‘Cada mês de enrolação significa milhões de pessoas perdendo descanso’, diz Rick Azevedo 

द्वारा Juliana Passos14/10/2026 às 11:421 दृश्य
Mobilização pelo fim da escala 6x1 motivou presidente Lula a encampá-la em maio de 2025
Mobilização pelo fim da escala 6x1 motivou presidente Lula a encampá-la em maio de 2025
Brasil de Fato

Em meio aos esforços do governo federal para pautar o fim da escala 6×1, a redução da jornada sem corte salarial ganha força no debate político. Rick Azevedo, criador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e recém-eleito deputado federal pelo Psol com a segunda maior votação no estado, defende a aprovação da PEC e cobra que os senadores assumam publicamente suas posições.

Na entrevista, ele critica a proposta de “liberdade de escolha” do senador e candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, alerta para a insegurança do trabalho por hora e defende políticas de apoio aos pequenos empreendedores para viabilizar jornadas mais humanas. 

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Brasil de Fato – Flávio Bolsonaro diz apoiar “liberdade de escolha” e propõe um regime de trabalho por hora. Como essa alternativa se compara à proposta do fim da escala 6×1? 

Rick Azevedo – Essa conversa de “liberdade de escolha” é uma falsa liberdade que deixa o trabalhador disponível o tempo inteiro e nunca seguro. Na prática, um regime em que a renda do trabalhador depende da demanda do patrão joga toda a insegurança nas costas de quem já recebe pouco. Quando o movimento cai, cortam horas. Quando a demanda sobe, chamam o trabalhador para se esticar ainda mais. Quem fica sem saber quanto vai levar para casa no fim do mês é o trabalhador. 

A PEC pelo fim da escala 6×1 segue no sentido oposto. Ela busca reduzir a jornada sem reduzir salário, proteger o descanso e impedir que a vida de milhões de pessoas seja organizada apenas pela necessidade de lucro de uma empresa. O Brasil precisa de mais tempo para viver, cuidar da família, estudar e descansar. 

Quem se beneficia concretamente se a PEC não for votada agora? 

A eleição fortaleceu setores que resistem a qualquer avanço para a classe trabalhadora. Por isso, deixar essa votação para depois torna o caminho mais difícil. Cada mês de enrolação significa milhões de pessoas perdendo aniversário, domingo, descanso, saúde mental e convivência com a família. O Senado precisa decidir de que lado está. Do lado de quem trabalha ou de quem explora. 

Todo direito trabalhista conquistado no Brasil foi chamado de exagero, irresponsabilidade ou eleitoreiro por quem sempre esteve articulado com o empresariado. Falaram isso do 13º salário, do FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço], das férias remuneradas e de tantos outros direitos. O país não quebrou. O trabalhador viveu um pouco melhor. 

Nas redes e nas ruas, vamos cobrar posição nominal. O povo tem o direito de saber quem vota pelo fim da escala 6×1, quem quer adiar e quem trabalha para manter a exploração como ela está. Essa pauta nasceu da revolta de quem trabalha demais e vive de menos. A pressão vai continuar até que cada senador dê uma resposta clara ao país. 

O que você diria aos pequenos empreendedores que muitas vezes têm um salário pouco superior aos seus contratados? Que tipo de política pode ser pensada para essas pessoas?

Eu sei que muito pequeno empreendedor também trabalha sem descanso, abre e fecha o próprio negócio e muitas vezes está no mesmo aperto de quem contrata. A luta pelo fim da escala 6×1 não é contra essa pessoa. É contra um modelo que faz o pequeno sobreviver na corda bamba enquanto grandes empresas acumulam lucro às custas da exaustão de todo mundo.

A transição precisa vir acompanhada de política pública séria para os pequenos negócios. Há experiências e estudos que apontam que jornadas mais humanas reduzem rotatividade, adoecimento e melhoram a produtividade. Um trabalhador descansado trabalha melhor. E um pequeno empreendedor que tem apoio consegue crescer sem precisar reproduzir a exploração que também sofre.

Como os autônomos, entregadores e motoristas de aplicativo podem ser beneficiados com o fim da escala 6×1?

Entregadores e motoristas de aplicativo também são trabalhadores, embora as empresas insistam em chamá-los de parceiros para fugir das próprias responsabilidades. Essas plataformas controlam preço, corrida, meta, bloqueio e até o tempo que a pessoa passa esperando uma chamada. Só não querem reconhecer os direitos de quem faz tudo funcionar.

O fim da escala 6×1 ajuda a mudar uma lógica que precisa valer para todos. Ninguém pode viver refém do trabalho, sem tempo para descansar e sem saber se vai conseguir pagar as contas no fim do mês. Mas eu também sou direto sobre isso. A PEC, sozinha, não resolve a realidade dos trabalhadores de aplicativo. Precisamos avançar com regras que garantam remuneração justa, transparência nos algoritmos, proteção social, direito ao descanso e defesa contra bloqueios arbitrários.

A luta contra a 6×1 abriu uma porta. Agora vamos escancarar. Quem entrega comida, leva passageiro e mantém as cidades funcionando todos os dias também merece uma vida além do trabalho.

स्रोत
Brasil de Fato
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