Acordo do diesel evidencia interesses comuns entre EUA e Rússia, diz analista

10/10/2026 às 15:580 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
O acordo sobre diesel entre Rússia e Estados Unidos reflete uma necessidade estratégica de aproximação entre as duas potências, segundo avaliação do analista internacional argentino Christian Lamesa. Em entrevista à Sputnik, ele argumentou que as dificuldades energéticas enfrentadas pelos EUA ampliam o interesse de Washington em estabelecer canais de cooperação com Moscou.
Lamesa afirmou que os dois países têm economias com potencial de complementaridade e que o presidente norte-americano, Donald Trump, compreende essa realidade. Segundo o analista, contudo, o republicano não teria obtido influência suficiente, durante seu segundo mandato, para consolidar plenamente essa agenda diante dos aliados europeus que apoiam Kiev.
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Panorama internacional
O que o acordo de diesel entre Putin e Trump revela sobre o mercado energético? Responde analista
Na avaliação do especialista, a situação energética dos Estados Unidos foi agravada após a decisão dos EUA de atacar o Irã. Lamesa disse que a medida, tomada sob pressão de Israel, acabou gerando consequências negativas para o mercado norte-americano de energia e elevando os custos de combustíveis estratégicos.
O analista destacou que, em algumas regiões dos EUA, o diesel estaria sendo comercializado entre US$ 8 e US$ 10 (R$ 39,90 e R$ 49,90) por galão. Segundo ele, trata-se de um patamar incompatível com a sustentabilidade da economia norte-americana, já que agricultura, indústria, transporte e outros setores dependem diretamente do combustível para manter suas atividades.

"Os EUA estão recorrendo à Federação da Rússia e [ao presidente russo] Vladimir Putin em busca de ajuda", afirmou Lamesa. Para o analista, esse movimento demonstra que o entendimento entre Casa Branca e Kremlin, assim como entre Trump e Putin, constitui uma questão prática e relevante para os interesses econômicos norte-americanos.

Ao comentar a reação de Kiev ao acordo, Lamesa declarou que as críticas das autoridades ucranianas revelam limitações de sua capacidade de influência sobre o processo.

"E não me surpreenderia nem um pouco se o regime de Vladimir Zelensky, esse regime neonazista, tentasse intensificar os ataques à infraestrutura energética russa", reforçou.

Ele acredita que Trump e Putin já discutiram os possíveis impactos de ações desse tipo e afirmou que Washington teria interesse em evitar uma escalada que prejudique seus próprios objetivos econômicos.
Lamesa concluiu dizendo estar confiante de que o presidente russo "defenderá tradicionalmente os interesses do povo russo e de sua pátria e garantirá que esse acordo também se mostre extremamente benéfico para a Federação da Rússia economicamente".

O acordo foi anunciado na sexta-feira (9) por Donald Trump, após conversa com Vladimir Putin. Segundo o presidente norte-americano, a Rússia fornecerá imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel, seguidas por outras 500 mil toneladas em novembro e cerca de 1 milhão de toneladas posteriormente, com possibilidade de novos embarques. O Kremlin confirmou o entendimento, enquanto o governo dos EUA flexibilizou temporariamente restrições ao diesel russo até abril de 2027.

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Sputnik Brasil
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