Oficina prepara estratégias de adaptação da aquicultura brasileira às mudanças climáticas

16/10/2026 às 01:220 vues
Foto: Arquivo FAO
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Embrapa
16/10/26 |   Transferência de Tecnologia  Manejo de Recursos Hídricos
Oficina prepara estratégias de adaptação da aquicultura brasileira às mudanças climáticas

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Ferramenta Aqua-Adapt, desenvolvida pela FAO com participação da Embrapa, será aplicada para identificar riscos climáticos e definir medidas de adaptação para diferentes sistemas aquícolas

A Rede de Pesquisa e Monitoramento Ambiental da Aquicultura, no âmbito do Projeto BRS-Aqua, em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), realiza, nos dias 21 e 22 de outubro, em Brasília (DF), a Oficina de Aplicação do Aqua-Adapt. A ferramenta, desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com participação da Embrapa, apoia o planejamento e a implementação de estratégias de adaptação da aquicultura aos impactos das mudanças climáticas.


A oficina será realizada na sede do MPA e tem como objetivo contribuir para a construção de estratégias de adaptação da aquicultura brasileira diante dos desafios impostos pelas mudanças no clima. A atividade reunirá pesquisadores, especialistas e representantes de diferentes setores ligados à produção aquícola para identificar riscos, avaliar impactos e discutir medidas que possam aumentar a capacidade de adaptação dos sistemas produtivos.


A crescente exposição da aquicultura a eventos climáticos extremos pode afetar a produção, os recursos naturais, a infraestrutura, os meios de subsistência e a segurança alimentar. Nesse contexto, a identificação e a priorização de ações de adaptação tornam-se importantes para reduzir a exposição e a sensibilidade dos sistemas produtivos e fortalecer sua capacidade de resposta.


Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Fernanda Sampaio, que será facilitadora da oficina, o Aqua-Adapt oferece uma metodologia estruturada para apoiar esse processo. A ferramenta auxilia produtores, gestores e tomadores de decisão a identificar riscos ambientais e produtivos e a avaliar medidas capazes de aumentar a resiliência dos sistemas aquícolas.


Da identificação dos riscos aos planos de adaptação

A programação da oficina segue o processo proposto pelo Aqua-Adapt. Inicialmente, serão apresentados conceitos relacionados às mudanças climáticas, projeções para diferentes horizontes de tempo e cenários de exposição às ameaças climáticas. Os participantes também compartilharão casos concretos observados em diferentes regiões do País.


A partir dessas informações, serão identificadas as principais forçantes climáticas — como alterações de temperatura, chuvas e ocorrência de eventos extremos —, as ameaças decorrentes dessas mudanças e os impactos já observados nos sistemas de produção.


Pesquisadores da Embrapa contribuirão com informações sobre cenários climáticos de curto, médio e longo prazo para a aquicultura e sobre os cenários de exposição às ameaças climáticas. Os pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste, Eder Comunello e Tarcila Silva, apresentarão cenários previsões climáticas de curto médio e longo prazo e a pesquisadora  da Embrapa Amazônia Oriental, Marta Ummus, abordará a distribuição espacial da aquicultura no território brasileiro, destacando a localização e a concentração regional dos principais sistemas de produção, as espécies cultivadas e os volumes produzidos, de modo a subsidiar a identificação das regiões e dos sistemas produtivos potencialmente expostos às ameaças climáticas. O pesquisador Luiz Eduardo de Freitas, da Embrapa Cerrados, apoia a organização da oficina e estará presente na atividade. A consultora Consuelo Marques também contribuirá com o evento, auxiliando na condução dos trabalhos.


A metodologia prevê ainda a construção coletiva de cadeias de eventos, relacionando as forçantes climáticas às ameaças imediatas e aos impactos sobre os diferentes sistemas aquícolas. Essa etapa permitirá validar as unidades de adaptação e definir os principais riscos a serem trabalhados.

Aplicação prática


No segundo dia, os participantes aplicarão a ferramenta às unidades de adaptação selecionadas. Serão preenchidas coletivamente as planilhas do Aqua-Adapt, incluindo a avaliação do risco atual, a análise de diferentes medidas de adaptação e a comparação de sua relação custo-efetividade.

Também serão elaborados esboços de planos de adaptação, com definição de medidas, responsáveis, prazos e indicadores para acompanhamento. A experiência dos especialistas será fundamental para avaliar a viabilidade técnica, os custos e a efetividade das alternativas propostas para os diferentes sistemas de produção.


Entre os sistemas considerados estão a piscicultura em viveiros e tanques-rede, a carcinicultura e a maricultura.

A atividade integra as ações do Projeto BRS-Aqua e está alinhada ao Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e ao Plano Clima – Adaptação.


Experiência internacional

A aplicação do Aqua-Adapt no Brasil também se beneficia de experiências internacionais com a ferramenta. Durante a oficina, será apresentado o método utilizado na aquicultura chilena, permitindo aos participantes conhecerem uma experiência de aplicação da metodologia em outro país.


No debate internacional sobre os impactos das mudanças climáticas, eventos extremos, alterações na temperatura da água, mudanças nos regimes de chuva e a crescente pressão sobre os recursos naturais já são apontados como fatores que afetam a pesca e a aquicultura em diferentes regiões do mundo.


A expectativa é que a aplicação do Aqua-Adapt contribua para transformar essas informações em estratégias concretas de adaptação, considerando as características dos diferentes sistemas de produção e os desafios enfrentados pela aquicultura brasileira.

 

Cristina Tordin (MTB 28499/SP)
Embrapa Meio Ambiente
Contatos para a imprensa: meio-ambiente.imprensa@embrapa.br
Telefone: 19 99262 67651

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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