Candidato ao governo do DF, Leandro Grass registra ocorrência por vídeo com áudio manipulado por inteligência artificial

به قلم Kennedy Cruz16/10/2026 às 15:222 بازدید
Leandro Grass (PT) disputa o segundo turno do Governo do Distrito Federal contra a atual governadora, Celina Leão (PP)
Leandro Grass (PT) disputa o segundo turno do Governo do Distrito Federal contra a atual governadora, Celina Leão (PP)
Brasil de Fato

O candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) registrou, nesta quinta-feira (15), um boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal para denunciar a circulação de um vídeo com áudio manipulado por inteligência artificial que atribui a ele declarações que afirma nunca ter feito. O registro foi realizado na 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP).

Grass acusa pessoas ligadas à campanha de sua adversária no segundo turno, a governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP), de disseminar o material. Segundo ele, o vídeo utiliza artificialmente sua voz para atribuir a ele ideias, posições e declarações que não correspondem ao que defende.

“Pessoas ligadas à campanha da minha adversária, atual governadora candidata Celina [Celina Leão], disseminaram um vídeo que usa a minha voz artificialmente e que, durante o vídeo, afirma que eu vou fazer certas coisas que eu jamais faria, que eu fiz certas coisas que eu não fiz, que eu tenho ideias e posições que eu não tenho, ou seja, mentira, fake news”, declarou.

O caso já chegou à Justiça Eleitoral. Em decisão nesta quarte-feira (14), o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) concedeu uma liminar que determina que o responsável pelo compartilhamento do vídeo interrompa imediatamente novos encaminhamentos, envios ou publicações do material. A decisão prevê multa de R$ 5 mil por cada descumprimento.

O Brasil de Fato DF procurou a assessoria de Celina Leão para solicitar um posicionamento sobre as acusações feitas por Leandro Grass e a suposta participação de pessoas ligadas à campanha na disseminação do vídeo. Em resposta, a assessoria afirmou: “Sem comentário”.

Vídeo circulou em grupos

Durante entrevista após o registro da ocorrência, Leandro Grass afirmou que teve conhecimento da circulação do vídeo por meio de pessoas que participam dos grupos em que o material foi compartilhado. Segundo o candidato, o conteúdo chegou a pelo menos dois grupos de WhatsApp.

Um deles, de acordo com Grass, seria ligado ao Paranoá, onde o vídeo teria sido disseminado pelo coordenador da campanha de sua adversária na região. O outro seria o grupo chamado “Tropa do Gustavo Rocha”. O candidato também apontou a participação de uma pessoa que, segundo ele, já ocupou cargo de gestão pública na Secretaria de Proteção Animal e teve ligação com a Casa Civil.

As informações sobre a circulação do material e a identificação dos responsáveis deverão ser apuradas pela Polícia Civil. Grass afirmou que entregou à delegacia capturas de tela, o vídeo e relatos sobre como o conteúdo chegou até ele.

“É importante que este crime seja apurado o mais rápido possível pela Polícia Civil e, eventualmente, pelo próprio Ministério Público, porque, como eu disse, além de configurar crime eleitoral, na nossa avaliação, também existe aqui um crime civil, um crime contra mim. E eu não vou aceitar nem que a mentira seja disseminada, tampouco que a eleição seja suja, contaminada e manchada por um tipo de comportamento como esse”, afirmou.

O candidato também declarou que pretende acrescentar novas informações à representação já apresentada ao TRE-DF, após tomar conhecimento da circulação do vídeo em outro grupo de mensagens.

Justiça Eleitoral

A decisão do TRE-DF foi proferida pelo juiz auxiliar Carlos Alberto Martins Filho, em representação apresentada pela Coligação DF do Povo contra uma pessoa identificada no processo como Rosil.

De acordo com a decisão, o vídeo começa com um trecho autêntico de uma fala de Grass e, a partir dos seis segundos, passa a apresentar um áudio que teria sido produzido com inteligência artificial para simular a voz do candidato. O material atribui a ele declarações sobre temas como escolas cívico-militares, distribuição do chamado “kit gay” nas escolas, apoio ao governo de Agnelo Queiroz e oposição à construção do Museu da Bíblia em Brasília.

Ao analisar o pedido de urgência, o magistrado considerou que a manipulação poderia induzir eleitores a acreditar que as declarações haviam sido feitas pelo candidato. “Nesse contexto, a manipulação por deepfake mostra-se apta a induzir o eleitor a acreditar que as declarações constantes do áudio partiram efetivamente do candidato, produzindo uma falsa representação da realidade”, registrou o juiz.

Além de determinar a interrupção de novos encaminhamentos, o TRE-DF ordenou que a operadora de telefonia Claro forneça o endereço do representado para que ele seja citado e possa apresentar defesa. Após essa etapa, o processo deverá ser encaminhado ao Ministério Público Eleitoral para manifestação.

Leandro Grass afirmou que espera a identificação de quem produziu o vídeo e de quem participou de sua disseminação. “Eu acredito na justiça, acredito na verdade e vou, sim, buscar responsabilizar aqueles que mentiram sobre mim, que tentaram sujar a eleição no DF e que provocaram danos pessoais e morais contra mim. Infelizmente, não compreendem que uma eleição tem que se dar a partir da verdade e estão praticando a mentira”, declarou o candidato.


Apoie a comunicação popular no DF:

Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]

Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304–0102

منبع
Brasil de Fato
گشودن نسخه اصلی ↗
این خبر مفید بود؟

بحث‌ها 0

نخستین مشارکت‌کننده در بحث باشید.

اطلاعات خود را به اشتراک بگذارید و استدلال خود را مطرح کنید

در انتشار اطلاعات یا داده‌های مفید تردید نکنید.

برای شرکت در بحث، وارد شوید یا حساب رایگان بسازید.