Curso de Nutrição da UFSM-PM desenvolve projetos voltados à comunidade

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22/10/2026 às 12:0711 visualizações
Laboratório de Técnica Dietética é um dos locais onde são realizadas ações
Laboratório de Técnica Dietética é um dos locais onde são realizadas ações
Universidade Federal de Santa Maria
Laboratório de Técnica Dietética é um dos locais onde são realizadas ações
Laboratório de Técnica Dietética é um dos locais onde são realizadas ações

O curso de Nutrição da UFSM Campus Palmeira das Missões desenvolve projetos de extensão voltados à promoção da alimentação adequada, à segurança dos alimentos e à formação da comunidade. Entre as iniciativas estão a capacitação anual de merendeiras da região, ações de educação alimentar em escolas e atividades culinárias destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Parte dessas ações é realizada no Laboratório de Técnica Dietética (LABTED), espaço utilizado tanto nas aulas práticas da graduação quanto em atividades de extensão.

Uma das principais iniciativas é a capacitação anual de merendeiras de escolas municipais e estaduais, realizada desde 2019. A atividade atende entre 100 e 200 profissionais de Palmeira das Missões e de municípios da região e é organizada em parceria pelo curso de Nutrição da UFSM, pela 20ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e pela Secretaria Municipal de Educação. As escolas são convidadas a participar, mas a presença varia a cada edição. Em algumas ocasiões, a Emater/RS também colaborou com a iniciativa.

Segundo a professora Maritiele Naissinger da Silva, responsável pela iniciativa, a capacitação surgiu da necessidade de oferecer formação periódica às profissionais que atuam na alimentação escolar. Essa atividade ocorre geralmente entre junho e julho e tem duração de quatro a cinco horas.

Durante os encontros, são abordadas boas práticas de manipulação e qualidade dos alimentos, com orientações sobre recebimento, armazenamento e controle de temperatura. As participantes também recebem informações sobre a leitura de rótulos, a verificação dos prazos de validade e as condições das embalagens dos produtos utilizados nas escolas.

Segundo Maritiele, a capacitação permite que as profissionais compartilhem experiências e aprimorem os cuidados com a alimentação escolar. A professora ressalta, porém, que algumas melhorias dependem de condições estruturais e da atuação dos órgãos responsáveis, como a aquisição de materiais e uniformes. Ainda assim, segundo ela, é possível perceber o comprometimento das profissionais em aplicar, na rotina de trabalho, os conhecimentos que estão ao seu alcance.

Laboratório recebe atividades de formação e inclusão social

O Laboratório de Técnica Dietética é um espaço importante para o desenvolvimento das ações. Além de ser utilizado nas aulas práticas do curso, o ambiente permite a realização de oficinas e preparações culinárias destinadas a diferentes públicos.

O espaço, que já foi utilizado para uma capacitação de merendeiras voltada ao desenvolvimento de alimentos e lanches adequados às regulamentações do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), também integra projetos destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Nessas atividades, os participantes aprendem a produzir alimentos que podem ser comercializados como alternativa de geração de renda. A formação pode ser complementada por oficinas que orientam sobre os procedimentos necessários para formalizar a venda dos produtos.

Em 2025, por meio de uma iniciativa vinculada ao Programa Progredir, foram oferecidas atividades de desenvolvimento de habilidades culinárias para pessoas em situação de vulnerabilidade social em Palmeira das Missões. A proposta era ensinar a elaboração de diferentes produtos alimentícios que pudessem ser preparados para comercialização. 

Outras atividades também são realizadas no laboratório por docentes do curso. Entre elas estão oficinas de panificados destinadas a mulheres em situação de vulnerabilidade social e a preparação de lanches para ações comunitárias.

Projeto orienta sobre escolhas alimentares

Entre os projetos de extensão coordenados por Maritiele está o Saber Rotulagem, que busca compartilhar informações sobre a leitura e a interpretação dos rótulos de alimentos. A iniciativa procura ajudar os consumidores a identificar as características dos produtos industrializados e a fazer escolhas alimentares mais conscientes.

As atividades incluem palestras para diferentes públicos, como crianças da educação infantil e estudantes do ensino fundamental e médio. As ações podem ocorrer nas próprias instituições de ensino ou no LABTED, conforme as necessidades de cada grupo.

O projeto também desenvolve preparações culinárias para demonstrar alternativas que podem ser feitas em casa em substituição a determinados produtos industrializados. Além disso, aborda aspectos relacionados à qualidade dos alimentos e às boas práticas de manipulação.

Atualmente, mais de 30 estudantes participam do Saber Rotulagem. A atuação é organizada de acordo com os interesses dos acadêmicos e envolve atividades como produção de conteúdo para as redes sociais, preparação de alimentos e participação em palestras e ações educativas. O projeto conta com três estudantes bolsistas, uma vinculada às atividades em Santa Maria e duas em Palmeira das Missões.

Para Maritiele, o envolvimento dos estudantes permite que eles tenham contato com experiências diferentes das vivenciadas em sala de aula. Segundo a professora, alguns acadêmicos retornam para novas atividades por terem gostado da experiência e reconhecido a importância da participação.

Extensão aproxima universidade e comunidade

A atuação do curso também inclui atividades de educação alimentar e nutricional em comunidades de Palmeira das Missões e, nessas iniciativas, os estudantes participam tanto da preparação dos alimentos no laboratório quanto das ações realizadas fora da universidade, em contato direto com os públicos atendidos.

Para Maritiele, a participação nas atividades de extensão proporciona aos estudantes experiências que complementam a formação acadêmica. No projeto Saber Rotulagem, por exemplo, os alunos podem atuar na produção de conteúdo para as redes sociais, na preparação de alimentos e na realização de palestras, de acordo com seus interesses. Segundo a professora, alguns estudantes demonstram interesse em participar de novas ações após vivenciarem essas experiências. “Quero participar de novo porque gostei, porque vivi uma experiência que não tinha vivido ainda. Foi uma coisa diferente para mim, aprendi muito”, relata, reproduzindo o retorno dos estudantes que participam das atividades.

A professora também ressalta que o trabalho de extensão exige planejamento e diálogo com os públicos atendidos, considerando as necessidades de cada comunidade e adaptando a abordagem e a linguagem às características dos participantes. “Não é só a gente levar o nosso projeto lá e falar o que a gente quer falar do projeto, é entender o que eles esperam receber da gente”, afirma. Dessa forma, as ações aproximam o conhecimento produzido na universidade das demandas da comunidade regional e contribuem para a formação dos estudantes por meio da experiência prática.

Texto: Gabriela Menezes, acadêmica de Jornalismo, estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Laboratório de Técnica Dietética/UFSM-PM
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista

Fonte
Universidade Federal de Santa Maria
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