluções no Brasil”, afirmou.

Uma das possibilidades surgiu da apresentação da Arborea. A pesquisadora Débora Oliveira, cientista sênior de desenvolvimento de produtos da startup, falou sobre uma tecnologia patenteada para o cultivo de espirulina, uma microalga utilizada na produção de alimentos e ingredientes nutricionais. A solução busca obter um produto com características diferenciadas de sabor, qualidade e composição nutricional.

Com operações em Portugal e no Reino Unido, a Arborea avalia a possibilidade de testar o cultivo da microalga em condições brasileiras, de olho no potencial do mercado nacional, segundo Débora.

O AgNest ocupa uma área de 66 hectares em Jaguariúna, onde pesquisadores, startups e empresas podem testar tecnologias em condições reais de produção agropecuária. O espaço integra o Corredor de Inovação Agropecuária de São Paulo, aliança que conecta cinco polos de excelência tecnológica ao longo de aproximadamente 400 quilômetros no estado.

Cooperação internacional

O EIT Food GO Brazil faz parte do EIT Global Outreach, iniciativa que aproxima o ecossistema europeu de inovação de mercados internacionais. O programa é liderado pela EIT Food, com coordenação da Upvisor Global na Europa e execução da Sterna International Business no Brasil.

Suas áreas prioritárias incluem bioprocessamento de alimentos, desenvolvimento de novas fontes de proteínas, soluções de origem vegetal e embalagens sustentáveis. No Brasil, mantém conexões com universidades, centros de pesquisa e empresas, especialmente na região de Campinas, onde também atua o FoodTech HUB Latam, voltado ao desenvolvimento de negócios e tecnologias para o setor agroalimentar.

Marcos Vicente (MTb 22.047/SP)
Embrapa Meio Ambiente
Contatos para a imprensa: meio-ambiente.imprensa@embrapa.br
Telefone: 1933112611

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