Com o objetivo de fortalecer a participação política das regiões marginalizadas do Distrito Federal, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) deu início à campanha Perifa nas Urnas. A iniciativa, lançada em agosto, preparou uma carta aos futuros representantes para que suas reivindicações sejam incluídas nos programas dos candidatos às eleições de 2026 da capital.
O principal marco da campanha é a divulgação de uma carta-manifesto, que reúne um conjunto de propostas e diretrizes políticas elaboradas para as candidaturas ao Governo do DF, à Câmara Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal.
De acordo com o instituto, o documento é o resultado de um processo contínuo de formação e escuta coletiva iniciado em 2025, no âmbito da Rede de Juventudes e Adolescências (JUÁ), e aprofundado em oficinas realizadas pelo Inesc em julho. No total, mais de 150 adolescentes e jovens de diversas regiões administrativas participaram da formulação das propostas.
“Ainda que sejam de regiões administrativas diferentes, as demandas periféricas são as mesmas: direito à saúde, assistência e proteção social, educação de qualidade, cultura, segurança pública, mobilidade urbana, esporte e lazer, meio ambiente e direito à participação social”, afirma ao Brasil de Fato DF Dyarley Viana, assessora política do Inesc.
Propostas
A agenda é dividida em eixos temáticos com foco em justiça social e no combate às desigualdades territoriais e raciais. “É de vital importância considerar, ouvir as vozes múltiplas das juventudes, fortalecer e oportunizar a escuta, o protagonismo juvenil, valorizando suas potencialidades e pluralidades. A participação jovem no desenho das políticas públicas é fundamental para o êxito da promoção e equidade de direitos”, completa Viana.
Os temas abrangem áreas como saúde pública, assistência social, educação, mobilidade urbana, segurança cidadã, cultura, esporte, lazer e meio ambiente.
As propostas estão divididas por cargos em disputa no Executivo e Legislativo, formuladas a partir do olhar de quem vive as políticas públicas na prática. “É um grito que exige um Distrito Federal que nos proteja e proteja todas as juventudes e adolescências, que descentralize os investimentos, que ouça as quebradas e que reconheça as periferias como centro de criação e cuidado”, afirma o documento.
Após estudos, a juventude identificou barreiras que impossibilitam a compreensão de como é feita a distribuição de recursos públicos para as periferias e exigiu maior transparência na divulgação dessas informações. “Isso afeta diretamente nossa capacidade de controle social e incidência política. Sendo assim, é necessário que haja desagregação por raça, cor, gênero, territórios e faixa etária desde a formulação do orçamento público até a disponibilização das informações da execução orçamentária e das respectivas políticas públicas”, ressalta a carta.
No campo social, a iniciativa sugere fortalecer ações de apoio a jovens e famílias em situação de rua e vulnerabilidade social implementando unidades do Centro Pop em Ceilândia, Recanto das Emas e Planaltina. O plano defende a inclusão de todas as famílias com crianças e adolescentes em situação de rua no programa Morar Bem.
Para a juventude, também é fundamental criar núcleos de atendimento psicossocial e jurídico para jovens LGBT+ nos Centros de Juventude, CEU das Artes e Praças dos Direitos. Na cena cultural periférica, a proposta é implantar e manter, até 2028, três estúdios multimídia comunitários em regiões administrativas para apoiar produções de diversas linguagens artísticas e culturais.
Educação
Para a educação, uma das propostas é democratizar o acesso ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a outros vestibulares nas regiões periféricas, mantendo, ao menos, 30 projetos de cursinhos populares gratuitos a partir do próximo ano. O projeto também prevê a construção de escolas de ensino médio e fundamental II em regiões administrativas que mais precisam, além de novas contratações de profissionais da área.
Outro ponto destacado é a necessidade de ampliar a oferta de turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no período noturno.
Ao propor encerrar a criação de novas escolas públicas militarizadas, os jovens defendem um plano de transição de colégios que adotam o modelo para uma gestão democrática. Outra frente nesse sentido está apoiada em projetos político-culturais escolares sobre diversidade, gestão democrática e direitos estudantis.
Além de dialogar com os postulantes a cargos públicos, a campanha Perifa nas Urnas atua na linha de frente da formação cidadã. A iniciativa também produz e distribui conteúdos sobre a estrutura do sistema político brasileiro, o papel de cada representante eleito e outros aspectos fundamentais para a educação política.
Leia a carta-manifesto completa neste link.
Apoie a comunicação popular no DF:
Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]
Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.
Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.
Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304–0102
