EUA ampliam cerco financeiro a Cuba e impõem sanções a banco cubano símbolo do ‘degelo’ na era Obama

Por Gabriel Vera Lopes16/10/2026 às 23:269 visualizações
Um homem empurra um bici-táxi por uma rua de Havana, em 7 de setembro de 2026.
Um homem empurra um bici-táxi por uma rua de Havana, em 7 de setembro de 2026.
Brasil de Fato

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (15) novas medidas coercitivas unilaterais contra Cuba. Aplicadas pelo Departamento do Tesouro, as sanções atingem o Banco Internacional de Comércio de Cuba (Bicsa), uma instituição bancária estatal.

Na prática, as sanções dificultam o acesso do Bicsa aos sistemas internacionais de pagamento, em um momento em que a ilha enfrenta graves dificuldades para obter divisas, pagar importações e manter suas relações comerciais devido ao bloqueio.

Além disso, Washington ameaça sancionar bancos estrangeiros — de outros países — que mantenham vínculos com o Bicsa, o que pode levar outras instituições financeiras a evitar operações com o banco cubano. A medida ocorre apenas um mês e meio depois de Washington impor sanções ao Banco Exterior de Cuba, outra instituição financeira estatal.

O secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou as sanções e acusou o Bicsa de prestar serviços à instituição iraniana Karafarin, também sancionada unilateralmente pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em 2020. Rubio afirmou ainda que Cuba operaria “como uma base avançada para atores maliciosos e grupos terroristas — incluindo a República Islâmica do Irã, o principal Estado patrocinador do terrorismo no mundo — com o objetivo de atacar os Estados Unidos”. No entanto, Washington não detalhou publicamente quais operações concretas fundamentam a acusação.

As sanções contra o Bicsa são aplicadas com base na Ordem Executiva 14404, assinada em maio de 2026, que amplia os poderes do governo estadunidense para impor sanções a entidades que atuam em setores estratégicos da economia cubana, incluindo os serviços financeiros.

A medida também tem uma dimensão simbólica: o Bicsa foi uma instituição central nas tentativas de normalização das relações financeiras entre Cuba e Estados Unidos durante o “degelo” da era Obama. Apenas um dia após o restabelecimento das relações diplomáticas entre Washington e Havana, em julho de 2015, o Bicsa assinou um acordo de correspondência bancária com o Stonegate Bank, uma instituição financeira da Flórida. Foi o primeiro acordo desse tipo entre bancos dos dois países desde a imposição do bloqueio estadunidense, no início da década de 1960.

Por sua vez, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, rejeitou as sanções e afirmou que o Bicsa é um banco “absolutamente legítimo” e que suas transações, tanto em Cuba quanto no resto do mundo, também são legítimas. Rodríguez denunciou ainda que a medida é uma “demonstração do empenho criminoso em aplicar ao máximo a punição coletiva contra o povo cubano e ‘fechar todas as válvulas’ da economia cubana”.

Fonte
Brasil de Fato
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