Após 27 anos, dezenas de carros voltam a ficar submersos em enchente no Anhangabaú; veja previsão do tempo

15/10/2026 às 12:310 بازدید
Carros atingidos por enchente no túnel do Anhangabaú, no centro de SP
Carros atingidos por enchente no túnel do Anhangabaú, no centro de SP
Brasil de Fato

As fortes chuvas em São Paulo (SP) resultaram em um alagamento do Túnel do Vale do Anhangabaú, no centro paulistano, na tarde de quarta-feira (14), que deixou pelo menos 20 carros e dois ônibus submersos e motoristas ilhados sobre o teto dos veículos.

O cenário relembrou o episódio de 1999, há 27 anos, quando cerca de 160 automóveis e três coletivos foram cobertos pela água no mesmo local. Em 2021, o túnel registrou transbordamento parcial de uma das pistas no sentido zona sul.

Segundo dados do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura de São Paulo, a região do córrego do Anhangabaú acumulou 42 milímetros (mm) de chuva em apenas 40 minutos. O volume corresponde a 37% de toda a precipitação média esperada para o mês de outubro na capital, estimada em 112 mm pela administração municipal, o equivalente ao índice previsto para 11 dias. Na estação meteorológica da Sé, o acumulado atingiu 48,5 mm.

Atraso no fechamento

Especialistas e dados técnicos apontam que o alagamento resultou da combinação de um evento meteorológico concentrado com limites estruturais de drenagem e falha operacional na interdição preventiva da via.

De acordo com a empresa meteorológica Climatempo, a tempestade foi gerada pelo encontro de ar quente e úmido com a brisa marítima e a atuação de um cavado de baixa pressão atmosférica, além do transporte de umidade da Amazônia, criando nuvens de grande desenvolvimento vertical.

A concentração de 42 litros de água por metro quadrado em um intervalo curto de 40 minutos provocou escoamento superficial em velocidade superior à capacidade de absorção das galerias centrais.

A Prefeitura de São Paulo disse que o túnel possui seis bombas de drenagem e que todos os equipamentos funcionaram de maneira ininterrupta durante o temporal, sem registro de pane elétrica ou mecânica. Contudo, a vazão máxima do conjunto foi insuficiente para conter o volume que descia pelas encostas da região central em direção ao leito canalizado do córrego.

Aliou-se ao fator hídrico uma falha no protocolo de segurança viária. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mantém uma diretriz de fechar os acessos ao túnel preventivamente sempre que há risco iminente de inundação. Na quarta-feira, a interdição no sentido zona norte só teve início às 15h38, momento em que a enxurrada já invadia a pista e impedia a saída de dezenas de veículos que trafegavam pelo trecho subterrâneo.

O que diz a prefeitura

Em posicionamento oficial, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que o temporal teve intensidade “grande e inesperada” e mobilizou equipes de limpeza, hidrojateamento, guinchos e caminhões de sucção para escoar a água e retirar os veículos danificados.

“Foi um volume realmente grande e inesperado em um período muito curto, mas estamos aqui trabalhando para restabelecer completamente a cidade”, declarou o prefeito nas redes sociais.

O Vale do Anhangabaú passou por sucessivas obras ao longo das últimas décadas para tentar mitigar enchentes, desde a reurbanização iniciada na gestão de Jânio Quadros nos anos 1980 até a Operação Urbana Anhangabaú, criada em 1991 por Luiza Erundina para ampliação da macrodrenagem.

Entre 2006 e 2007, a gestão de Gilberto Kassab construiu novas galerias no córrego Moringuinho com a meta de reduzir em 15% a vazão que chega ao vale. A reforma urbana entregue pela prefeitura a partir de 2019, contudo, concentrou-se na requalificação de superfície e convivência, sem alterar a capacidade do sistema subterrâneo de escoamento.

Previsão para os próximos dias

A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu alerta severo para a continuidade de temporais generalizados nesta quinta-feira (15) e na sexta-feira (16). O risco de novos alagamentos e deslizamentos de terra permanece elevado porque o solo na Região Metropolitana já se encontra encharcado.

Para esta quinta, a Climatempo projeta chuva persistente ao longo de todo o dia e à noite na capital, com volume estimado em 59,9 mm e rajadas de vento que podem atingir 46 km/h. Na faixa leste do estado, que inclui a Grande São Paulo, a Baixada Santista e o Vale do Ribeira, os acumulados pontuais podem chegar a 80 mm. Os termômetros variam entre 17°C e 25°C.

Na sexta, a formação de uma frente fria associada a um ciclone extratropical no litoral do Sudeste manterá o tempo encoberto e chuvoso na capital. A temperatura máxima recua para 23°C, com mínima de 17°C e probabilidade de 100% de chuva, com previsão de acumulado de 39,9 mm. A tendência indicada pelos meteorologistas é de gradual redução das instabilidades a partir do sábado (17).

Para o próximo domingo (18), quando está previsto um ato da campanha de reeleição do presidente Lula (PT) na região do Vale do Anhangabaú, a previsão é de sol com aumento de nuvens e pancadas de chuva isoladas no fim da manhã e à tarde, com noite chuvosa.

منبع
Brasil de Fato
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