Uso de biomarcadores revela respostas ao estresse em tilápias em aquários com e sem divisórias

09/10/2026 às 01:230 visualizaciones
Foto: Victor Biguetti
							

							
								Aquários localizados na linha de recirculação 2:  A = ambiente único, sem divisórias e B = ambiente separado, com divisórias
Foto: Victor Biguetti Aquários localizados na linha de recirculação 2: A = ambiente único, sem divisórias e B = ambiente separado, com divisórias
Embrapa
09/10/26 |   Pesca e aquicultura  Produção animal  Manejo de Recursos Hídricos
Uso de biomarcadores revela respostas ao estresse em tilápias em aquários com e sem divisórias

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O uso de divisórias físicas em aquários pode contribuir para reduzir o estresse e melhorar as condições de bem-estar de tilápias-do-Nilo mantidas em experimentos laboratoriais. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e Unifaj no âmbito dos projetos BRS Aqua e Fapesp.

A pesquisa comparou o comportamento e indicadores de estresse de peixes mantidos em aquários com e sem divisórias. O experimento foi realizado durante 17 dias, sendo dois de aclimatação e 15 de avaliação, em seis aquários de 300 litros equipados com sistema de recirculação de água. Três aquários receberam divisórias físicas e três permaneceram sem a barreira. Após a biometria inicial, três tilápias foram colocadas em cada aquário.

Durante o período experimental, os pesquisadores acompanharam diariamente o comportamento dos peixes, possíveis sinais clínicos de enfermidades e a ocorrência de mortalidade. Também foram monitorados parâmetros de qualidade da água, como concentração de amônia, oxigênio dissolvido, pH, temperatura e condutividade elétrica.

Os peixes receberam diariamente ração comercial equivalente a 3% da biomassa, sob um regime de 10 horas de luz e 14 horas de escuro. Ao final do experimento, os animais passaram por nova avaliação biométrica e foram coletadas amostras de sangue para verificar indicadores relacionados à saúde e ao estresse, como glicemia, hematócrito e proteína plasmática total.

Embora os parâmetros sanguíneos não tenham apresentado diferenças significativas entre os dois tratamentos, as observações comportamentais revelaram uma diferença importante. Nos aquários sem divisórias, foram identificados indivíduos dominantes que apresentavam comportamento agressivo, perseguindo e atacando os demais peixes. Esse tipo de interação pode aumentar o estresse dos animais submetidos à hierarquia social.

Já nos aquários com divisórias, alguns peixes também apresentaram comportamento agressivo, mas a barreira física impediu o contato direto entre os indivíduos. Com isso, os confrontos foram reduzidos, proporcionando condições mais favoráveis ao bem-estar dos animais.

“Os resultados mostram que uma estrutura simples, como a utilização de divisórias, pode reduzir as interações agressivas entre os peixes e contribuir para melhores condições de bem-estar durante os experimentos”, afirma Víctor Biguetti, bolsista da Universidade de Jaguariúna.

A agressividade entre tilápias está relacionada à formação de hierarquias sociais, nas quais alguns indivíduos assumem posições dominantes e podem restringir o acesso dos demais a espaço e alimento. Em condições experimentais, especialmente nos estudos conduzidos com número reduzido de indivíduos, esse comportamento é especialmente relevante, pois pode interferir no bem-estar dos animais e também introduzir variações nos resultados das pesquisas.

O estudo reforça a importância de considerar não apenas os parâmetros fisiológicos, mas também o comportamento dos peixes na avaliação de seu bem-estar. Mesmo sem diferenças significativas nos indicadores sanguíneos analisados, as alterações do comportamento permitiram identificar situações de maior estresse nos aquários sem divisórias.

“Essa observação demonstra a importância da padronização de metodologias para uso dos biomarcadores que sejam mais adequados para cada situação e ambiente”, explica Márcia Ishikawa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

Para experimentos laboratoriais com tilápias-do-Nilo, onde a quantidade reduzida de animais favoreça a briga, a utilização de barreiras físicas pode, assim, representar uma ferramenta de manejo capaz de minimizar conflitos entre as tilápias e favorecer condições mais adequadas de bem-estar ao longo do período experimental.

“Associar ferramentas estruturais com as técnicas laboratoriais faz parte das boas práticas de manejo laboratorial na condução dos experimentos em ambiente controlado”, conclui Julio Queiroz, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.


O trabalho é de Víctor Biguetti, da UniFaj, Mariana de Oliveira Nascimento, bolsista da Faped, Julio Queiroz, Alfredo Luiz, Claudio Jonsson, Vera Castro e Márcia Ishikawa, da Embrapa Meio Ambiente.

Cristina Tordin (MTB 28499/SP)
Embrapa Meio Ambiente
Contatos para a imprensa: meio-ambiente.imprensa@embrapa.br
Telefone: 19 99262 67651

Mais informações sobre o tema
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Fuente
Embrapa
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